06 outubro 2018

A (falta de) Justiça

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Alfredo Ceschiatti


 


 


Temos uma remodelação institucional, de valores e de práticas. A presunção de inocência e a Justiça são conceitos que, neste momento, não têm qualquer significado.


 


Cristiano Ronaldo foi e é acusado de violação. As reacções nas redes sociais e nos restantes media ditarão o seu futuro e o da acusadora. Não serão os tribunais, o apuramento dos factos ou as eventuais confissões de qualquer das partes. Cristiano Ronaldo, culpado ou inocente, vai ser mastigado pela opinião pública porque é muito mais importante à Juventus, à Nike e à EA desportos, que têm com ele relações profissionais, projectarem uma imagem de moralidade do que esperarem os mais vagarosos trâmites da justiça.


 


Em relação a Kathryn Mayorga também não interessa se foi ou não violada. Em Portugal os amantes de futebol e de Cristiano Ronaldo já decidiram que ela é uma devoradora de dinheiro e que, mesmo que tenha sido violada, já sabia ao que ia ao aceitar subir ao quarto de Cristiano Ronaldo. A tese dos homens predadores e da culpa das mulheres provocadoras, velha como o mundo, é um dos sustentáculos da sociedade machista que continuamos a ser.


 


Estamos a criar uma sociedade cruel e sem regras. As discussões sobre qualquer assunto ganham de imediato contornos de guerras assassinas, sem que as Instituições tenham capacidade para seguir o percurso das investigações e do apuramento de responsabilidades. As barragens são de tal ordem que se esquecem os núcleos para se ficar com as pontas, lançando-se véus sobre tudo e misturando tudo na mesma impunidade.


 


No caso de Tancos, o Expresso, conhecido por criar factos políticos, lançou já o mote para a culpabilização do Ministro da Defesa, com a suspeita de envolvimento do mesmo pelos responsáveis na encenação da descoberta das armas roubadas. Claro que a palavra destes oficiais já foi elevada à dos homens de honra, enquanto os desmentidos do Ministro são olhadas como desculpas de um malfeitor. Entretanto o facto em si – o roubo das armas e o seu encobrimento – deixa de ser importante. É claro que o Ministro da Defesa tem sido um desastre, mas daí até ser conivente com uma farsa deste tipo, é um grande salto. Em relação aos responsáveis hierárquicos na cadeia de comando das Forças Armadas, ninguém assume responsabilidades.


 


O mais grave de tudo isto é que não sabemos em quem confiar nem em quem acreditar – se no Ministro, se nos militares encobridores, se nos eventuais violadores, se nas eventuais violadas. Não há limites nem fronteiras, tudo se mistura perigosamente.


 


Nota: vale a pena ler Ferreira Fernandes

03 outubro 2018

Don't let anyone tell you how to drink your whisky

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Edimburgo é uma cidade muito agradável, elegante, com gente simpática, de aspecto próspero. Está muito frio e muito húmido, as cores escuras dos prédios, das igrejas, do Castelo, contrastam com as cores vivas do quadriculado dos tartans. Muitos restaurantes e bares, com várias ofertas bio, orgânica, vegan e tradicional, stew, cerveja e whisky.


 


 


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A prova do whisky é uma obrigação turística mas que não me custou nada a cumprir. Depois de uma subida acentuada até ao Edinburgh Castle, nada melhor que retemperar as forças no Ambar Whisky Bar.


 


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Serviram-me, por ordem de prova, acompanhados de uma tábua de queijos, uvas, salada de alfaces, chutney, pão e bolachas:



  1. Auchentoshan American Oak Lowlands Single Malt Scotch Whisky

  2. anCnoc 2002 Highlands Single Malt Whisky

  3. Dailuaine 16 Year Old Speyside Single Malt Scotch Whisky

  4. Lagavulin Distillers Edition Islay Malt Whisky


O barman, um rapaz bastante escocês e muito simpático, disse-me que provasse os whiskies plain e se visse necessidade, juntasse uma dash of water.


 


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Depois percorri mais uns quilómetros, pela Royal Mile, descendo até à Princess Street e subindo de novo até à Morrison Street. Eu, que me perco em qualquer lugar, sempre de mapa em punho nunca me enganei. Deve ter sido do whisky.


 


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23 setembro 2018

Um dia

 


 


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The Immortal Pyre


Jason deCaires Taylor


 


Um dia serei água


antes que me afogue serei fogo


antes que me queime serei terra


antes que anoiteça.


 


Um dia serei como o mar


antes que me perca onda de azul


e penumbra migalha de luz e de vida


antes que pereça.


 

Descrédito a expensas próprias - actualização

Ao contrário do que afirmei ainda agora, o Expresso pediu desculpa aos leitores.


 


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As minhas desculpas ao Expresso. Procurei pela internet, mas não encontrei. Cheguei lá através do facebook.


 

O charme discreto do cinema britânico


 


Discreto, sóbrio, profundamente humano e contido, The Children Act é um excelente filme.


 


Down by the Salley Gardens


 


Down by the Salley Gardens


my love and I did meet;


She passed the salley gardens


with little snow-white feet.


She bid me take love easy,


as the leaves grow on the tree;


But I, being young and foolish,


with her would not agree.


 


In a field by the river


my love and I did stand,


And on my leaning shoulder


she laid her snow-white hand.


She bid me take life easy,


as the grass grows on the weirs;


But I was young and foolish,


and now am full of tears.


 


William Butler Yeats


 

Descrédito a expensas próprias

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Mais uma vez os jornalistas e os jornais prestaram um péssimo serviço à sua própria credibilidade. No fim de semana passado o Expresso e o Observador, em grandes manchetes, asseguravam a iminência da recondução de Joana Marques Vidal. E fazendo as vezes de papagaios acéfalos, vários outros jornaistelevisões o repetiram.


 


Depois do duche gelado que foi a publicação da nota da Presidência da República sobre a escolha de Lucília Gago para o cargo, nem o Expresso nem o Observador, nem qualquer dos outros que fez eco das fake news, teve a decência de admitir o engano e explicar porquê. Honra seja feita ao DN que não se deixou levar na enxurrada. Grande editorial, o de Ferreira Fernandes.


 


Passos Coelho rompeu o silêncio para destilar azedume e insinuações sobre o Primeiro-ministro e o Presidente da República. A palavra decência que tanto usa no texto, não fez ressonância no seu próprio carácter. Rui Ramos adoptou a linguagem revolucionária da direita mais radical, lamentando-se da noite das facas longas do regime. Não é que me surpreendam, mas custa ver tanta falta de nexo e de sentido democrático.


 


Aguardemos os novos factos políticos que estarão a ser fabricados. Veículos informativos e jornalistas instrumentalizáveis, disponíveis para os plantar e promover, infelizmente não faltam, para além de alguns ventríloquos que se mantém na esfera pública.

20 setembro 2018

Finalmente acabou a novela

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Lucília Gago


 


 


Presidente da República nomeia Procuradora-Geral da República


O Presidente da República, sob proposta do Governo, decidiu nomear Procuradora-Geral da República a Senhora Procuradora-Geral Adjunta, Dra. Lucília Gago, com efeitos a partir de 12 de outubro de 2018.


Fê-lo por duas razões determinantes:


1.ª - Sempre defendeu a limitação de mandatos, em homenagem à vitalidade da Democracia, à afirmação da credibilidade das Instituições e à renovação de pessoas e estilos, ao serviço dos mesmos valores e princípios.


2.ª - Considera que a Senhora Dra. Lucília Gago garante, pela sua pertença ao Ministério Público, pela sua carreira e pela sua atual integração na Procuradoria-Geral da República - isto é, no centro da magistratura - a continuidade da linha de salvaguarda do Estado de Direito Democrático, do combate à corrupção e da defesa da Justiça igual para todos, sem condescendências ou favoritismos para com ninguém, tão dedicada e inteligentemente prosseguida pela Senhora Dra. Joana Marques Vidal.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...