22 outubro 2017

Concerto para Piano e Orquestra n.º 2 em Dó menor (op. 18)


Sergei Rachmaninoff


Evgeny Kissin


Orchestre Philharmonique de Radio France


Myung-Whun Chung

Um Senhor Presidente

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No meio de tanto azar, incúria e desgraça, temos a sorte de, neste momento, contar com um Presidente como Marcelo Rebelo de Sousa. Como um mastro no meio da tempestade, tem sido aquele para quem todos olham, a quem todos respeitam e, mais importante que tudo isso, de quem todos gostam e em quem todos confiam.


 


No meio de tanta aflição, de tanta inimaginável desvergonha, oportunismo e demagogia, o Presidente exige a quem tem de exigir e conforta quem tem que ser confortado. António Costa, inexplicavelmente, cavou bem fundo o seu afastamento com os atónitos cidadãos, que perderam a vida, a família, a casa, o emprego, os meios de subsistência. Colocou o governo numa dificílima situação, com a sua insuficiente e atabalhoada leitura da forma como liderar após a tragédia.


 


No entanto é minha convicção que se alguém tem capacidade para, de facto, reformar e devolver a esperança ao País que vive sem que se dê por ele, se alguém tem possibilidade, ambição e resiliência para revolucionar a floresta e fazer o que durante décadas ninguém fez, é este governo e António Costa.


 


Espero, sinceramente, que não esteja enganada. Ouvi ontem, durante o dia, as várias intervenções dos membros do governo e do Primeiro-ministro. Pareceu-me tudo bem fundamentado, digno e rigoroso. Falta cumprir, acompanhar e avaliar. A vida de quem tanto perdeu é o mais importante.

20 outubro 2017

Luto

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Move notícias


 


 


Quantas e tantas pessoas boas genuínas preocupadas e sabedoras


dizem e gritam e choram e blasfemam e opinam e decidem e exigem.


Quantas e tantas pessoas generosas e emotivas


explicam e pedem e replicam e escrevem e declamam.


Só eu com os meus dedos com a minha voz com as minhas lágrimas


gelei dentro da minha agonia da minha indecisão do meu espanto da minha dor.


Só eu que não tenho gestos para apagar incêndios


nem salmos que sustenham a terra nem mãos que reguem a vida


quero tanto o jorro da chuva a limpeza do vento


alguma coisa que lave a alma


do peso do negrume da desesperança.

Pudor

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Euronews


 


 


 


De cinza e branco de negro e ocre


esfarelam as mãos e calcinam esperanças


de olhos parados na solidão dos escombros.


A exigência do silêncio a obrigação ao pudor


de todos os que esquecemos o resto do mundo.

14 outubro 2017

O Relatório sobre o incêndio de Pedrógão

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Do relatório elaborado pela Comissão Técnica Independente sobre o incêndio de Pedrógão Grande apenas li o sumário executivo, mas com muita atenção. E sugiro que todos o leiam.


 


Sem qualquer rebuço os relatores indicam a responsabilidade à Protecção Civil, à incapacidade de previsão atempada, à actuação descoordenada e tardia, as extremos factores atmosféricos e de solo.


 


Mas dizem muito mais e é nisso que nos devemos focar - é preciso mudar tudo, aceitar e integrar o conhecimento científico na verdadeira prevenção e combate aos incêndios, mudar a floresta, envolver as populações e as Forças Armadas, qualificar e profissionalizar os vários agentes, avaliar permanentemente as condições e as performances, descontaminar os Postos de Comando de jornalistas e políticos, actualizar os meios tecnológicos de comunicação, que estão obsoletos.


 


Ou seja, transformar esta tragédia numa lição aprendida e usar o relatório para implementar as mudanças que se impõem. Foi exactamente isso que disse o Presidente, terminando com a frase que, repetidamente, se escreveu nos jornais como exigência ao governo, mas que é uma exigência a todos nós - já perdemos todos tempo demais.


 


Mas o Estado é o responsável pela Protecção Civil. Como tal, deve indemnizações às vítimas. Além disso este governo também foi responsável pela nomeação do Presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil que, obviamente, deve ser demitido.


 


Penso que a Ministra também deve demitir-se. Constança Urbano de Sousa sai muito fragilizada e, mesmo que a admire até pela coragem em ter ficado, sujeitando-se a ataques e vitupérios permanentes, ela é o rosto do governo nesta matéria. O que aconteceu foi demasiado grave para que não se assuma, ao mais alto nível, os custos dessa tragédia.


 


António Costa vai reflectir em Conselho de Ministros. Espero que da reflexão do governo resulte uma verdadeira reforma florestal, uma verdadeira reforma da estrutura da protecção civil, uma verdadeira revolução na forma como olhamos e usamos a floresta.

12 outubro 2017

Da Justiça

Ainda a propósito da acusação a José Sócrates, a justiça que esperamos de um sistema que defenda os cidadãos não tem aqui cabimento, como também não teve noutros casos.


 


A lentidão dos processos, o enxovalho público dos acusados e de todos os que, de uma forma ou de outra, com eles se cruzaram, o autêntico bulling a que estão sujeitos, são tudo o que de contrário é justo.

11 outubro 2017

Finalmente

Ao fim de 3 anos finalmente José Sócrates é acusado de 31 crimes. Vai poder defender-se no local próprio.


 


Este processo já ultrapassou todos os limites. Aguardemos se ainda há mais alguns para ultrapassar. De qualquer forma, foi dado um passo em frente.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...