11 julho 2017

Um dia como os outros (177)

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A ideia de que uma esquadra da polícia pode ser o local mais inseguro para um qualquer cidadão é aterradora, mas ainda se torna mais difícil de aceitar que um inquérito da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) tenha servido de nada para repor a justiça. (...)


(...) O uso ilegítimo da força por uma polícia é sempre condenável e esse crime é agravado se é cometido pelo ódio e discriminação racial em relação às vítimas. Não podemos dizer orgulhosamente que Portugal não é um país racista e aceitar que um caso como este se fique pelas meias-tintas da IGAI e pelo esquecimento dos políticos. Porque se trata de "terrorismo", a investigação foi feita pela UNCT, agora tem a palavra o Ministério Público e os tribunais. Faça-se justiça.


 


Paulo Baldaia

08 julho 2017

Da detonação retardada

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eurosondagem 2.pngEurosondagem - SIC


 


Esta sondagem continua a mostrar que as opiniões de quem foi interrogado, entre a Geringonça e a oposição de direita que temos, mantém a preferência no Governo e seus apoiantes. Mostra ainda que entre Passos Coelho e Assunção Cristas, António Costa continua a ser preferido e que o Presidente da República tém uma aprovação cada vez maior.


 


Mas não tenho dúvidas do que a gestão política a que temos assistido das situações de Pedrógão Grande e de Tancos fizeram e continuarão a fazer na credibilidade do governo. Espero bem que a Geringonça não se iluda. No dia em que a oposição for forte e credível (e a democracia assim o exige) e outros problemas surgirem, tudo isto vai ser somado.


 


A legislatura vai mais ou menos a meio. Há que estar muito atento e aprender com os erros. O arrastar de situações mal resolvidas, por muito interessantes que sejam os argumentos, será um desgaste a curto, médio e longo prazo.


 


Totalmente de acordo com o Coronel Rodrigo de Sousa e Castro (a partir dos 12:48 minutos).

03 julho 2017

Da gestão política

Se a morte de 64 pessoas num incêndio e o roubo daquela quantidade e qualidade de material militar não são razões para que os Ministros se demitam, tal como os responsáveis pelos organismos do estado envolvidos, não sei que graves acontecimentos as poderão justificar.


 


Não pela culpa dos Ministros, mas pela responsabilidade que têm pelos organismos que tutelam. Não se pode admitir que haja protestos de Oficiais, em franca demonstração de desrespeito e sentimento de desconfiança pela cadeia de comando.


 


António Costa tem demorado a agir e escuda-se em resultados de comissões de inquérito que hão de vir. Já passou demasiado tempo e já se sabem muitas coisas desencontradas, para além do espectáculo público do desnorte. Com qualquer outro governo teria acontecido o mesmo, não tenho dúvidas. Mas é este governo que temos. Quanto mais tempo esta situação se arrastar maior será o rombo na confiança e maior o desgaste do governo. A oposição encontrou a brecha que procurava. E já passou tempo demais.


 


Vale a pena ler a Fernanda Câncio.

01 julho 2017

Um dia como os outros (176)

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(...) Hoje reclamamos que é preciso fazer cumprir a lei, mas ainda ontem fomos tolerantes com os mais variados incumprimentos, desde o fogo-de-artifício em tudo o que é festa, sobretudo durante o verão, à manutenção de perímetros de segurança nas estradas e zonas residenciais. Cumprir e fazer cumprir as leis não respeita apenas ao Estado, ao governo ou às instituições públicas. Diz respeito a todos. Neste domínio, como em muitos outros, seja no código da estrada, na escolaridade obrigatória, nos planos de vacinação, no pagamento de impostos... Cumprir e fazer cumprir a lei exige, para além da fiscalização e controlo, mecanismos de monitorização, de acompanhamento e de informação em todas as áreas da governação. Sem isso não poderemos sequer conhecer a medida do incumprimento. (...)


 


(...) Hoje reclamamos a falta de recursos e meios. Ontem clamávamos contra a dimensão excessiva do Estado, fazendo pressão para a diminuição do emprego público, para a extinção e fusão de organismos públicos, para a diminuição das funções e responsabilidades, que tiveram, e continuam a ter como efeito, em grande parte das instituições públicas, a degradação das condições de exercício das suas funções. Somos hoje mais exigentes com a segurança e mais intolerantes ao risco, mais exigentes com os serviços públicos que nos são prestados pelo Estado e mais intolerantes com os erros, falhas e omissões. Porém, nem sempre estamos disponíveis para fazer, de forma persistente, os investimentos necessários na prevenção dos riscos e na qualidade dos serviços públicos. Esquecemos, com muito facilidade, que ter contas públicas equilibradas implica fazer escolhas que têm necessariamente consequências, muitas vezes diferidas no tempo. (...)


 


(...) Estamos hoje a debater e a refletir sobre as causas do dramático acidente de Pedrógão Grande. Não estaremos nunca preparados para cenários de catástrofe. Contudo, em abstrato, não é absurdo pensar que podíamos estar hoje a discutir as causas de um grave acidente de aviação sobre a cidade de Lisboa, com enormes prejuízos materiais e centenas de mortos. A centralidade do aeroporto e a intensidade de tráfego que hoje se regista constituem certamente risco sério. Mas já esquecemos o debate, as hesitações e a incapacidade coletiva de decisão sobre o investimento necessário para um novo aeroporto. (...)


 


Maria de Lurdes Rodrigues

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...