13 junho 2016

Orlando - crime de ódio

O atentado a uma discoteca em Orlando foi um atentado especificamente dirigido à comunidade LGBT, como é óbvio. Tentar iludr essa questão é não perceber nada do que significa a liberdae, no seu mais puro sentido. Owen Jones fez muito bem em abandonar o programa.


 


12 junho 2016

E se fosse eu?

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BBC news


 


 


Como responderia? Quereria ficar dentro ou fora da União Europeia?


 


Como podemos não perceber que vamos prescindindo cada vez mais da nossa autonomia e da nossa liberdade em nome de algo mais importante, melhor e mais abrangente, mas que se tem traduzido na abdicação de princípios de igualdade entre Estados Soberanos, de valores de solidariedade entre povos e pessoas, da capacidade real de opções por modelos sociais e económicos, enfim, da democracia?


 


O medo e a angústia do que acontecerá caso a União Europeia se desmorone, a começar pelo Brexit, leva-nos a dizer que, por muito mal que tudo esteja, estaremos melhor dentro da União Europeia. Mas será mesmo assim? Será mesmo que não há alternativa ao empobrecimento e à obediência ao poder dos directórios das finanças de alguns países europeus, que fizeram do projecto europeu um projecto de poder hegemónico na Europa?


 


Não terá sido por causa deste medo e desta angústia que os países europeus foram protelando o não à Alemanha nazi, para que não se corressem riscos bélicos e que ninguém queria acreditar possíveis? E será que é assim tão diferente o êxodo a que assistimos agora, dos países que sofrem o terrorismo,a guerra, a pobreza, a desesperança, da fuga dos judeus, dos comunistas, dos espanhóis durante a guerra civil? E será assim tão diferente a indiferença perante tudo o que está a acontecer?


 


É que os responsáveis pelas catástrofes não são apenas aqueles que as desencadeiam, mas também os que como eu, silenciosa e prudentemente, aguardam temerosos que algum milagre aconteça, sem que dêem um passo mais arriscado.


 


E se fossemos nós? Como responderíamos a um hipotético referendo sobre a nossa permanência na União Europeia?

... não podemos ignorar

Como a direita mascarou o desemprego em Portugal


 



 


Para ver com atenção, mesmo até ao fm.

Passeio

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Tangram


 


 


Com o passeio enrolado nas pernas empedradas já cansadas


assim se resumem os poetas nas suas vidas normalizadas e quietas.


Penteiam as máscaras terrosas arrumadas nos fundos das gavetas ou na cadeira do canto


rodam devagar os rostos para se verem nos espelhos do carro


e suspiram perante as curvas que percorreram pelo destino


marcadas pelo punho do tempo em palavras que não se dizem mas que crescem


como as raízes que esticam e ulceram a plenitude.

22 maio 2016

De "A verdade"

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Expresso


 


Assisti com assombro aos fragmentos disponíveis no YouTube da audição de Sérgio Figueiredo, na  Comissão Parlamentar de Inquérito ao processo que conduziu à venda e resolução do Banco Internacional do Funchal (BANIF).


 


Sérgio Figueiredo, embora visivelmente atrapalhado e pouco à vontade, não parece ter tido um rebate de consciência em relação às notícias enviesadas que a TVI produziu, em rodapé, exclamando indignado, perante os deputados que lhe apontavam a irresponsabilidade de divulgar uma notícia sem cruzar e confrontar fontes (e cuja consequência foi a rápida deterioração do banco e terá mesmo contribuído para o desfecho que se conhece), que o compromisso dele era com A verdade.


 


Em primeiro lugar, a verdade de Sérgio Figueiredo foi uma interpretação sua de factos que não teve o cuidado de confirmar com as instituições responsáveis, nomeadamente o próprio BANIF e o Banco de Portugal. Em segundo lugar, como é possível que, em termos éticos, Sérgio de Figueiredo não se questione sobre a gravidade e as consequências das verdades, para ele absolutas e mais importantes que o pânico que gerou, e os incontáveis prejuízos que a seguir se verificaram e ainda se hão-de verificar?


 


Não defendo que se omitam ou escondam problemas, por muito graves que sejam, nem que se enganem os cidadãos com a desculpa da segurança. Mas para quem tanto se reclama da importância da auto-regulação, não faz ideia do que isso é. Chega a ser assustador olhar para o semblante iluminado de Sérgio Figueiredo a falar de A verdade, como se isso fosse matemática pura. A verdade de Sérgio Figueiredo, animada pelas suas escolhas políticas e pelos seus preconceitos ideológicos será certamente diferente da verdade de qualquer outro jornalista, com opções opostas e com práticas semelhantes.


 


Estes profetas da verdade (deles) esquecem-se da responsabilidade que é tanto maior quanto mais graves e importantes forem as informações de que disponham. Como pode Sérgio Figueiredo, tantos dias depois do que se passou, não ter percebido que o que fez foi errado, contra tudo o que é bom senso e contra as boas práticas da sua profissão, assumindo-se como um heróico cavaleiro?


 


Independentemente das responsabilidades que terão certamente outros actores neste processo, nomeadamente o anterior governo e os supervisores da Troika, Sérgio Figueiredo, consciente ou inconscientemente, foi instrumento de interesses que nós desconhecemos. Para quem tanto gosta de julgar políticos, com a capa da imparcialidade e da competência, mostrou bem que não tem uma nem outra. Infelizmente não é só ele.


 


Nota: a propósito do jornalismo em crise vale a pena ler Leonel Moura.

12 maio 2016

Da dignidade

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Tenho-me abstido o mais que posso de comentar tudo o que diz respeito a José Sócrates e à envolvente da Operação Marquês.


 


Por isso mesmo vou assistindo forçadamente calada às manchetes dos pseudo-jornais e dos pseudo-canais televisivos, em que se declamam fragmentos de escutas telefónicas, mensagens de telemóveis trocadas entre as pessoas que conviviam com o ex Primeiro-ministro, com o objectivo de manter acesa a curiosidade da população, que quanto mais espreitar para dentro da intimidade das figuras públicas mais se sente igual a elas.


 


Continuo a aguardar que a Justiça faça o seu papel, acusando e julgando José Sócrates, cuja vida já está arruinada, tenha ou não culpa, tal como a vida dos seus familiares e amigos, tenham ou não cumplicidade nas suas eventuais malfeitorias.


 


Independentemente do julgamento da sua acção política, não há ninguém que possa afirmar hoje em dia, eu incluída, que não tenha dúvidas crescentes quanto à boa-fé de Sócrates, pois o que tem vindo a público pelas suas próprias palavras é, no mínimo, muito estranho e duvidoso. E aceitar que uma pessoa em quem confiámos a responsabilidade de nos governar nos usou e ludibriou é muito difícil, principalmente para a imagem que temos de nós próprios – como é possível termos sido assim enganados?


 


Fernanda Câncio foi apanhada nesta voragem. Não goza das simpatias de muita imprensa e de muita gente por inúmeros motivos: pela sua personalidade, pela sua forma de fazer jornalismo de causas, tantas vezes truculenta e totalmente engajada, mas principalmente porque foi namorada de José Sócrates e não há nada como a devassa das relações amorosas, associadas a eventuais crimes de colarinho branco de políticos, para manter acesa a chama do voyerismo. E além disso há muito quem justifique o prazer que retira com a queda em desgraça dos poderosos com o dito popular (tal como o da seriedade da mulher de César, que serve a tantos e tantas vezes é dito) - quem com ferro mata com ferro morre. Mas não deixo de admirar a sua força e a sua determinação em lutar por aquilo que acredita estar certo. Quem tem opiniões está sempre sujeito a crítica e Fernanda Câncio nunca escolheu o conforto de não se pronunciar.


 


Foi por isso com algum pudor que li o texto que publicou na Visão. Um texto de quem não vê outra alternativa se não expor-se, revelando pormenores da vida privada que sempre manteve a recato da praça pública. Infelizmente tenho sérias dúvidas de que este testemunho altere as opiniões já formadas a seu respeito. Ninguém gosta de se ver ao espelho e de perceber que não é presciente e que a sua confiança nos outros foi traída. É muito mais fácil concluir que os poderosos são vilãos e corruptos e que se acompanham de gente igual, e que quem rodeia os poderosos só o faz para se aproveitar deles. Mas, como ela própria diz, o mais importante é não perder a identidade e o respeito por si própria. Sempre lhe admirei a coragem e a determinação apesar do desacordo com muitas das suas posições.


 


À Fernanda Câncio, e a todos os que prezam a sua privacidade e o respeito pela sua dignidade, a minha total solidariedade.

11 maio 2016

Um dia como os outros (167)

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(...) De qualquer forma, os factos falam por si, basta ir ler os estatutos de alguns colégios com contratos de associação. Um caso engraçado é o do Colégio Rainha Santa Isabel (CRSI), em Coimbra, a menos de 2 kms de excelentes escolas públicas, como a Escola Secundária de Dona Maria ou a Avelar Brotero. Como “visão educativa” a CRSI tem “somente em vista a glória de Deus e a salvação do mundo” e quer que “todas as nossas acções tendam para este nobre fim”. No item da acção educativa diz que quer viver “em bom entendimento, formando um só coração e uma só alma, pertencendo totalmente a Deus.” Diz ainda que “como escola católica que é, todas as turmas do CRSI iniciam o seu dia fazendo oração comum ou comunitária, pensada e adaptada para cada faixa etária, iniciando o nosso dia com a bênção e o encontro com Jesus Cristo.” A 350 metros está o Colégio São Teotónio, também com contrato de associação, que na sua página diz que o “objetivo do Colégio de São Teotónio enquanto Escola Católica é educar a partir dos referenciais do humanismo cristão”. Nada contra. Mas com o dinheiro dos contribuintes dum Estado laico, não. Aliás, tenho a certeza absoluta de que se uma escola islâmica com estas características fosse financiada com os nossos impostos, grande parte da direita se atirava ao ar. E muito bem, eu também me atiraria. (...)


 


Luís Aguiar Conraria

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...