05 outubro 2014

Hoje, como então


 


Hoje, como então, é da varanda da Câmara Municipal de Lisboa que se corporiza a esperança. Da solenidade dos discursos retiraremos apenas a linguagem secreta e universal dos olhares, comodidades e incomodidades de postura e sorrisos.


 


Hoje, como então, esperamos recomeços e continuidade - na liberdade, na democracia e na solidariedade de uma vida em comunidade.

04 outubro 2014

Dias despidos


Eyes as big as plates


Agnes 1



Eyes as big as plates


Agnes 2


Riitta Ikonen & Karoline HJorth


 


Ainda está bom tempo e os fins-de-semana são aproveitados para passear. De certa maneira fazemos voltas semelhantes, pois vamo-nos prendendo a hábitos, mesmo os hábitos do lazer: o café de manhã, o jornal que se folheia, a tv aberta em programas tontos, as ruas cheias de gente, o vagar das livrarias, os restaurantes ainda vazios à uma da tarde.


 


Passamos por muita gente velha, que atravessa a rua lentamente, sem olhar nem se assustar, curvados para o chão ou buscando o horizonte enevoado atrás dos óculos, com bengalas que não usam e eternos saquinhos de plástico com misteriosos conteúdos, outros com sandálias e calções, ipads assestados à paisagem urbana, não sei bem se gostam ou se apenas cumprem um ritual.


 


Vejo-me daqui a uns anos, igual em vagar e alheamento. No entretanto vou gozando os dias abertos e despidos de afazeres, tão poucos que se escoam rapidamente entre os dedos.

Porque sim


Calvin & Hobbes

Da conglomeração da esquerda

 


António Costa precisa de aglomerar a esquerda. A sua presença no I Congresso do Livre é um bom sinal. E os seus opositores estão muito preocupados. O BE esfrangalha-se e o PCP teme o voto útil. Quanto a Marinho e Pinto talvez tenha subestimado a tolerância dos ses compatriotas. Havendo quem mobilize os votos com esperança na mudança, deixam de fazer sentido os vendedores de ilusões e semeadores de virtudes.


 


Agora António Costa e o PS têm que se voltar para o seu verdadeiro opositor - este governo e a sua base política. É urgente que se construa uma alternativa com uma sólida e alargada base de apoio. É urgente discutir a crise, a Europa, a dívida, os serviços públicos, a solidariedade, o desemprego, o investimento, a sociedade digna e decente em que queremos viver.

29 setembro 2014

Novo ciclo

Não é demais lembrar a forma como foram implementadas as chamadas primárias no PS – foi um expediente que António José Seguro usou para ganhar tempo e tentar arrastar a disputa pela liderança. Não só não concordava com a abertura da votação aos simpatizantes como não pensou nas implicações de uma tal decisão.


 


António Costa aceitou o repto até porque não havia outra solução. Mas parece-me que todo este assunto deveria ser repensado, pois há muitas pontas soltas e incongruências – a maior delas o facto de António Costa não ter existência em nenhum cargo formal no partido, visto que não existe a figura de candidato a Primeiro-ministro. Hipoteticamente é possível que o candidato derrotado se apresente às directas, o que não faz sentido. Portanto ouvirmos António José Seguro ufanar-se da brilhante e histórica ideia que teve é uma mistificação.


 


Independentemente de tudo isso, ontem começou um novo ciclo político. Está na altura de congregarmos ideias e esforços para vencer a crise, a crise de ânimo, de energia, de mobilização e de princípios. É altura de renovarmos o contrato de solidariedade entre todos os cidadãos, de relembrarmos o que de essencial é preciso preservar na vida comunitária.


 


Não deixa de ser interessante ouvir os comentadores criticarem António Costa por não se ter referido a António José Seguro, no seu discurso de vitória. António Costa disse que não havia derrotas e que a vitória era de todos. Se tivesse cumprimentado o seu adversário não faltariam quem o acusasse de hipocrisia, aliás com toda a razão.


 


Entretanto Jerónimo de Sousa continua igual a si próprio ao classificar as primárias do PS como uma farsa. Por aí não há novidades.

28 setembro 2014

Este cravo é nosso


 


Estas eleições primárias só têm um vencedor: o PS.


Não foram a derrota de ninguém, mas de todos os militantes e simpatizantes do PS.


Este é o primeiro dia de uma nova maioria de governo. É o primeiro dos últimos dias do actual governo.


 Observador

Haja esperança.

António José Seguro cumpriu o que prometeu e fez um bom discurso. Ainda bem. Fechou-se um capítulo.


 


O próximo Primeiro-ministro será António Costa.


 


Haja esperança. Vamos mudar!

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...