10 agosto 2014

És o émulo sem rivAAaal do Dr. Câmara Pestana...


a partir do minuto 1:47

 


Foram dias de grande ansiedade e trabalheira – organizar um evento científico abrilhantado por alguém como o Professor, era uma subida honra e significava um estado de nervos acrescido e permanente.


 


A logística e a campanha para que o evento fosse um êxito, não só científico mas também um agradável e animado convívio entre os mais novos e os mais velhos (entre os quais já se contava), a somar ao facto de ser o primeiro sob a sua responsabilidade, garantiam insónias.


 


O dia iniciou bastante cedo, com a incumbência de transportar o Professor, nada de atrasos, chegada de estadão e início protocolar, rapidamente se iniciaram as conferências, as discussões, as exposições e as pausas para café e almoço voaram sem que quase desse por elas.


 


Estavam já a explicar-se as razões dos últimos intervenientes, preparava-se para a oferta do mimo final, em agradecimento e carinho (e bem podia inchar de orgulho e satisfação por aquele dia, corrido de feição, sem paragens nem atropelos, com a audiência interessada e participante), quando vibra no bolso o telemóvel silencioso. O que seria, àquela hora? Um estremecimento de premonição de desgraça percorreu o seu espírito.


 


Era um sms – em letras gordas, pode ler a voz que naquela mensagem cantava:


 


És o émulo sem rivAAaal do Dr. Câmara Pestana...

The Emperor of all Maladies - A Biography of Cancer


 


Nunca percebi muito bem os critérios para as edições de obras cuja língua original não é o português.


 


The Emperor ao all Maladies - A Biography of Cancer - um presente que me deram há uns meses. É um livro escrito por Siddhartha Mukherjeeum Médico Oncologista com especial interesse em Hematoncologia, nacionalidade americana mas nascido na Índia. Pelo que pude ver, a ideia do livro surgiu após um dos seus doentes lhe dizer que gostaria de perceber o inimigo contra o qual lutava.


 


Este livro ganhou inúmeros prémios e chegou à shortlist de muitos outros. Está muitíssimo bem escrito e traça, de uma forma empática e humana, a história do cancro desde os Egípcios até aos nossos dias - os diagnósticos, os sofrimentos pessoais e sociais, os radicalismos das terapêuticas, a ideia da doença sistémica, as causas, as investigações, as prevenções primárias e secundárias, as terapêuticas alvo, os genes. E tudo de uma forma simples e rigorosa, como uma história épica com vítimas e heróis, grandes entusiasmos e grandes desilusões.


 


Já há muito tempo que não leio um livro tão interessante e tão importante. E fiquei a saber, para além de muitas outras coisas, que Sidney Farber, um Patologista pediátrico, foi o primeiro médico a tratar um cancro com drogas, dando início à quimioterapia - os antifolatos para a leucemia linfoblástica aguda das crianças.


 


Nota: As minhas desculpas pela ignorância (que sempre foi muito atrevida). Segundo informações de um comentador, que a si próprio se apelida de Indivíduo, fiquei a saber que há uma tradução portuguesa publicada pela Bertrand. Aqui fica o linkO Imperador de Todos os Males, para quem estiver interessado. Mantenho, no entanto, o meu desentendimento quanto aos critérios editoriais (traduções) em Portugal. Pelos vistos, este não foi um bom exemplo.

Boléro


Boléro - Maurice Ravel




Dos especialistas


 


Nestes dias, meses anos de grande confusão, em Portugal, ma Europa e no mundo, confesso-me cada vez menos especialista e cada vez mais consciente de que o que sabemos é apenas o que julgamos saber. Confesso-me ignorante no que diz respeito ao conflito Israelo-palestiniano, ao do Iraque, da Líbia e da Síria, dos separatismos ibéricos e da ex-URSS, das crises do sector financeiro, do BCE, do BP, do BES, do GES e da decisão de dividir o banco em bom e mau.


 


Ao contrário da enorme quantidade de especialistas que debitam palavras, audíveis e/ou legíveis, sobre todos os problemas do mundo, da queda dos aviões e dos seus desaparecimentos até ao aquecimento global e à epidemia do Ébola, a falta de confiança nas informações que se recebem e naqueles que as transmitem é tal que, se ouço que vai estar de chuva tiro o fato de banho do armário.


 


Marcelo Rebelo de Sousa não pertence ao grupo dos ignorantes: fala rápida e assertivamente sobre tudo. António josé Seguro fala lenta e assertivamente sobre nada. Estilos bem diferentes mas semelhantes para o ruído que paira sobre a nossa sociedade.


 


As sondagens sucedem-se e as evidências sobre o governo e a oposição continuam a aparecer. Não tenho receio de partidos que se dividem e de novos partidos que apareçam. Só tenho medo da total inércia e desinteresse da população pela causa pública. Não são só os partidos políticos que não respondem aos anseios dos cidadãos, são todas as suas organizações representativas que estão em colapso: partidos, associações patronais, sindicatos, ordens profissionais, igreja, justiça, informação, tudo se desmorona e se mostra pouco eficaz e pejado de processos e protagonistas duvidosos.


 


Somos mesmo assim. De tantas raivas e fogos fátuos, sem consistência, mergulhamos no imediato do momento, subservientes com os poderosos, cruéis quando caem do pedestal que lhes fazemos.

03 agosto 2014

A partir das 22:30h

Do arremedo democrático

A condução política dos assuntos mais sérios e delicados do país deixaram de ser da responsabilidade do governo, pois este demite-se de cumprir o mandato para o qual foi eleito. Só assim se pode compreender que seja o Governador do Banco de Portugal a apresentar a solução para o BES.


 


Há muitas semelhanças entre o BPN e o BES mas também há algumas diferenças. Uma das mais importantes é termos tido um governo à altura dos problemas que se nos colocavam - e essa é uma diferença determinante para uma sociedade que ainda se crê democrática.

Violação dos direitos humanos

O conflito Israelo-Palestiniano é de uma enorme complexidade. Basta tentarmos informar-nos do que se passou ao longo dos vários séculos, ou mesmo milénios, da história do povo judeu e daquela área do globo, para nos apercebermos das inúmeras razões de parte a parte e dos extremismos de todos os lados.


 


Independentemente dos motivos e das razões que a tantos assistem, nada pode justificar a sistemática violação dos direitos humanos por parte de Israel ao bombardear agrupamentos de cidadãos que estão sobre a protecção da ONU.


 


Em qualquer guerra e nesta em particular não há inocentes. Mas são sempre os inocentes que sofrem as consequências deste descalabro humanitário.


 


Nota: Há um dossier muito interessante sobre Israel e a Palestina no Observador, que vale a pena ler.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...