Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
07 setembro 2013
A derrota da crise (13)
Do condicionamento da vontade popular
É bom ter à volta gente com quem se conversa e se discutem ideias. Isto a propósito da lei da limitação dos mandatos autárquicos.
Já aqui me referi a esta trapalhada e ao facto de ser incompreensível haver uma lei que tem que ser clarificada pelo Tribunal Constitucional, pois a interpretação é dúbia tendo os deputados recusado o seu esclarecimento.
A minha interpretação do espírito da lei, tal como me parece ter sido ventilado por todos os actores políticos, era que, a bem da democracia, deveria ser impossível a eternização no poder de determinadas pessoas, pois facilitavam a formação de compadrios e tráfico de influências, numa corrupção encapotada e de difícil controlo. Nesse sentido uma lei que limitasse o número de mandatos seria benéfica para a saúde democrática e para a credibilização da política e dos políticos.
Só que aquilo que a lei acabou por limitar foi a eternização num determinado local, não de uma determinada função. Ou seja, os partidos, se é que o fizeram com esse objectivo e não por incompetência e iliteracia, ludibriaram os eleitores ao darem a entender uma intenção que não tencionavam cumprir (com excepção do PCP).
Mas será que esta limitação é mesmo uma medida democrática? É que, tal como me foi apontado com acerto, esta é uma medida de contornos eminentemente antidemocráticos visto que obriga a uma renovação de representantes à revelia da vontade popular. Ou seja, se o povo quiser eleger alguém, mesmo que por 30 anos seguidos, a vontade popular deveria ser acatada, porque ela é soberana.
O facto dos partidos políticos não conseguirem renovar as suas lideranças e os seus protagonistas é motivo de preocupação, claro, mas terão que ser os mesmos partidos, dentro das suas estruturas, a alterar procedimentos. Conduzir o voto do povo, mesmo que a razão pareça nobre e enriquecedora, nunca deixa de ser uma forma de condescendência de cariz totalitário. É aos eleitores que cabe, em última instância, a decisão de apear qualquer representante das suas funções políticas.
Penso que esta é uma discussão que vale a pena ter. Na nossa sociedade são imensas as tentações totalitárias de condicionar comportamentos e costumes. O combate à corrupção tem a ver com uma justiça a funcionar e com transparência, o que pressupõe leis perceptíveis e aplicadas com toda a celeridade. Ceder ao politicamente correcto, à demagogia e ao populismo tem sempre custos, mesmo que não nos apercebamos deles no imediato.
04 setembro 2013
Evitar e combater a cegueira
A Fundação Champalimaud premiou, este ano, quatro ONG que actuam no Nepal, informando as populações, formando médicos, operando doentes, numa intervenção sanitária, social e humanitária.
As cataratas são uma das afecções que mais contribuem para a enorme prevalência da cegueira no Nepal. É uma doença que se trata com uma cirurgia pouco complicada. O tracoma, uma infecção crónica causada por uma bactéria (Chlamydia trachomatis), que se pode tratar com higiene e antibióticos, é a 2ª causa de cegueira no Nepal.
Estas duas doenças são uma tragédia social naquele país e em muitos outros. Este prémio significa mais intervenção da parte de organizações que estão a contribuir para que milhões de pessoas tenham uma vida um pouco melhor.
01 setembro 2013
Vergonha
Já alguém perguntou aos mais de 900 mil desempregados do que lhes valeu a Constituição?
Este governo é mesmo perigoso. Não me espanta - envergonha-me.
29 agosto 2013
Notas dispersas
Vemos, ouvimos e lemos coisas de espantar, algumas dramáticas.
- As mortes dos bombeiros nos combates aos incêndios - é tempo de nos solidarizarmos com as famílias e os companheiros, de agarrar forças onde não as há e ajudar as populações. Terá que haver, no entanto, uma reflexão sobre o que se tem passado - onde está a prevenção? A formação é a adequada? Profissionalismo ou amadorismo? É indispensável que se façam balanços e se perceba bem o que deve ser feito para que não se repitam estes horrores.
- As inacreditáveis trapalhadas à volta da reorganização das urgências nocturnas na área metropolitana de Lisboa, com afirmações contraditórias, com todos os protagonistas a esgrimirem argumentos na praça pública lançando toda a população em grande confusão, sem saber o que se passa e como vai ser atendida. Também se ouviu esta semana o Bastonário da Ordem dos Médicos pronunciar-se sobre a triagem de Manchester nas urgências hospitalares, levantando a suspeita de falta de segurança dos doentes ao serem atendidos por profissionais menos qualificados do que deveriam. Onde estão os estudos de comparação entre as triagens e classificações de prioridades dos Enfermeiros e dos Médicos, desde a implementação do protocolo em Portugal?
- Os EUA preparam-se para invadir a Síria - sem o aval do Conselho de Segurança? E os gaseamentos de milhares de pessoas? São assuntos só deles? E a Europa, não tem nada a dizer? Fernanda Câncio tem razão - é tão fácil perorarmos sobre os nossos códigos de moralidade sem termos que decidir o que fazer.
- As eleições autárquicas preparam-se sob a indiferença e o encolher de ombros generalizados - a vergonha da lei de limitação de mandatos a ser resolvida em tribunais, a espera pelo Tribunal Constitucional, que depois é acusado de imobilista e conservador, como estou agora a ouvir alguém do PSD a defender, na SICN, em frente a Gabriela Canavilhas, enfim, o alheamento da sociedade dos rituais e dos formalismos da democracia - um julgá-la-á dispensável.
O melhor é voltar à Rádio Comercial.
18 agosto 2013
Da vida das Dondocas (3)
Nesta altura já estava bastante inclinada a deixar o peru para outras núpcias, mas a gula foi mais forte que a canseira.
- Fui colocando o peru no wok, utensílio maravilhoso que descobri há pouco tempo, sem qualquer gordura, só assim, e deixei fritar o peru, mexendo sempre, reservando numa tigela, à medida que estava pronto.
- Deitei a marinada que sobrava e o molho acumulado no wok, para fervilhar um pouco
- e estava despachado.
- Fiz arroz branco
- e salada de alface para acompanhar.
Chegava a hora de jantar e eu estava mais ou menos exausta, mas com muita vontade de experimentar as iguarias – fan-tás-tic-as.
Claro que todas estas actividades culinárias foram intervaladas com colagens, envelopes, carimbos e moradas, pilhas de louça para lavar e bodeguice para limpar. Penso que o próximo fim-de-semana será ocupado a jejuar, porque muitos iguais a este farão despertar a irrevogabilidade da decisão de me converter à religião da inactividade – para meditar, claro.
Fim
A mudez perante o indizível
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...
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Um dos grandes motivos de burnout dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é a luta diária com os sistemas informáticos, plata...
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Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...