18 agosto 2013

Da vida das dondocas (2)

 



 


Pois foi hoje:


 


Logo de manhã (lá para as 10 e meia, onze), para ficar mais de 3 horas no frio:



  • Fiz 6 chávenas de café

  • e misturei com 2 cálices de vinho do Porto tinto.

  • Separei 5 gemas das respectivas 5 claras,

  • bati as gemas com 50g de açúcar, durante bastante tempo, até ficar um creme esbranquiçado,

  • depois juntei-lhe o mascarpone aos bocadinhos, batendo sempre, devagarinho, até ficar tudo bem homogéneo.

  • A seguir bati as claras em castelo bem firme

  • e juntei-lhe 150g de açúcar, batendo sempre, até ficarem brancas, firmes  sedosas.

  • Incorporei, aos bocados, as claras no creme de mascarpone (com o rapa-tachos), até ficar tudo uma só massa

  • (provei o creme que estava uma delícia).

  • Embebi os palitos de la reine no café com Porto (ficaram um pouco molhados de mais, quase que se desfaziam),

  • coloquei-os, lado a lado, no fundo de um tabuleiro (12),

  • cobri-os com uma camada de creme,

  • outra fila de palitos de la reine embebidos em café (com Porto),

  • outra camada de creme

  • e, finalmente, cacau em pó a polvilhar.

  • Foi para o frigorífico de onde só saiu para ser comido.


As (2) postas de bacalhau esperava por mim. Lá teve que ser:



  • Retirei-lhe a pele e as espinhas e desfiei-o,

  • parti uma cebola às rodelas finas,

  • 3 dentes de alho, aos quais dei uma pancada para os esmagar levemente,

  • folhas de louro

  • e azeite num tacho, até ficar tudo mole.

  • Lavei e escaldei uns espinafres que lá tinha e juntei-os ao refogado

  • temperei com sal e pimenta;

  • depois de reduzir o líquido foi a vez do bacalhau desfiado

  • seguido de 2 ovos cozidos aos bocados.

  • Deixei apurar um pouco,

  • e pronto.


(continua)

Da vida das Dondocas (1)

 



 


No epílogo de um dia fim-de-semana em grande azáfama, como uma assumida e orgulhosa Dondoca deve ter (depois de ver a definição não me parece que se me aplique...), e depois de me debruçar sobre o inigualável mundo da vida de Lorenzo Carvalho, estendo as pernas para me inteirar das novidades agora publicitadas sobre a misteriosa morte da Princesa do Povo, vindas à luz pelas mãos (ou voz?) dos sogros de um militar britânico – os ínvios caminhos da verdade na vida dos famosos.


 


Dediquei, portanto, o fim-de-semana a tarefas burocráticas que tenho que cumprir (na minha faceta de secretária), a fazer as compras da semana, a cozinhar e a encher e esvaziar a máquina de lavar louça.


 


O empadão de carne com puré de legumes, apesar de visualmente pouco apelativo (enfim, estou a ser bastante suave, porque a cor castanha esverdeada não era nada convidativa), estava uma especialidade – a melhor maneira que inventei para despachar uma jardineira de carne que se eternizava no frigorífico e um resto de guisado de legumes, que nunca mais libertava o tacho:



  • carne e rodelas de chouriço a moer, com um pouco de leite, por um lado,

  • ervilhas, cenoura e guisado de legumes a moer por outro,

  • camada de puré de legumes, camada de carne moída, queijo mozarela ralado

  • camadas repetidas pela mesma ordem

  • e forno…

  • comeu-se quase tudo,

  • com gosto.


Isto foi ontem. Ainda preparei o prato que queria fazer para hoje à noite: peru marinado em iogurte e especiarias, ideia do MasterChef Australia (sim, eu não sou assim tão imaginativa):



  • bifes de peru (1 kg) cortados à tirinhas

  • numa grande taça (comigo as taças, tachos, etc., são sempre grandes) com 6 iogurtes naturais (magro, marca continente),

  • com as especiarias que encontrei – açafrão, caril, cominhos, alho e sal (não sei precisar as quantidades),

  • tudo dentro do frigorífico, para ganhar sabor.


Além disso tinha cozido umas postas de bacalhau, um bocado escangalhadas, para o jantar, mas como comemos o empadão, ficaram para hoje. Os iogurtes de cacau também ficaram na iogurteira, para a semana que vem.


 


Hoje de manhã, o tiramissú, sobremesa que ambicionava experimentar já há algum tempo mas que, primeiro porque não encontrava o queijo mascarpone (há no continente, em embalagens de 250g, na zona dos queijos), depois porque não sabia onde comprar os palitos de la reine (também no continente, junto à s bolachas), finalmente porque ainda não tinha procurado a receita (basta procurar no google), estava adiada para melhores dias.


 


(continua)


 

Dos excessos

 


Excessiva é a atenção que estamos a dar (este post é um exemplo) a uma entrevista que, como muitas outras, foi mal conduzida e revelou uma entrevistadora com falta de respeito pelos entrevistados de quem ela não gosta. Uns por motivos políticos, outros por provincianismo, preconceito, populismo e inveja.


 


Quantos cidadãos portugueses que auferem somas astronómicas neste país pobre, em crise e com desigualdades galopantes, futebolistas, empresários, administradores de grandes empresas, banqueiros, etc., que enchem a boca com os sacrifícios que os portugueses devem sofrer, sem fazerem ideia do que é viver com o que receitam, Judite de Sousa teve oportunidade de interpelar sobre a solidariedade e a obrigatoriedade da modéstia?


 


E se Judite de Sousa se entrevistasse a si própria, com o mesmo vigor que usou para Lorenzo Carvalho (de quem não sabia da existência até agora, e que foi magnânimo na resposta)?


 


Excessiva a incompetência, excessiva a falta de assunto.


 


Nota: Honra lhe seja feita.

Sob o signo da desigualdade

 


As várias decisões dos Magistrados sobre as candidaturas autárquicas mostra bem como os partidos políticos tudo fazem para a crescente judicialização da política. Além do imbróglio legal, que só terminará depois da intervenção do Tribunal Constitucional, em cima da data das eleições, a redacção da lei dá razão a quem se pronuncia sobre a iliteracia dos deputados, ou a consciente subversão do espírito da mesma - evitar que haja pessoas a eternizar-se no poder.


 


E depois muito se argumenta a propósito da descredibilização dos políticos.

17 agosto 2013

Dos rasgões na bolha

 


está. Estas bolhas de algodão têm rasgões que nos obrigam a contemplar os nichos do inferno, por muito que nos digam que não existe.


 


Passos Coelho e a maioria que nos governam podem avançar sem medo para todos os cortes que lhes apetecer. As notícias da redução da percentagem do desemprego e do crescimento económico, por conjunturais que sejam, alimentam o discurso de que, afinal, eles estão certos e os outros - leia-a a oposição - estão errados. Ou seja, vão continuar, embandeirando de peito feito as tão extraordinárias reformas estruturais, que ninguém percebe mas que resultam. Que se cuide o Tribunal Constitucional, que é um empecilho para as gloriosas medidas que nos vão salvar, quer queiramos quer não.


 


Como o PS não sabe o que fazer, não tem ideias e não consegue explicar que, embora estas notícias sejam positivas, nada no discurso governamental o é, o PSD arrisca-se a ter, nas autárquicas, uma derrota a saber a vitória, enquanto o PS terá uma vitória completamente desastrosa.


 


O que esperam os militantes do PS para substituir António José Seguro?


 

Dos sentimentos de uma burguesa

 



Beryl Cook


 


Há algumas semanas decidi mudar da TSF para a Rádio Comercial ao despertar, ver o mínimo possível de notícias, evitar ler jornais e, sobretudo, mudar o canal de tv quando aparecem os comentadores. Pareceu-me uma boa forma de me sentir em férias e de perceber como há um país que, apesar das dificuldades, consegue viver. As pessoas respiram e dormem, comem, melhor ou pior, casam-se, nascem e morrem, baptizam-se, apanham transportes, próprio ou públicos, oferecem-se prendas e carinho, riem-se bastante, vão à praia, enfim, apesar da crise, a vida continua.


 


Na continuidade deste espírito nada revolucionário descobri, ou melhor confirmei, a minha natureza irremediavelmente burguesa. Tudo em mim respira vontade de vida estável, poucos sobressaltos, casa limpa e arrumada, cozinha de conforto, como agora é moda dizer-se, feita pelo chef privativo, muito sossego, boa música, bons filmes, se possível brandos e bem dispostos, livros calmos, que disponham bem e que distraiam.


 


Até quando vou ao restaurante (a qualquer um, diga-se em abono da verdade, a única coisa que me importa é comer bem e a preços módicos), a minha natureza pouco tolerante vem rapidamente à superfície. Faz-me confusão a profusão de chinelas, havaianas ou outras, os calções de algodão mole amassados e esfiapados, as t-shirts de ginástica ou de alças a cair, a precisarem urgentemente de sabão, água e ferro de engomar, as calças com nódoas, as barrigas avantajadas à mostra, que as pessoas não se acanham de exibir, não porque não tenham dinheiro para outra indumentária mas porque estão à vontade.


 


Estar à vontade justifica a total falta de sentido estético e das proporções que se instalou na nossa sociedade. Ainda bem que não são necessários vestidos compridos nem disparates semelhantes para assistir a um espectáculo de ópera, mas será que é adequado ir almoçar de pijama? E as crianças, as tão amadas e endeusadas crianças, que ninguém controla quando guincham, correm pelo meio das mesas aos gritos, fazem birras e incomodam toda a gente? Será que não é importante que lhes seja mostrado que os outros, adultos ou não, têm o direito de estar em paz? Será que não é preciso que se lhes ensine a viver em comunidade?


 


Estar à vontade faz com que todos os infelizes comensais sejam obrigados a ouvir as conversas telefónicas com filhos, maridos, amantes, pais, mães, amigos, patrões, independentemente de ninguém ter nada a ver com a vida de quem assim enche os ouvidos dos outros, independentemente de ninguém querer saber da vida dos outros.


 


Estou, portanto, embrenhada na soberba da minha classe, sentindo-me numa bolha de algodão que ampara a amolece os desastres do mundo, imersa nos problemas filosóficos de moral e ética de Isabel Dalhousie, um esplendoroso exemplo da burguesia escocesa, mais precisamente de Edimburgo, e nas amáveis aventuras africanas de Precious Ramotswe, a orgulhosa dona da The Nº1 Ladie’s Detective Agency, da sua assistente Ma Makutsi, e do seu marido mecânico, Mr. J. L. B. Matekoni, o proprietário da Toklweng Road Speedy Motors.


 


Mas vai-se instalando a dúvida; interrogo-me se é agora que vivo alienada numa bolha irreal ou de algodão, ou se tenho vivido até agora numa outra bolha, real ou construída, mas sulfúrica.


 

10 agosto 2013

Beijo sem

 



Marisa Monte & Adriana Calcanhoto

(roubado à Irene Pimentel)

 


 


Eu não sou mais
Quem você
Deixou
Amor (de ver)


 


Vou a lapa
Decotada
Bebo todas (viro outras)
Beijo bem


 


Madrugada
Sou da lira
Manhãzinha
De ninguém
Noite alta
É meu dia
E a orgia
É meu bem


 


Eu não sou mais
Quem você
Deixou
Amor (de ver)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...