06 agosto 2013

Cismas

 


As fronteiras existem mesmo para ser ultrapassadas. Sejam vermelhas, amarelas ou incolores, não há palavras irrevogáveis nem limites distinguíveis. É tudo muito movediço.


 


É como as memórias traiçoeiras e atraiçoadas. Instabilidade política? A maior está precisamente dentro do governo. Sim, porque a oposição é mesmo só uma palavra, diariamente revogável.


 

04 agosto 2013

Meu amor, meu amor

 


 



Alain Oulman & Ary dos Santos


canta Amália Rodrigues


 


Meu amor meu amor


meu corpo em movimento


minha voz à procura


do seu próprio lamento.


 


Meu limão de amargura meu punhal a escrever


nós parámos o tempo não sabemos morrer


e nascemos nascemos


do nosso entristecer.


 


Meu amor meu amor


meu nó e sofrimento


minha mó de ternura


minha nau de tormento


 


este mar não tem cura este céu não tem ar


nós parámos o vento não sabemos nadar


e morremos morremos


devagar devagar.


 

Estrias

 



Number one


Jackson Pollock 


 


 


Acerto as cartas pelas estrias


papel engelhado de mil e umas tardes


esfregando olhos dedilhando raízes


desapego e paixão envelhecidas.


As marcas na madeira como escrita


de vidas sem história.


Aliso as mantas pelos dedos


que se multiplicam a uma velocidade


com que não desmancham os vícios da dor.


Livres como flores agrestes em ofertas de paz.


 

Decantar

 



Robert Malte Engelsmann 


 


Corto o cabelo em frente ao espelho


primeiro uma ponta uma sobrancelha


o despontar da orelha o nariz que se entorna.


Aparo e vou desgastando numa procura da simetria ideal.


Corto o espelho na ponta do nariz


uma sobrancelha a mais um cotovelo que se inclina


vou cortando o corpo na direcção que se destina


a mais abstracta pintura em que se mistura.


De aparas e segmentos desprezados recomponho a figura


a um canto que é mesmo nesse esconso desencanto


que me revejo


e me decanto.


 

03 agosto 2013

Dentro de casa / A gaiola dourada

 


Sempre que vou ao cinema prometo a mim própria que irei muito mais vezes, tal é o prazer de me sentar na sala escura e assistir às histórias que se desenrolam à minha frente. Misturo-me com as personagens e esqueço-me de mim. É uma realidade por vezes mais presente que a vida que arrastamos sem nos apercebermos de que se não repetirá nunca.


 


Dentro de casa, de François Ozon, e A gaiola dourada, de Ruben Alves, são dois excelentes filmes neste Agosto de temperatura pouco veranil. O primeiro, uma pequena perversa parábola sobre o espreitar pela janela, o desejo do que está para lá da nossa vivência, as emoções que roubamos. O segundo, uma ternurenta comédia e uma reflexão bem-disposta sobre a emigração portuguesa em França e a segunda geração.


 


 



Dentro de casa (Dan la maison)


 

 



A gaiola dourada (La cage dorée)


 

22 julho 2013

What a difference a day made


Jamie Cullum



 


 


What a difference a day made, twenty four little hours
Brought the sun and the flowers where there use to be rain
My yesterday was blue dear
Today I'm a part of you dear
My lonely nights are through dear
Since you said you were mine
Oh, what a difference a day made
There's a rainbow before me
Skies above can't be stormy since that moment of bliss
That thrilling kiss
It's heaven when you find romance on your menu
What a difference a day made
And the difference is you, is you

My yesterday was blue dear
Still I'm a part of you dear
My lonely nights are through dear
Since you said you were mine
Oh, what a difference a day made
There's a rainbow before me
Skies above can't be stormy since that moment of bliss
That thrilling kiss
It's heaven when you find romance on your menu
What a difference a day made
And the difference is you, is you, is you


 


Stanley Adams


A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...