Corto o cabelo em frente ao espelho
primeiro uma ponta uma sobrancelha
o despontar da orelha o nariz que se entorna.
Aparo e vou desgastando numa procura da simetria ideal.
Corto o espelho na ponta do nariz
uma sobrancelha a mais um cotovelo que se inclina
vou cortando o corpo na direcção que se destina
a mais abstracta pintura em que se mistura.
De aparas e segmentos desprezados recomponho a figura
a um canto que é mesmo nesse esconso desencanto
que me revejo
e me decanto.
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