E ao quarto dia Cavaco Silva falou. Finalmente teve uma intervenção importante e significativa.
A sua decisão foi, digamos assim, salomónica. Por um lado, não quer eleições agora pois considera que será um descalabro no que diz respeito aos mercados e à troika. Por outro lado não aceita a remodelação governamental e assume que este é um quadro parlamentar a prazo e que, portanto, terá que haver eleições antecipadas.
A ideia de chamar os três partidos que assinaram o memorando para um compromisso que possibilite o seu cumprimento, pelo menos uma base mínima de acordo até ao fim do programa de assistência, é uma forma de não deixar o PS descolar do próprio memorando e de obrigar o PSD e o CDS a ceder no fundamentalismo com que ministra o seu muito particular entendimento do mesmo. Também acredito que um compromisso entre PS, PSD e CDS poderão dar mais força negocial a Portugal perante os nossos credores.
Penso que o PS pode aproveitar esta oportunidade para esclarecer o que considera possível cumprir e de que forma, revelando quais as medidas concretas que propõe em alternativa às desta maioria.
Penso que temos todos a noção do impasse existente e da incógnita perante a falta de uma real alternativa ao governo. António José Seguro (que deve estar sem saber o que fazer), apesar de ter já defendido eleições já, pode perfeitamente, com a certeza da realização de eleições em Junho/2014, fazer um acordo que providencie um governo minimamente estável até à saída da troika (é também uma oportunidade para o PS fazer uma revolução interna, para que possamos começar a vislumbrar uma luz ao fundo do túnel).
Para variar acho que o Presidente fez bem, devolvendo a responsabilidade da resolução do governo aos partidos políticos e ao Parlamento. As declarações dos líderes partidários foram as esperadas. A lembrança de Alberto Martins de incluir os outros partidos políticos com assento parlamentar não faz sentido, visto que PCP e BE não quiseram discutir o memorando e não o assinaram.
Aguardemos portanto os brainstorming dos directórios partidários. A crise segue dentro de momentos.