Os manifestantes contam-se às centenas de milhar, cem mil, duzentos mil, trezentos mil, começaram contra Mário Soares, Salgado Zenha, Cavaco Silva, Maria de Lurdes Rodrigues, Sócrates, continuam agora contra a Troika, Passos Coelho e Cavaco Silva. Jerónimo de Sousa rejubila com tantos milhares precisando até de recuar 32 anos, para abarcar a enchente.
Infelizmente é isso mesmo, estamos a recuar muitas décadas. Mas não só nos direitos adquiridos. Também no conveniente apagamento do que é uma democracia representativa, resultados eleitorais, no competente exaltar das forças trabalhadoras e da rua, a rua que o PCP, a CGTP e o BE tanto gostam de invocar para fazer cair governos democraticamente eleitos. Exactamente os mesmos partidos que em sede parlamentar tudo fizeram para derrotar o governo anterior, o tal mais à direita de sempre, como todos os governos de Portugal desde 25 de Novembro de 1975.
O sindicalismo velho e derrotado pelas circunstâncias, pela História e pel’Os Mercados continua, cego e surdo às avalanches da sociedade. Os trabalhadores já não usam calças com peitilho mas os sindicatos continuam a usar o mesmo espartilho. A consagração de Arménio Carlos foi apoteótica. E os próximos capítulos serão iguais aos que já passaram.
Nota: Vale a pena ler o Valupi.