17 setembro 2011

Madeira - democracia por cumprir

 


Pacheco Pereira, na última Quadratura do Círculo, queixava-se da mediocridade do congresso do PS. Não tenho muita dificuldade em dar-lhe razão. Mas a mediocridade não tem apenas a ver com o que se passa dentro do congresso, do PS ou de outros partidos. Está na proporção directa da mediocridade de quem, na comunicação social, faz a divulgação do que se passa nos congressos.


 


Durante o dia de hoje, na TSF, as grandes e importantes perguntas que os jornalistas fizeram a António José Seguro foi se o PS está ou não unido, se A criticou B e se C gostou das declarações de D, e se E se ofendeu com F.


 


A cobertura mediática da luta política transformou-se numa telenovela sem qualidade, assemelhando-se às tricas de vizinhos coscuvilheiros. Os próprios responsáveis políticos entram na telenovela e alimentam o guião, lançando farpas uns aos outros sem a menor vergonha, para poderem aparecer à hora das notícias, de semblante severo e ar contrito, a dizer as maiores banalidades.


 


António José Seguro exige que Pedro Passos Coelho retire a confiança política a Alberto João Jardim - a que propósito? Há muito tempo que penso que todos anteriores governantes têm responsabilidade na manutenção de semelhante figura à frente do Governo Regional. Tanto quanto me recordo, Passos Coelho foi mesmo o Presidente do PSD que, até agora, mais se demarcou da actuação dele. Mas o problema verdadeiro é o facto do PSD Madeira o manter à frente do partido, é o facto do eleitorado da Madeira continuar a votar nele.


 


Temos que mudar de povo? Não, temos é que garantir que o povo está na posse de toda a informação. E isso é uma questão de funcionamento da democracia na Região Autónoma da Madeira, de liberdades, direitos e garantias. Isso é assunto para pedir declarações ao Presidente da República.


 


Portanto, o que eu gostaria é que António José Seguro e outros exigissem uma declaração a Cavaco Silva. Os silêncios esfíngicos mantém a cumplicidade que o Presidente sempre sustentou com a situação madeirense, a par de Manuela Ferreira Leite, Jaime Gama e, por fim, José Sócrates que, após a guerra iniciada por causa da lei das finanças regionais, acabou por capitular.


 


Por isso eu continuo a aguardar a comunicação ao país do Mais Alto Magistrado da Nação, sobre o gravíssimo défice democrático na Região Autónoma da Madeira.


 


 


 

16 setembro 2011

A Madeira não pode continuar a ser Jardim

 


O total desgoverno na Região Autónoma da Madeira, com o desvario de Alberto João Jardim, é fruto da irresponsabilidade dos anteriores governos, de direita, de centro e de esquerda, dos anteriores Presidentes da República e também do actual.


 


Finalmente, a estrela de Alberto João Jardim está a empalidecer, infelizmente à custa de todos nós. Restam-me poucas dúvidas que a descoberta, ou mais especificamente, a divulgação da descoberta das dívidas da Madeira, se devem à Troika. Além do descrédito internacional, aguardemos as consequências que as décadas da insanidade e populismo de Alberto João Jardim terão.


 


Também penso que a confiança política deverá ser o povo madeirense a dar ou retirar. Mas qual é a informação que o povo madeirense tem desta situação? Que conhecimento tem tido o povo madeirense do que se passa na sua terra? Que fiscalização democrática tem sido exercida pelo povo madeirense, em relação ao seu governo regional? Que garantia do funcionamento das instituições há no território madeirense?


 


Seria muito interessante que a magistratura de influência de Cavaco Silva resultasse no afastamento imediato e definitivo do actual Presidente do Governo Regional. Mas não é espectável. Não com este Presidente da República, que nem sequer teve a ousadia de recusar o desrespeito institucional a que foi sujeito quando não foi recebido condignamente no Parlamento da região.


 

15 setembro 2011

O regresso da Santa Inquisição

 


(...) Tenho criticado, sem dúvida, várias posições e acções da Igreja Católica. (Haverá debaixo do sol alguma coisa que eu não tenha criticado neste blogue?) Não confundo isso com respeito institucional. Eu respeito a universidade que me recebe todos os dias, mas nunca me passaria pela cabeça que alguém levasse ao Reitor, ou ao Director do instituto, um dossiê com escritos meus num blogue para o ajudar a decidir qualquer assunto académico. Nem sonharia que qualquer crítica minha ao governo da nação, ou ao Ministro da Ciência, fosse encarada como desrespeito pelo país, que em última instância é a quem pertence essa universidade pública. Já alguém me disse que eu, que fui um católico activo durante muitos anos, mas há muitos anos no passado, estou enganado acerca da actual Igreja Católica, que está muito mais longe do espírito do Vaticano II do que eu sou capaz de imaginar. Talvez seja isso. Pode até parecer que isto foi ingenuidade minha: se eu critico o catolicismo oficial, como poderia dar aulas na UCP? Não é assim que vejo as coisas: não me candidatei a professor no curso de Teologia, admito que poderiam achar estranho um agnóstico querer ser professor de teologia numa universidade católica. Tenho uma ideia da liberdade de pensamento que pode ser alheia a escrevinhadores de dossiês, mas da qual não abdico. (...)


 


 


Porfírio Silva


 


Vale a pena ficar a saber.

Um dia como os outros (96)


(...) O facto de, neste caso, o secretário-geral do PS, ter decidido passear-se pelos bastidores da informação com ar de aluno aplicado à mesma hora em que estavam a discursar delegados é demonstrativo de uma certa concepção cénica dos congressos que se instituíu, e que assenta, por muitos discursos em que se proclame o contrário, numa objectiva falta de respeito pelas bases do partido ali representados pelos delegados. De uma forma distante e racional reconheça-se que os militantes, depois da vitória na eleição para o cargo, passaram para um óbvio segundo plano quando em comparação com os jornalistas que se torna sempre necessário cortejar... (...)


 


A. Teixeira


 

14 setembro 2011

A Madeira não é Jardim

 



 


Durante décadas as inacreditáveis prestações de Alberto João Jardim, antidemocráticas, populistas, despesistas, demagógicas e ditatoriais, foram toleradas e bem aceites pelos seus correligionários políticos, pelos jornalistas e pelos comentadores.


 


O Presidente da República aceitou ser destratado, aceitou o apoucamento da Assembleia Regional da Madeira, tornando-se cúmplice de toda a triste palhaçada que tem sido o desgoverno da Região Autónoma da Madeira. Sócrates e Teixeira dos Santos não tiveram a solidariedade da oposição quando tentaram por cobro a esses desmandos.


 


Agora os jornais gritam a astronómica dívida da Madeira e as dementes declarações de Alberto João Jardim. Será que é o milagre da Santa Troika? O que tem o Presidente da República a dizer à hipotética fraude nas eleições presidenciais de 1980?


 


Será altura do PSD e do Presidente da República claramente se demarcarem de Alberto João Jardim. Não é lícito calar tudo em troca de votos.


 

Estilhaços

 



 


Gerry Judah


 


Levamos a vida a erguer muros de pedras


de estacas de vidro


inquebráveis invisíveis


duros permanentes invioláveis.


Basta um sopro gelado um segundo de desatenção


para que tudo se desmorone e os estilhaços


do vento decalquem as feridas espalhando-as


sem discrição.

Novas oportunidades

 


 



 


Tal como fomos intoxicados pelos partidos da oposição sobre os malefícios da política dos anteriores governos em relação a tudo, mesmo em relação à crise e aos mercados que, subitamente, passaram a ser internacional e inimigos de Portugal, respectivamente, também o fomos em relação à política educativa, com o sistema de avaliação dos professores, que subitamente passou a ser menos importante e a merecer um virar de página, e à incompetência diplomada do programa Novas Oportunidades.


 


Claro que o relatório da OCDE foi imediatamente desvalorizado e acusado de esconder a realidade do país. Não se percebe muito bem quais os instrumentos que Nuno Crato e a restante oposição, particularmente o PSD e o CDS, usaram para medir a realidade do país nem o desvio existente, segundo os mesmos, entre o real e o imaginado e descrito no dito relatório. Nem a causa da OCDE, apesar de em anteriores relatórios ter espelhado o horror da governação socialista, aliás aproveitados pelo agora Ministro, ter repentinamente optado por esconder fosse o que fosse.


 


A dúvida metódica é um método de análise muito apropriado que deve ser aplicado a todas as questões que se nos colocam, de forma crítica e sistemática. Portanto, após a observação da abrupta mudança de estilo e de verdades inquestionáveis a que o PSD e o CDS nos habituaram, com a fronteira bem demarcada pelas eleições legislativas, podemos mesmo, através desse método cartesiano, concluirmos que se alguém escondeu, ou melhor deturpou, a realidade, foram os partidos da anterior oposição.


 


Nota: A propósito vale a pena ler Hugo Mendes.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...