14 setembro 2011

Estilhaços

 



 


Gerry Judah


 


Levamos a vida a erguer muros de pedras


de estacas de vidro


inquebráveis invisíveis


duros permanentes invioláveis.


Basta um sopro gelado um segundo de desatenção


para que tudo se desmorone e os estilhaços


do vento decalquem as feridas espalhando-as


sem discrição.

Novas oportunidades

 


 



 


Tal como fomos intoxicados pelos partidos da oposição sobre os malefícios da política dos anteriores governos em relação a tudo, mesmo em relação à crise e aos mercados que, subitamente, passaram a ser internacional e inimigos de Portugal, respectivamente, também o fomos em relação à política educativa, com o sistema de avaliação dos professores, que subitamente passou a ser menos importante e a merecer um virar de página, e à incompetência diplomada do programa Novas Oportunidades.


 


Claro que o relatório da OCDE foi imediatamente desvalorizado e acusado de esconder a realidade do país. Não se percebe muito bem quais os instrumentos que Nuno Crato e a restante oposição, particularmente o PSD e o CDS, usaram para medir a realidade do país nem o desvio existente, segundo os mesmos, entre o real e o imaginado e descrito no dito relatório. Nem a causa da OCDE, apesar de em anteriores relatórios ter espelhado o horror da governação socialista, aliás aproveitados pelo agora Ministro, ter repentinamente optado por esconder fosse o que fosse.


 


A dúvida metódica é um método de análise muito apropriado que deve ser aplicado a todas as questões que se nos colocam, de forma crítica e sistemática. Portanto, após a observação da abrupta mudança de estilo e de verdades inquestionáveis a que o PSD e o CDS nos habituaram, com a fronteira bem demarcada pelas eleições legislativas, podemos mesmo, através desse método cartesiano, concluirmos que se alguém escondeu, ou melhor deturpou, a realidade, foram os partidos da anterior oposição.


 


Nota: A propósito vale a pena ler Hugo Mendes.

11 setembro 2011

A memória contra a mentira

 


Considerei o discurso de António José Seguro um bom discurso. Mas a intervenção de Francisco Assis foi a de um líder, de alguém que não renega a história do seu partido, de alguém com uma formação democrática, livre, com a consciência limpa e do que quer para o futuro.


 


Não houve silêncios sobre assuntos delicados, nem abafamento de passados incómodos. Não só disse o essencial e mais importante sobre a forma como esta direita assumiu o poder, ligando-a a uma falha moral, como sobre o patrocínio que esta direita teve e tem do Presidente da República, que assim subverteu e subverte aquele que deveria ser o seu papel. Falou do objectivo central deste governo - o deslegitimar dos poderes públicos do estado - e assumiu com orgulho o legado dos últimos 6 anos de governo socialista, lembrando aos mais esquecidos, como o recém-eleito e legitimado António José Seguro, a necessidade de continuar esse projecto - a qualificação do país com a aposta na escola pública, na ciência e na inovação tecnológica e a modernização da economia, sem esquecer o rigor financeiro, ou seja, olhar para além da crise.


 


Francisco Assis alertou para a aplicação das doutrinas liberais com efeitos que poderão ser devastadores para a coesão social, a propósito do esmagamento da classe média. Embora não o acompanhe no exemplo que citou (o dos cortes nos incventivos aos transplantes) subscrevo todas as suas preocupações - é essencial que se relance o debate político sobre a sociedade que queremos e defendemos, não aceitando um país de desiguais.


 


António José Seguro ganhou as eleições dentro do partido, tudo faz e fará para manter a boa imprensa, mesmo com atitudes pouco edificantes com a que ontem protagonizou, com a ridícula visita aos bastidores da comunicação social, desalojando António Costa do seu lugar de entrevistado. Uma pose totalmente artificial que não enganou ninguém.


 


António José Seguro poderá ser um corredor de fundo, mas falta-lhe a força das ideias.

Ecos

 


 



9 de Setembro/2001


World Trade Center - USA


 


Ecos de silêncios dobrados


distantes mas persistentes


pesados laços invisíveis


anteriores ao mundo que sabemos.


 


Pássaros e pedras em mãos esmagadas


fogo e gelo em horas derramadas.


Ecos agudos de quem já não é


mas sente.


 

10 setembro 2011

Congresso socialista

 



 


O congresso do PS que está a decorrer em Braga é de grande importância para a vida democrática. É necessária a oposição da esquerda democrática corporizada pelo PS. É necessária a definição ideológica do PS e a sua demarcação do PSD e do CDS. Nesse sentido o que de mais interessante teve o discurso de António José Seguro o esclarecimento dessas diferenças:



  • a recusa de alterar a Constituição, consagrando um enfraquecimento do Estado Social;

  • a igualdade na distribuição de riqueza, equidade e justiça social;

  • a recusa de um estado assistencialista, com a tónica na dignidade humana e nos direitos sociais das pessoas;

  • a colocação do rigor orçamental e do controlo das finanças ao serviço da população;

  • a defesa de uma governação política e económica para a Europa;

  • a defesa da confiança nos cidadãos e inviolabilidade das liberdades políticas



Apesar de haver pouca assertividade na afirmação de que a inscrição de limites constitucionais ao défice e à dívida pública não contariam com o apoio do PS, e das generalidades sobre o caminho europeu, não se percebendo muito bem o que significa um europeísmo crítico, António José Seguro fez um bom discurso. No entanto, para além de uma pequena referência aos anteriores líderes do PS, António José Seguro evitou cautelosamente a defesa dos governos de Sócrates, nomeadamente na área da Educação, nas apostas tecnológicas, na política energética e no investimento científico.


 


Os erros cometidos deverão ser pensados e ultrapassados, mas nunca o PS deverá esconder ou apagar as anteriores legislaturas, nem aceitar a tese propagandeada da destruição do país.


Finalmente

 


O modelo de avaliação dos professores foi aprovado sem a assinatura da FENPROF. Parabéns ao Ministro Nuno Crato que conseguiu manter a coerência de um processo iniciado por Maria de Lurdes Rodrigues, pugnando pela dignificação da classe docente.

Agora os mais velhos

 


O Ministro Pedro Mota Soares descobriu mesmo o milagre da multiplicação de vagas. Depois dos mais novos volta-se para os mais velhos. O melhor mesmo é encher os quartos com beliches, tipo camarata: em vez de 5.000 arranjavam-se 10, 20 ou 30.000 vagas a mais. Também se podem aligeirar as regras de higiene (tomar banho todos os dias é um desperdício de água, para além de uma aumento de carga para as estações de tratamento de esgotos); desligar os aquecedores ajuda a reduzir o consumo de electricidade.


 


Enfim, novas e aforradoras medidas poderão ser somadas às já tomadas nos lares e nas creches. Os clientes queixam-se pouco.



Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...