Bordalo II
Manhã junto ao rio, lisa
branca macia, como a folha
em que se projectam dores
ou tédio, como o início de um poema
o ensaio de um grito, como um frémito de beijo.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Bordalo II
Manhã junto ao rio, lisa
branca macia, como a folha
em que se projectam dores
ou tédio, como o início de um poema
o ensaio de um grito, como um frémito de beijo.
Como disse há alguns dias, era necessário saber ao certo o que se tinha passado no dia das eleições, para que se apurassem responsabilidades e se percebesse se teria havido possíveis implicações nos resultados eleitorais.
Após a prestação do Ministro Rui Pereira na Assembleia da República e do desmentido do ex-Director-Geral da Administração Interna, a confusão é ainda maior. No relatório encomendado pelo Ministro fica a saber-se que 770.000 eleitores deveriam ter recebido uma notificação sobre a mudança do número de eleitor e do local de votação. Ou seja, setecentos e setenta mil eleitores podem ter ficado sem votar.
É claro que considero que os eleitores também são responsáveis por não se terem informado. A verdade é que todos achamos que os outros são sempre responsáveis por aquilo que nos diz respeito a nós. Mas isso não pode apagar as responsabilidades do Ministério como um todo e do próprio Ministro em particular. E este novelo em que se está a transformar o relatório, as explicações e os desmentidos, é degradante. O Ministro deveria pedir a demissão.
Como disse ontem Correia de Campos, se Rui Pereira se tivesse demitido no próprio dia das eleições, era um herói, assim coloca-se, a ele e ao governo, numa situação cada vez mais desconfortável.
Se alguma vez alguém teve a leve esperança que o BE pudesse ser uma força política para apoiar ou incluir um governo de esquerda, a apresentação desta moção de censura, com um mês de antecedência e sem qualquer objectivo de derrubar o governo, como José Manuel Pureza reconhece, é a mais disparatada e patética iniciativa de que Francisco Louçã se poderia lembrar.
Tão disparatada e patética é a titubeante reacção de Passos coelho que ao contrário de alguns dos seus companheiros de partido, ainda não esclareceu que nunca iria apoiar esta moção de censura.
Hoje há um lugar que nos ocupa os olhos, os ouvidos, a esperança, como aconteceu há 37 anos. Os soldados ao lado do povo.
No Egipto é tempo de grande júbilo, de sonho e de utopia.
A tomada de poder pelos militares, a dissolução do Parlamento - será que é o verdadeiro início de uma nova era de transição para a democracia? Esperemos que sim. Também por cá experimentámos o extremismo, ultrapassámos o Verão quente de 1975 e vivemos em liberdade e democracia.
Já ouvi que hoje caiu o muro de Berlim no mundo árabe. Vamos todos torcer para que assim tenha, de facto, acontecido.
Sou totalmente a favor da obrigatoriedade da prescrição médica por DCI. Mas também sou totalmente contra a possibilidade de alteração da prescrição do médico sem que este o autorize expressamente. A prescrição de um medicamento faz parte do acto médico e só pode ser o médico o responsável. Permitir que se troque um medicamento, seja ele qual for e esteja prescrito da forma que estiver, é uma perversão do acto médico e um perigo para o doente. Por isso, embora o facto do Presidente não ter promulgado o diploma do Governo sobre prescrição de medicamentos ser um facto político que revela o que vai ser este segundo mandato de Cavaco Silva, acho muito bem que o tenha feito.
Sou totalmente a favor da obrigatoriedade da prescrição médica electrónica. Não percebo as explicações do Presidente. Mas também penso que é uma medida que foi mal preparada. A maior parte dos médicos que conheço não sabe bem o que fazer a partir de 1 de Março. Os telefones da ACSS não respondem. Não há informações (pelo menos não as encontrei) nos sites da Ordem nem dos Sindicatos Médicos. Encontrei um software gratuito, já certificado pela ACSS, depois de muito procurar na internet.
Não entendo porque é que o governo insiste em implementar tão mal medidas que, à partida, são correctíssimas. Parece-me demasiada, a incompetência.
Após a omnipresença do FMI nas conversas, nas ameaças e nas promessas de responsabilização do governo pela sua mais que certa entrada em Portugal, qual potência invasora, desapareceu quase instantaneamente. O FMI volatilizou-se da preocupação de Pedro Passos Coelho e de todos os economistas, comentadores e astrólogos encartados.
Obviamente que, desaparecida esta desculpa, haverá certamente outra. Por isso é necessário rapidamente desapear Sócrates, nem que signifique o PCP viabilizar uma moção de censura do PSD/CDS, ou o PSD/CDS viabilizar uma moção de censura do PCP.
Entretanto Ana Benavente voltou das brumas para - encabeçar uma lista alternativa a Sócrates? Será ela?
João Jacinto
Dias perdidos de plenitude
horas longas e vagarosas
desmanchadas em neblina
rios escuros correm ao lado.
Vemos passar a vida e perguntamos
porque não passamos nós pela vida.
Horizons Neil Dawson Hoje o dia não se repete no intenso azul das almas livres. A prisão da felicidade a que não chega nem se entrega a que ...