08 fevereiro 2011

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

 


Sou totalmente a favor da obrigatoriedade da prescrição médica por DCI. Mas também sou totalmente contra a possibilidade de alteração da prescrição do médico sem que este o autorize expressamente. A prescrição de um medicamento faz parte do acto médico e só pode ser o médico o responsável. Permitir que se troque um medicamento, seja ele qual for e esteja prescrito da forma que estiver, é uma perversão do acto médico e um perigo para o doente. Por isso, embora o facto do Presidente não ter promulgado o diploma do Governo sobre prescrição de medicamentos ser um facto político que revela o que vai ser este segundo mandato de Cavaco Silva, acho muito bem que o tenha feito.


 


Sou totalmente a favor da obrigatoriedade da prescrição médica electrónica. Não percebo as explicações do Presidente. Mas também penso que é uma medida que foi mal preparada. A maior parte dos médicos que conheço não sabe bem o que fazer a partir de 1 de Março. Os telefones da ACSS não respondem. Não há informações (pelo menos não as encontrei) nos sites da Ordem nem dos Sindicatos Médicos. Encontrei um software gratuito, já certificado pela ACSS, depois de muito procurar na internet.


 


Não entendo porque é que o governo insiste em implementar tão mal medidas que, à partida, são correctíssimas. Parece-me demasiada, a incompetência.


 

7 comentários:

  1. pink16:32

    O sector da saúde é muito apetecível e há muita gente em roda livre a constituir pé-de-meia á custa do utente.

    Hoje os médicos têm prestígio social, mas junto dos doentes poucos disfrutam de grande simpatia e estima.
    A vocação deu lugar ao rendimento.
    Os farmaceuticos,pela proximidade com a população,são mais bem aceites. Mas os interesses são badalados como grosseiros inaceitáveis.

    Não deve ser fácil encaixar todos os "pedidos",quando as "bicadas" na ética são tão repetidamente praticadas.

    Acabamos sempre por aceitar o mal menor, em detrimento de políticas realmente justas e suportáveis para o erário público.
    ...
    A recente debandada por causa dos cortes,´prova quanto os $$$ são mais importantes que a saúde de todos nós...

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    1. Totalmente de acordo consigo, Sofia.

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  2. Ana Marques Pereira20:48

    Sofia,
    A prescrição electrónica está certa nos hospitais e centros de saúde, mas no sector privado acarreta mais dificuldades. Não é suportável o pagamento que é exigido em consultórios privados. Muitos vão ser obrigados a fechar. E a medicina ambulatória como se faz?
    O sitema informático é tão sugeito a "furos" como o receituário manual. Há que controlar as receitas, o que já é feito, com registo dos números, porque quem faz vigarices arranja sempre forma de contornar a lei.

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  3. maloud17:50

    Esse programa, Sofia, é pseudo-gratuito. Na barra inferior do écran terá todo o tempo piscadelas de produtos da Merckx e leia bem as condições contratuais. Todos os médicos que conheço o rejeitaram e tanto quanto julgo saber a própria ACSS já veio manifestar dúvidas sobre o dito software.

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    1. Obrigada. Vou ler com toda a atenção. Onde está essa avaliação pela ACSS ? No doc . que li e linkei não vi nada sobre isso.

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    2. maloud23:45

      Sei que também é amiga do Luís Novaes Tito no FB. Hoje falámos disso por lá, em comentários a um post da Barbearia. Se não se importar vá ler.

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  4. Porque raio será tão difícil perceber estas coisas tão simples, Sofia?

    Quanto ao software ando às aranhas. Já falei para a ACSS mas não consegui indicações precisas, para a semana vou tentar ir à Ordem pedir ajuda. Entretanto se a Sofia souber alguma coisa em concreto dê notícias, por favor.

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