Entre o 25 de Abril de 1974 (mais precisamente entre o 11 de Março de 1975) e o 25 de Abril de 1975 viveu-se, em Portugal, um clima de avassaladora intimidação para quem não comungasse da visão dos revolucionários.
Durante esse período quem ouvisse a rádio, visse a televisão, lesse os jornais, participasse nas famosas RGAs nas Escolas Secundárias, quem ouvisse os sindicatos, as comissões de trabalhadores, de moradores, de soldados e marinheiros e o MFA, ficava completamente convencido que caminhávamos a largos passos para uma sociedade totalitária, na esfera de influência da União Soviética. A música, o vocabulário, as manchetes, as acusações de fascista e reaccionário, tudo fazia crer na esmagadora maioria de votantes no PCP.
Com a surpresa de todos o PCP foi derrotado tendo-se seguido o PREC, altura em que o PCP e a extrema esquerda tudo tentaram para subverter o resultado das eleições constituintes.
Tal como já aqui referi e como o Eduardo Pitta tão bem sintetizou num título de um post, vivemos neste momento o PREC da direita. Os métodos são idênticos e a intimidação de quem ousa dizer o contrário de quem mais grita, de quem mais fala, de quem mais defende a liberdade de expressão, é absolutamente extraordinária. Acresce que em Outubro o país se pronunciou votando maioritariamente no PS.
Mas tudo serve para dar a sensação de desvario, tal como aconteceu com o PREC de 1975. A forma irresponsável como se acusa o poder judicial de estar ao serviço do governo e de Sócrates, essa encarnação do maligno, como se incentiva o julgamento sumário pela populaça, guindando os jornalistas, tal como os militares durante o PREC, ao patamar dos deuses, faz-nos recuar 35 anos.
Tal como nessa época é preciso não perder de vista o essencial – a liberdade, a responsabilidade e o respeito pelas instituições democráticas. Porque é esse desrespeito que faz com que Portugal possa transformar-se num Estado de Direito formal, como demagogicamente afirmou Paulo Rangel, no Parlamento Europeu.
*Título roubado ao Eduardo Pitta