11 fevereiro 2010

Um dia como os outros (32)

 


(...) Dezoito hospitais, entre eles os maiores do País, estão em risco de perder pelo menos 45 milhões de euros em relação a 2009, porque o Estado lhes vai pagar menos pelos cuidados prestados. É este o impacto do novo modelo de financiamento do Governo para as unidades de saúde, recebido com duras críticas pelos administradores hospitalares, que ameaçam demitir-se. (...)


 


(...) Nenhum dos hospitais da região norte vai aplicar o novo modelo de financiamento do Ministério da Saúde, asseguraram ao DN fontes do São João e do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro. "Estamos solidários com a posição do presidente da Administração Regional de Saúde do Norte, Fernando Araújo", que numa reunião com a ministra da Saúde, Ana Jorge, terá defendido que não aceitava o novo modelo de financiamento dos hospitais, disse fonte da administração da unidade transmontana. (...)


 


Adenda: O bom-senso prevaleceu. Ainda bem.

O PREC da direita*

 


Entre o 25 de Abril de 1974 (mais precisamente entre o 11 de Março de 1975) e o 25 de Abril de 1975 viveu-se, em Portugal, um clima de avassaladora intimidação para quem não comungasse da visão dos revolucionários.


 


Durante esse período quem ouvisse a rádio, visse a televisão, lesse os jornais, participasse nas famosas RGAs nas Escolas Secundárias, quem ouvisse os sindicatos, as comissões de trabalhadores, de moradores, de soldados e marinheiros e o MFA, ficava completamente convencido que caminhávamos a largos passos para uma sociedade totalitária, na esfera de influência da União Soviética. A música, o vocabulário, as manchetes, as acusações de fascista e reaccionário, tudo fazia crer na esmagadora maioria de votantes no PCP.


 


Com a surpresa de todos o PCP foi derrotado tendo-se seguido o PREC, altura em que o PCP e a extrema esquerda  tudo tentaram para subverter o resultado das eleições constituintes.


 


Tal como já aqui referi e como o Eduardo Pitta tão bem sintetizou num título de um post, vivemos neste momento o PREC da direita. Os métodos são idênticos e a intimidação de quem ousa dizer o contrário de quem mais grita, de quem mais fala, de quem mais defende a liberdade de expressão, é absolutamente extraordinária. Acresce que em Outubro o país se pronunciou votando maioritariamente no PS.


 


Mas tudo serve para dar a sensação de desvario, tal como aconteceu com o PREC de 1975. A forma irresponsável como se acusa o poder judicial de estar ao serviço do governo e de Sócrates, essa encarnação do maligno, como se incentiva o julgamento sumário pela populaça, guindando os jornalistas, tal como os militares durante o PREC, ao patamar dos deuses, faz-nos recuar 35 anos.


 


Tal como nessa época é preciso não perder de vista o essencial – a liberdade, a responsabilidade e o respeito pelas instituições democráticas. Porque é esse desrespeito que faz com que Portugal possa transformar-se num Estado de Direito formal, como demagogicamente afirmou Paulo Rangel, no Parlamento Europeu.

 


*Título roubado ao Eduardo Pitta


 

Manipulações perigosas

 


Já nada trava o disparate e a manipulação política.



  • Um jornal viola a lei, publicando o que está em segredo de justiça;

  • Um cidadão visado e julgado na praça pública, que não é arguido em qualquer processo judicial, para proteger o seu direito constitucional ao seu bom nome,  tenta que uma decisão judicial interponha uma providência cautelar para impedir que o jornal viole de novo a lei;

  • Isso é entendido como uma interferência do governo na liberdade de imprensa e rotulado como censura;

  • Esse jornal recusa-se a receber a notificação judicial;

  • Há um jornalista que incita à desobediência civil;

  • Há uma manifestação que usa o pressuposto de que não há liberdade de expressão em Portugal;

  • Os telejornais abrem com directos em que se discute a censura decretada por um juiz;

  • um bloguer que faz uma lista de blogues que não aderiram à manifestação.


A espiral de loucura não pára, está em roda livre.

 


Começa a ser assustador.


 


Nota: Vale a pena ler o Porfírio Silva.


 

Ética parlamentar

 


Se há dúvidas quanto à actuação política de responsáveis governamentais, estes devem ser confrontados politicamente na Assembleia da República.


 


Significativamente apenas o BE pediu uma comissão parlamentar de inquérito à actuação de José Sócrates.


 

10 fevereiro 2010

As redes, as teias e os tentáculos

 



 


Os casos de justiça começam sempre com grandes redes tentaculares, descobertas pelos jornalistas de investigação, e perdem-se nos confins do tempo, sem honra nem glória, deprimindo os cidadãos e ajeitando os cenários políticos.


 


O caso Casa Pia, que durante anos seguidos conspurcou a vida de tanta gente, vítimas abusadas sexualmente e vítimas abusadas pelos nomes que foram envolvidos na alegada grande rede de prostituição internacional, que faria um terramoto, segundo Catalina Pestana, com fotografias de personalidades conhecidas do mundo da política, arrasta-se penosamente nas suas próprias malhas, com Carlos Cruz, Jorge Ritto e poucos mais. Entretanto Paulo Pedroso esteve preso e o nome de Ferro Rodrigues andou nas bocas do mundo.


 


O caso Freeport acabou, depois de ter andado anos a caluniar José Sócrates. O caso Apito Dourado empalideceu totalmente, não deixando, no entanto, de enlamear Pinto da Costa. O caso BPN, misteriosamente, deixou de existir. Estamos agora com mais uma rede tentacular que se chama Face Oculta.


 


Estas teias e estes tentáculos são fabricados com tanta ansiedade e tão atabalhoadamente que acabam, inexoravelmente, em fantasmas que se esfumam. E vai-se esfumando também a nossa confiança.


 

A verdade segundo Paulo Rangel

 



 


Paulo Rangel retomou o vocabulário utilizado pela da Dra. Manuela Ferreira Leite durante a campanha eleitoral.


 


Ele vai romper a economia, rasgar a escola e trucidar a justiça, depois de gritar bem alto que a a política que ele faz, é a Verdade, só a Verdade e nada mais do que a Verdade.


 


Depois da esforçada defesa que fez do regresso da democracia e da liberdade de expressão à sua amada pátria, com a ajuda dos nossos parceiros europeus, resolveu que, por muito que lhe custe, é dentro do país, enfrentando os perigos que se adivinham com o seu regresso, que se espera a sua actuação salvadora.


 


A rasgar, a romper a explodir, certamente nada será como dantes.


 

09 fevereiro 2010

Actividades circenses

 


Basta assistir aos vários telejornais das várias televisões, ler os vários jornais em papel ou online, ouvir os serviços noticiosos das várias estações de rádio, para nos apercebermos de imediato da aflitiva falta de liberdade de expressão existente em Portugal.


 


Felizmente temos um deputado europeu corajoso que, arrostando contra o risco da expulsão sumária e do exílio perpétuo, denuncia esta vergonhosa situação nas instâncias internacionais. Talvez assim haja audiência europeia e intervenção rápida e certeira.


 


Felizmente temos partidos responsáveis e atentos que, contra as maquinações hediondas do Primeiro-ministro, acolitado pelo Procurador Geral da República e pelo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e, quem sabe, de outras figuras menos gratas mas mais subterrâneas, na prossecução dos seus totalitários intentos, levantam bem alto o mastro da resistência.


 


Sendo assim, esperamos que a manifestação demonstre a férrea esperança do povo nos seus representantes de direita e de extrema-esquerda que, de imediato, resolverão tão grave assunto com uma moção de censura ao governo e subsequente queda, formando uma aliança de salvação nacional, medalhando os sofredores e heróis amantes da liberdade.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...