Pois no nosso Natal desistimos do peru assado, com ou sem recheio.
O problema nem sequer era o peru, que eu despachadamente ia comprar já assado, recheado e enfeitado à casa da esquina, mas dos acompanhamentos.
Como já disse, sou um bocado criativa, às vezes em demasia. Como o peru não me dava trabalho, achava que devia caprichar no arroz, nas batatas palha, nas couvinhas de Bruxelas salteadas.
No primeiro Natal organizado em minha casa o arroz, sabiamente confeccionado pelo cozinheiro mais apreciado lá de casa, com nozes, pinhões, passas de uva, bem árabe, estava absolutamente delicioso, apenas com o pormenor de não ter um átomo de sal.
No segundo Natal resolvi que couves de Bruxelas salteadas eram um toque de requinte saudável nos acompanhamentos do peru. Temperei-as com sal e pimenta e salteei-as em azeite e alho. Esqueci-me porém de um passo preparatório que foi o de cozer as ditas couves, que ficaram salteadas mas cruas.
No terceiro Natal arrisquei uma coisa que nunca tinha feito – batata frita palha. Também nunca mais fiz. A verdade é que depois de fritar os fios de batata, penso que através de um utensílio inútil que andava pela cozinha, o resultado foi uma bola gordurenta de fios de batata colados uns aos outros, de tal maneira pouco apetitosos que nem foram à mesa.
Desisti de melhorar a ementa. Hoje em dia, para além da aletria e das rabanadas, do bacalhau cozido com batatas e grão, o dia 25 é palco de várias tentativas peruanas ou outras, mas com os acompanhamentos habituais, testados em casas seculares. As filhoses e os sonhos são contributos anuais indispensáveis, a cargo das gerações anteriores.