21 dezembro 2009

Entrevistas da Paris Review

 



 


Como é um escritor? Como é que escreve, aonde, de pé ou sentado, numa escrivaninha, numa secretária, é organizado, arrumado, desleixado, maníaco, sedutor, obsessivo?


 


Como escreve, quais os truques, os horários, os rituais? Quais os temas, como inventa, imagina, sonha? Que histórias foram contadas, sempre a mesma de muitas formas, muitas histórias sobre o mesmo assunto, quantas rasuras, que canetas, lápis, máquinas de escrever? Que luz, que sentidos, que sentimentos, que influências, que ídolos, que raivas, que invejas?


 


Estas interessantíssimas entrevistas são os primórdios daquilo que hoje entendemos como a procura da essência de quem cria. Foram efectuadas durante dias, revistas mais do que uma vez por cada um dos entrevistados, as perguntas retiradas ou criticadas pelos escritores.


 


Mesmo assim conseguimos encontrar Truman Capote, William Faulkner, Laurence Durrell, Ernest Hemingway. Uma excelente selecçãoe tradução de Carlos Vaz Marques, ele próprio um entrevistador e curioso estudioso dos artistas da palavra.




 

20 dezembro 2009

Um dia como os outros (19)

 


(...) Num país com tão poucos recursos económicos, com uma língua extraordinária falada por milhões, com uma história e poesia riquíssima, se a gente não aposta na nossa cultura estaremos envolvidos num jogo masoquista. (...)


 


(Também aqui)


 

Quadras de Natal (1)

 



Cindy Thomas: Family


 


Meu rico menino pobre,
alminha do meu sustento,
o manto que não te cobre
protege a casa do vento.


 


Meu rico filho sem sorte
cordeiro limpo de medo,
o pai destina-te a morte
a mãe esconde um segredo.


 


Foge meu rico santinho
não queiras marca de Abel,
dócil como cordeirinho
o amargo sabor do mel.


 


Foge depressa, oh irmão
do malquerer do destino,
esquece o futuro que não
te deixa viver, oh menino.


 

Patamares mínimos

 



 


Alguns sindicatos representantes dos trabalhadores dos hipermercados ameaçam com uma greve no dia 24 de Dezembro, em protesto contra a proposta de alargamento do horário de trabalho flexível para 60 horas/semana, com a possibilidade de alargamento diário para 14 horas, com aviso dos trabalhadores na véspera.


 


A Sonae e a Jerónimo Martins, grandes empresas e grandes empregadores neste país, apesar da crise económica mundial em geral e portuguesa e particular, aumentaram os lucros em relação ao ano anterior. São estas as mesmas empresas que não podem aumentar o ordenado mínimo para 475€/mês.


 


A recente crise económica demonstrou a iniquidade de sistemas e regimes político-económicos em que o lucro sem objectivo nem responsabilidade social gera situações graves que potenciam revoltas e insegurança, aumento das desigualdades e da pobreza. Mas parece que não aprendemos nada. Ou pelo menos os mesmos de sempre voltam à retórica de sempre.


 


É claro que as empresas devem ter lucro mas não pode justificar uma nova escravatura. Há patamares mínimos de decência e de dignidade, que estes senhores não se envergonham nunca de ignorar.

 


(Também aqui)


 

Afectos

 



(Tiny Pilot: Random Love)


 


Às vezes ouço alguns programas de rádio em que se entrevistam várias pessoas de vários quadrantes, profissionais, políticos e culturais, sobre as sugestões de ocupação de fins-de-semana e/ou horas de lazer.


 


Nesta época são unânimes as que se insurgem contra o horror das lojas cheias, a enormidade e quantidade de ofertas inúteis para quem já não sabe o que desejar, a obscenidade de dinheiro gasto sem qualquer função, os exageros gastronómicos e as suas consequências nas periclitantes dietas hipocalóricas.


 


Se assim é, cada vez percebo menos os sacrifícios que as mesmas pessoas fazem, porque elas assim o confessam, engrossando as hordas de consumistas disparatados nesta época natalícia. Se assim é, porque não mudamos os nossos hábitos restaurando a demonstração dos afectos, retomando o cuidado com os outros, naquilo que a eles diz respeito, nas suas necessidades e gostos, nas suas sensibilidades?


 

Concerto de Branderbourg nº 6, 1

 



Bach - Concerto Brandenbourg nº 6, 1


Claudio Abbado


Orquestra Mozart de Bolonha

Dez livros que não mudaram a minha vida

 


 


 


Dez livros que não mudaram a minha vida (sabe-se lá porquê) - desafiou-me desta vez o Porfírio. Na verdade, muitos mais há que não mudaram a minha vida e muito poucos me mudaram.


 


A lista aqui vai: 



  1. Um mundo para Julius – Alfredo Bryce Echenique

  2. Rio das Flores – Miguel Sousa Tavares

  3. Os dias acabam sempre por voltar – Angelo Rinaldi

  4. Amor e Sexualidade no Ocidente – Georges Duby

  5. História das Lágrimas – Anne Vincent-Buffault

  6. Cadernos de Guerra (1939 – 1940) – Jean-Paul Sartre

  7. A História Secreta – Donna Tartt

  8. Ghostwalk - Na pista de Newton – Rebecca Stott

  9. Ainda estamos casados – Garrison Keillor

  10. Os seres felizes – Marcos Giralt Torrente


Diz o Porfírio que devo enviar este desafio a outros bloguers. É claro que está convidado quem quiser. Gostaria, no entanto, de nomear alguns:



E segue o desafio.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...