20 dezembro 2009

Patamares mínimos

 



 


Alguns sindicatos representantes dos trabalhadores dos hipermercados ameaçam com uma greve no dia 24 de Dezembro, em protesto contra a proposta de alargamento do horário de trabalho flexível para 60 horas/semana, com a possibilidade de alargamento diário para 14 horas, com aviso dos trabalhadores na véspera.


 


A Sonae e a Jerónimo Martins, grandes empresas e grandes empregadores neste país, apesar da crise económica mundial em geral e portuguesa e particular, aumentaram os lucros em relação ao ano anterior. São estas as mesmas empresas que não podem aumentar o ordenado mínimo para 475€/mês.


 


A recente crise económica demonstrou a iniquidade de sistemas e regimes político-económicos em que o lucro sem objectivo nem responsabilidade social gera situações graves que potenciam revoltas e insegurança, aumento das desigualdades e da pobreza. Mas parece que não aprendemos nada. Ou pelo menos os mesmos de sempre voltam à retórica de sempre.


 


É claro que as empresas devem ter lucro mas não pode justificar uma nova escravatura. Há patamares mínimos de decência e de dignidade, que estes senhores não se envergonham nunca de ignorar.

 


(Também aqui)


 

Afectos

 



(Tiny Pilot: Random Love)


 


Às vezes ouço alguns programas de rádio em que se entrevistam várias pessoas de vários quadrantes, profissionais, políticos e culturais, sobre as sugestões de ocupação de fins-de-semana e/ou horas de lazer.


 


Nesta época são unânimes as que se insurgem contra o horror das lojas cheias, a enormidade e quantidade de ofertas inúteis para quem já não sabe o que desejar, a obscenidade de dinheiro gasto sem qualquer função, os exageros gastronómicos e as suas consequências nas periclitantes dietas hipocalóricas.


 


Se assim é, cada vez percebo menos os sacrifícios que as mesmas pessoas fazem, porque elas assim o confessam, engrossando as hordas de consumistas disparatados nesta época natalícia. Se assim é, porque não mudamos os nossos hábitos restaurando a demonstração dos afectos, retomando o cuidado com os outros, naquilo que a eles diz respeito, nas suas necessidades e gostos, nas suas sensibilidades?


 

Concerto de Branderbourg nº 6, 1

 



Bach - Concerto Brandenbourg nº 6, 1


Claudio Abbado


Orquestra Mozart de Bolonha

Dez livros que não mudaram a minha vida

 


 


 


Dez livros que não mudaram a minha vida (sabe-se lá porquê) - desafiou-me desta vez o Porfírio. Na verdade, muitos mais há que não mudaram a minha vida e muito poucos me mudaram.


 


A lista aqui vai: 



  1. Um mundo para Julius – Alfredo Bryce Echenique

  2. Rio das Flores – Miguel Sousa Tavares

  3. Os dias acabam sempre por voltar – Angelo Rinaldi

  4. Amor e Sexualidade no Ocidente – Georges Duby

  5. História das Lágrimas – Anne Vincent-Buffault

  6. Cadernos de Guerra (1939 – 1940) – Jean-Paul Sartre

  7. A História Secreta – Donna Tartt

  8. Ghostwalk - Na pista de Newton – Rebecca Stott

  9. Ainda estamos casados – Garrison Keillor

  10. Os seres felizes – Marcos Giralt Torrente


Diz o Porfírio que devo enviar este desafio a outros bloguers. É claro que está convidado quem quiser. Gostaria, no entanto, de nomear alguns:



E segue o desafio.


 

Um dia como os outros (18)

 


Foi ontem libertado um homem que passou 35 anos preso nos Estados Unidos, depois de um exame de ADN comprovar a sua inocência. (...)


 


E ainda há quem defenda a pena de morte.


 


(Também aqui)


 

Inverno como deve ser





 



 

19 dezembro 2009

Demissão tardia

 



 


Na sequência de queixas de eventuais pressões que Lopes da Mota teria exercido sobre os magistrados que investigavam o Freeport, este foi sujeito a um processo disciplinar e suspenso por 30 dias. A seguir pediu a sua demissão do Eurojust.


 


Sem prejuízo do resultado do recurso que o seu advogado vai interpor, esta demissão só peca por tardia. Neste momento já não tinha alternativa.


 


Continuam a faltar esclarecimentos importantes: Lopes da Mota agiu por conta própria ou essas pressões foram encomendadas? Por quem e com que razão?


 


Esperemos os novos desenvolvimentos deste caso e o encerramento do Freeport que, apesar de andar arredado das notícias de primeira página e de abertura dos telejornais, continua sem uma conclusão.


 


(Também aqui)


 


Adenda: encerramento do caso Freeport e não do Freeport, como bem notou JNR.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...