04 novembro 2009

Falta de seriedade

 


A proposta do CDS/PP sobre a avaliação do desempenho dos professores contém:



  • A enumeração de objectivos por parte dos avaliados, que têm que estar em consonância com os objectivos enunciados pela própria escola

  • A entrega, no fim de cada ano, por parte dos avaliados, de um relatório, portfolio de auto-avaliação, onde estarão discriminados os objectivos atingidos, as acções de formação organizadas/participadas, trabalhos efectuados, dentro do espírito da formação contínua.


Os avaliadores são o conselho pedagógico e o presidente do conselho executivo (que pode delegar noutras pessoas/docentes) e deve avaliar (entre outros):



  • O relatório da auto-avaliação, avaliando o seu acordo/desacordo com ele, com recurso a entrevistas individuais

  • O nível de assiduidade dos docentes

  • O grau de cumprimento dos serviços distribuídos (componente lectiva e não lectiva), avaliando prazos e objectivos alcançados

  • Participação do avaliado na comunidade escolar

  • Acções de formação frequentadas

  • Participação em projectos (investigação/desenvolvimento educativo)

  • Grau de cumprimento dos objectivos fixados


As classificações são de 1 a 10, divididas em insuficiente, regular, bom, muito bom e excelente.


 


A diferença entre esta proposta e a que está em vigor é que não inclui a avaliação da componente científico pedagógica, com assistência pelos avaliadores às aulas dos avaliados.


 


Falta muita seriedade na discussão deste tema. O oportunismo e a demagogia do CDS e de Mário Nogueira são, de facto, notáveis.


 


(Também aqui)


 

02 novembro 2009

Um dia como os outros (3)

 


Hamid Karzai foi declarado o vencedor das eleições presidenciais no Afeganistão. O simulacro de democracia desapareceu definitivamente deslegitimando todo o processo eleitoral.


 


Entretanto os talibãs paquistaneses continuam a sua acção, matando mais 34 pessoas em Rawalpindi.


 


(Também aqui)


 

I am I

 


To John Middleton Murry

Mid-April (?), 1925, London





In the last 10 years — gradually, but deliberately — I have made myself into a machine. I have done it deliberately — in order to endure, in order not to feel — but it has killed V. In leaving the bank I hope to become less a machine — but yet I am frightened — because I don’t know what it will do to me — and to V — should I come alive again. I have deliberately killed my senses — I have deliberately died — in order to go on with the outward form of living — This I did in 1915. What will happen if I live again? “I am I” but with what feelings, with what results to others — Have I the right to be I — But the dilemma — to kill another person by being dead, or to kill them by being alive? Is it best to make oneself a machine, and kill them by not giving nourishment, or to be alive, and kill them by wanting something that one cannot get from that person? Does it happen that two persons’ lives are absolutely hostile? Is it true that sometimes one can only live by another’s dying? (...)


 



 


Cartas inéditas de T. S. Eliot


 


V (Vivienne Eliot) - mulher de T. S. Eliot


 


John Middleton Murry - escritor, crítico literário e marido da escritora Katherine Mansfield


 

O cerco

 



The Siege of a Castle

George Kruger Gray


 


Mário Nogueira desdobra-se em conselhos e declarações ao governo e à oposição, chegando ao desplante de avisar o governo que era melhor que este suspendesse a marcação dos calendários para o novo ciclo avaliativo.


 


Mário Nogueira desdobra-se em contactos e compromissos, chegando-se ao espantoso de se ouvir, no último expresso da meia-noite, o CDS, pela voz de Diogo Feio, dizer que o modelo de avaliação do desempenho deve basear-se na auto-avaliação e que deve ser feito apenas de 4 em 4 anos.


 


Ouvimos também a defesa, por parte de Mário Nogueira, Diogo Feio e Pedro Duarte, do fim da divisão artificial entre duas categorias de professores, acabando com o Estatuto da Carreira Docente.


 


Ouvimos Diogo Feio dizer que o governo, cujos secretários de estado ainda não tinham tomado posse e cujo programa ainda nem sequer tinha sido aprovado, deveria ter dado um importantíssimo sinal no importantíssimo dia 31 de Outubro, de que suspenderia a política de educação do último governo.


 


Talvez fosse conveniente ler a famosa proposta do CDS/PP, se é a que consegui encontrar na internet (penso ser a proposta elaborada para a Assembleia da República, que foi convenientemente chumbada pela ausências dos deputados do PSD) e compará-la com a lei em vigor que, já agora, convinha cumprir.


 


Ouvimos Mário Nogueira dizer que tinha sido uma boa notícia para os professores a substituição de Maria de Lurdes Rodrigues como ministra da Educação. Pois é pena que também não tivesse sido substituído o líder da FENPROF. Teria sido uma excelente notícia para os professores e para o país.


 


(Também aqui)

 

Histórias

 



Museu Casa das Histórias


 


Dalila Rodrigues é uma pessoa polémica e pouco consensual, o que não é necessariamente uma boa ou uma má característica.


 


Mas o que a mim me espanta é a falta de pedidos de esclarecimento, de indignação e de manifestações de apoio pela anunciada não recondução de Dalila Rodrigues como directora do museu Casa das Histórias.


 


Será que o facto de ter sido a Câmara de Cascais, cuja presidência é do PSD, a colocar reticências à sua recondução, ao contrário do que aconteceu com o Museu de Arte Antiga, em 2007, que foi protagonizado pela Ministra da Cultura, do PS, é apenas uma simples e peculiar coincidência?


 


Adenda: estou sempre a ser ultrapassada pelos acontecimentos.


 


(Também aqui)


 

01 novembro 2009

Um dia como os outros (2)

 


Um novo começo


 


(...) Mas não escamoteamos o facto de ser nossa primeira obrigação repor essa credibilidade ameaçada, conscientes que estamos da percepção pública de um excesso de peso ideológico no jornal. Acreditamos num jornalismo culto e responsável, que desafia o sensacionalismo e as agendas informativas cada vez mais estreitas. (…)




Os editoriais, a partir de hoje, deixarão de ser assinados. Os editoriais expressarão o pensamento desta direcção e deste jornal sobre o mundo que procuramos descrever, compreender e analisar página a página. Não queremos doutrinar nem vender receitas. Queremos interrogar o mundo. Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos. (...)


 



Não serviremos governos, nem procuraremos certificados de bom comportamento. Prosseguiremos uma nova etapa do caminho, no respeito pelos valores que nos guiam desde o primeiro dia. (...)

 


(Também aqui)


 

Detalhes

 



Salvador Dali


Les Chants de Maldoror


 


Nas sombras que nos distinguem

no arrastar do tempo em que já não seremos

há sólidos murmúrios de cansaço

em que contamos os dias sem somar

pequenos detalhes de desgaste.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...