05 outubro 2009

Adopção de crianças

 



 


Em relação à adopção de crianças devo esclarecer que não tenho qualquer opinião de princípio quanto à adopção de crianças por casais homossexuais, tais como a não tenho por casais heterossexuais ou por famílias monoparentais. As pessoas candidatas à adopção devem ser avaliadas uma a uma, e os casais deverão sê-lo casal a casal.


 


Na vida real há crianças em famílias de todos os tipos e feitios e não é o facto de estarem em famílias resultantes de casais heterossexuais que as transformam em heterossexuais ou homossexuais, gordos ou magros, calmos ou agitados, preguiçosos ou trabalhadores, etc. Tanto quanto sei, há alguns estudos com resultados sobreponíveis e que demonstram que a orientação sexual dos pais/educadores não influenciam os comportamentos (sexuais ou outros) das crianças.


 


Por outro lado é preciso que ressalve o facto de a maior parte dos artigos sobre trabalhos científicos que são abordados nos jornais são-no, salvo honrosas excepções, de uma forma incorrecta, pouco rigorosa e realçando frases que, inclusivamente, são retiradas do contexto em que foram proferidas.


 


Após este preâmbulo fiquei perplexa com o artigo que saiu no DN online de hoje, citando um estudo efectuado por Vanessa Ramalho, sob a orientação do pedopsiquiatra Eduardo Sá, intitulado Homoparentalidade: estudo da adequação homoparental, tendo como base (quantas entrevistas?/durante quanto tempo?/como foram seleccionados os casais?/...) 25 heterossexuais e 25 homossexuais (depreendo que sejam casais com filhos adoptados, porque isso não é referido, tal como não é referido o método de estudo), que


 


(...) E vai ao ponto de afirmar que pais homossexuais até podem trazer vantagens para a educação de uma criança*, até porque um filho resulta, em geral, de muita ponderação e tempo de espera. (...)


 


E eu, que entendo a orientação sexual como uma característica pessoal, que não é desvantagem para coisa nenhuma, nomeadamente para adoptar crianças, chego à conclusão que, pelo contrário, ser heterossexual até pode ser um óbice no que diz respeito à adopção e educação de crianças.


 


Partindo do princípio que o estudo citado tem muito pouco a ver com a redacção do artigo do DN, percebem-se os seus objectivos. No entanto, este tipo de notícias não defende a causa a favor da adopção por homossexuais nem a credibilidade e o rigor científicos de quem os faz e de quem os divulga.


 


Nota: * realce meu.


 

A República no Palácio de Belém

 



 


Desta vez estou totalmente de acordo com o Presidente da República.


 


(...) A República desconhece privilégios de nascimento, porque premeia o mérito e a vontade de alcançar uma vida melhor. É um regime de inclusão, que tem de conceder oportunidades iguais para a realização pessoal, familiar e profissional das pessoas.


 


Numa República, não podem existir barreiras artificiais entre o poder e o povo. Os governantes têm de conhecer a realidade do País. E os cidadãos, por seu turno, têm o dever de participar na vida cívica, ao invés de se queixarem sistematicamente do Estado ou da classe política.


 


Temos de vencer a tendência para nos lamentarmos de tudo e de todos, e de pouco fazermos para melhorar o que é de tudo e que é de todos.(...)





(...) Em nome de Portugal, façam o que está ao vosso alcance para que os nossos filhos vivam numa República melhor, num País mais próspero, mais justo e solidário.


 

Viva a República

 



 


O regime republicano é, em oposição ao monárquico, a essência do pensamento democrático. Qualquer homem ou mulher, independentemente da raça, posição social ou credo religioso, pode ser o representante do país se legitimado pelo voto popular.


 


A 5 de Outubro de 1910 caiu o regime monárquico em Portugal.


 


Viva a República Portuguesa.

04 outubro 2009

Um dia

 



 


Mercedes Sosa é uma das permanentes moradoras desta casa.


 


 


Um dia morreremos com o corpo todo


os olhos mais abertos do que em vida


o sangue pesado espesso lívido.


Um dia serão as pernas que esquecem os braços


será a boca que esquece a língua


será a palavra que esquece a memória.


 


 


Um dia olharemos este invólucro marmóreo e frio


por nós abandonado e esquecido


de feridas abertas extintas


nas cinzas exangues árduas secretas.


 

Carmina Burana

 



Classical Symphony Orchestra in Kinshasa


 


(...) Estes são alguns dos homens e mulheres que querem tornar a RDCongo conhecida mais pelo som dos seus instrumentos do que pelo barulho das balas. Em toda a África e, quem sabe, até às salas de concerto europeias.


 

Cegueira

 



pintura de Tanya Bonello: the rise and fall


 


Ninguém nos mostrou esse futuro que talhámos, com carícias e sorrisos, ninguém nos falou dos abismos que falhámos, dos profundos sulcos que atravessámos, penosamente, em busca do leite e do mel. Ninguém nos vislumbrou a terra que lavrámos com as mãos, o ar que apunhalámos com a nossa dor, ninguém nos senta nos tronos que esperámos.


 


Arrastar e gravar as rugas, alimentar o caldo onde vivemos gota a gota, dia a dia, cair e levantar e sangrar e arder de tristeza, de ódio, de desesperança, morder os frutos envenenados, escolher o ar, escolher de entre os poros de luz algumas estrelas.


 


E talvez, por momentos, por breves instantes, por inexcedíveis arroubos de paixão, todos os trilhos caóticos passam a fazer sentido.


 


Uma e outra vez, sempre.

 

03 outubro 2009

Dos compromissos

 


O resultado destas eleições mostra uma maioria de votos e percentual se somarmos as votações do PS com as do BE e da CDU. Mas esse grupo é demasiado heterogéneo para que a soma resulte num compromisso, como se pede no manifesto Compromisso à Esquerda.


 


O PS foi mandatado para governar e para cumprir um programa que, em muitos e importantes aspectos, é diferente dos programas dos partidos à sua esquerda. Houve compromissos assumidos com os eleitores, da parte do PS, do BE e da CDU. E esses compromissos terão que ser respeitados.


 


É claro que a esquerda terá que se entender ou ficará com o ónus de se aliar à direita para derrubar o governo. É claro que o PS terá que negociar e, espero, fa-lo-á predominantemente com a esquerda. Mas não me parece que haja bases programáticas, históricas e / ou culturais para uma coligação governamental, de incidência parlamentar ou de outro tipo. As experiências autárquicas são positivas, mas são autárquicas, não são nacionais.


 


As negociações deverão ser caso a caso, até porque já começaram as movimentações para cobrar as promessas eleitorais, da esquerda e da direita. A FENPROF já veio dizer que aguarda um sinal de que se vai suspender a avaliação de desempenho dos professores e o estatuto da carreira docente.


 


Penso que os partidos de esquerda devem assumir as suas responsabilidades. O PS como partido do governo deve procurar os entendimentos que achar necessários, a oposição deve viabilizar os entendimentos que entender exequíveis. Penso que esta solução será a melhor tradução dos compromissos eleitorais.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...