09 setembro 2009

Saúde engripada













 









A pandemia de gripe A está a canibalizar toda a política de saúde. A 3 semanas das eleições legislativas a explicação do que foi feito durante 4 anos assim como o que ficou por fazer, a discussão das propostas para o futuro e as diferenças entre os programas deveriam estar na agenda do partido do governo.


 


Porque, ao contrário do que se tem repetido até à exaustão, mais uma vez pela santa aliança entre os partidos à direita e à esquerda do PS, foram iniciadas reformas importantíssimas na última legislatura.


 


A reforma dos cuidados primários é essencial para a reforma do SNS. Claro que todos os partidos estão de acordo em que se deveria ter feito mais. Mas a verdade é que foi feita alguma coisa com a criação das USF, que modifica a forma de organização existente nos Centros de Saúde, com aumento da multidisciplinaridade dos profissionais, alargamento de horários e de oferta de consultas, assistênca ao domicílio e exames complementares de diagnóstico, reduzindo significativamente o número de utentes sem médico de família.


 


Iniciou-se uma urgentíssima reorganização e referenciação da rede das urgências hospitalares, bandeira única da demagogia e da manipulação das populações, mas que melhora objectivamente a igualdade de acesso a verdadeiros serviços de urgência, com concentração de escassos recursos humanos e técnicos e melhoria da qualidade de assistência médica. O mesmo foi feito com o fechamento das maternidades que não cumpriam os requisitos mínimos internacionalmente aceites, garantindo que as grávidas e os recém-nascidos tivessem uma assistência de qualidade, independentemente do local de residência e da sua capacidade económica.


 


O problema da não rentabilização dos recursos instalados nos Hospitais, com a implementação do controlo de assiduidade, com a clarificação das incompatibilidades entre o serviço público e privado, problema recorrente e que levanta sempre grande celeuma, foi um passo importantíssimo para a melhor utilização daquilo que é a capacidade do SNS.


 


A importantíssima decisão de alterar o regime das farmácias hospitalares, investindo mais na generalização da prescrição de genéricos, deve ser continuada com a implementação da prescrição por DCI e com a possibilidade de despensa de unidose.


 


Há muito a fazer em todos estes sectores e noutros. Era importante que os responsáveis do PS valorizassem o seu Ministério e explicassem as suas propostas, pois urge perceber que há mais problemas e mais projectos para além da pandemia de gripe A e seu combate.


 


Nota: Também aqui.








 

08 setembro 2009

Auto-estradas do Centro

 


Afinal José Sócrates tinha razão.


 


Segundo o DE, a Estradas de Portugal recomendou a não adjudicação da concessão à Mota-Engil e à Edifer pelos grandes desvios (superiores em mais de 100%) entre os preços iniciais e os preços finais.


 


Francisco Louçã estava equivocado.


 


Nota: Também aqui.


 

Combate 6 - BE contra PS - rescaldo

 


Sócrates conseguiu desmontar a demagogia populista de esquerda de Francisco Louçã, não largando a perda dos benefícios fiscais, fazendo com que Francisco Loução perdesse um pouco o ar professoral, de superioridade moral que o caracteriza. O acenar de Sócrates com o aumento fiscal para a classe média foi arrasador, mas insistiu demasiado.


 


Louçã conseguiu atrapalhar Sócrates nas adjudicações das autoestradas e nos contentores.


 


Francisco Loução descompôs-se; Sócrates recompôs-se.


 


Judite de Sousa foi totalmente ignorada.


 


Penso que José Sócrates ultrapassou muito bem este debate.


 


Nota: Também aqui.


 

07 setembro 2009

O descrédito do PSD

 


É impossível não comentar a extraordinária afirmação de Manuela Ferreira Leite sobre a ausência de asfixia democrática na Madeira. Mas o mais fantástico foi a justificação:


 


"quem legitima o poder é o voto do povo e não está ninguém aqui por imposição, é em resultado dos votos"


 


Então Sócrates não foi eleito? Ou será que Manuela Ferreira Leite duvida das eleições de há 4 anos?


 


A credibilidade de Manuela Ferreira Leite e do PSD acaba-se rapidamente com este tipo de declarações. O aproveitamento que fez do caso TVI, muito bem desmontado por Carlos Santos, resulta em reacções como a de Daniel Proença de Carvalho, que distingue entre liberdade de expressão e atentado ao bom nome, difamação e acusações na praça pública.


 


Saíram as primeiras sondagens para as legislativas. Há ainda muito para fazer.


 


Nota: Também aqui.


 

06 setembro 2009

Combate 4 - PSD contra BE / BE contra PSD - rescaldo

 


Mais um debate civilizado, o que é excelente, mais BE contra PSD.


 


Ficaram bem patentes as diferenças entre o BE e o PSD. Mas essas diferenças já eram conhecidas.


 


Aquilo que me espantou foi ter assistido ao arrasar do programa eleitoral (inexistente) do PSD, obrigando-se Manuela Ferreira Leite a concordar pontualmente com Francisco Louçã e a desdizer o pouco que lá está escrito, como por exemplo na segurança social, por um pregador que do seu púlpito falou da liberdade e da responsabilidade, da grandeza da democracia, da violência da insensibilidade, etc.


 


Na questão do emprego e do desemprego Francisco Louçã exibia o sorriso do vencedor. Na saúde Manuela Ferreira Leite acenou com as listas de espera para morrer mas foi de imediato cilindrada pela necessidade que o sistema privado tem de se socorrer do público, precisamente nas áreas mais críticas dos cuidados intensivos, da oncologia, etc. Manuela Ferreira Leite esteve bem quando apelidou as taxas moderadoras para os internamentos e cirurgias de um imposto.


 


Por fim, de uma maneira cordata e serena, Francisco Louçã conduziu Manuela Ferreira Leite para o cadafalso quando se falou do casamento entre homossexuais, uniões de facto e procriação medicamente assistida. Num frenesim, Francisco Louçã perorou sobre a felicidade e o direito de amar que o Estado deve garantir a todo o indivíduo, encurralando Manuela Ferreira Leite no reconhecimento da evolução da sociedade que já não considera isso um tabu, sem sabermos exactamente o que era isso.


 


Louçã esmagou.


 


Nota: Também aqui.

 

De mais ninguém

 



Canta Marisa Monte


 


 


Se ela me deixou a dor,

É minha só, não é de mais ninguém

Aos outros eu devolvo a dó

Eu tenho a minha dor

Se ela preferiu ficar sozinha,

Ou já tem um outro bem

Se ela me deixou,

A dor é minha,

A dor é de quem tem...

 


É meu troféu, é o que restou

É o que me aquece sem me dar calor

Se eu não tenho o meu amor,

Eu tenho a minha dor

A sala, o quarto,

A casa está vazia,

A cozinha, o corredor.

Se nos meus braços,

Ela não se aninha,

A dor é minha, a dor.

 


Se ela me deixou a dor,

É minha só, não é de mais ninguém

Aos outros eu devolvo a dó

Eu tenho a minha dor

Se ela preferiu ficar sozinha,

Ou já tem um outro bem

Se ela me deixou,

A dor é minha,

A dor é de quem tem

mmmh...mmmh...

 


É o meu lençol, é o cobertor

É o que me aquece sem me dar calor

Se eu não tenho o meu amor,

Eu tenho a minha dor

A sala, o quarto,

A casa está vazia,

A cozinha, o corredor.

Se nos meus braços,

Ela não se aninha,

A dor é minha, a dor.

mmmh mmmh...


 

Combate 4 - PSD contra BE / BE contra PSD

 



 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...