Hoje debatem Luís Novaes Tito pelo SIMplex:
e Nuno Freitas, pelo Jamais.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
O Beco dos Milagres, de Naguib Mafhouz, fala-nos de um mundo nos arredores do Cairo, durante a II Guerra Mundial. Poderia ser agora e poderia ser noutro lugar. São pessoas nas suas diversas facetas, sem moralismos ou encobrimentos, que vivem dos seus defeitos e das suas qualidades, uns com os outros, uns para os outros, velhos e novos, ricos e pobres.
O grande comerciante que se envenena com o medo da morte, a mulher jovem que sonha com dinheiro e grandeza sem olhar à moral e aos bons costumes, o homem que fabrica deformidades aos mendigos profissionais, o dono do café que é homossexual, o rapaz humilde e pouco ambicioso que se arranca do beco para agradar à sua amada, o homem bom e temente a Deus que sofreu muito e é feliz, o oráculo, a viúva que quer casar, a casamenteira, a mulher forte que bate no marido fraco, enfim, todos os buracos e os voos da alma humana.
Muito interessante e bem escrito (traduzido do árabe por Adel Daroga, com a colaboração de Clara Branco).
pintura de Victoria Horkan
birds of prey
Fundamo-nos em actos prosaicos
insensatos
impensados
frutos do acaso
de milissegundos de escolhas.
Fundamo-nos com as dúvidas
com que crescemos
com as dívidas
dos antepassados mais remotos
que voltam ciclicamente
para nos assombrarem.
Fundimo-nos em silêncios indiferentes
na segurança da rotina
na sapiência da solidão.
Fundimo-nos em crianças carnívoras
a quem damos o pior e o melhor
dos nossos corpos
dos nossos dentes
dos nosso seres
a seres predadores
atentos
sôfregos
independentes
soberbas aves de rapina
que nos amam e agridem
numa repulsa de amor e liberdade.
Desertamos da vida demasiado cedo
demasiado ávidos de a viver.
O Público não olha a meios para atingir os fins. Como órgão de informação, o jornal Público socorre-se de todas as artimanhas para confundir e fazer campanha contra o governo e o PS.
Hoje um dos títulos garrafais era: Cartão do cidadão vai afastar milhares dos concelhos onde querem votar, dando a entender que a existência do cartão de eleitor impedirá que os cidadãos votem na autarquia que quiserem.
Ora os eleitores não podem inscrever-se na autarquia que lhes apetece. Podem ser eleitores da autarquia em que se recensearam, segundo o nº 2 Artigo 239.º da Constituição Portuguesa - Órgãos deliberativos e executivos:
O que, aliás, me parece totalmente correcto. Mas poderia existir a possibilidade de escolhermos a autarquia da nossa eleição para o recenseamento. Mas não é possível, pelo menos atendendo ao Artigo 9.º da lei do recenseamento eleitoral:
Artigo 4.º - Voluntariedade - O recenseamento é voluntário para:
Ou seja, o facto do cartão de eleitor nos colocar automaticamente na nossa freguesia de residência, poupando-nos a preocupação de a alterarmos quando mudamos de casa, é uma forma de reduzir a abstenção e não de a aumentar. Mas, mesmo que por isso não fosse, o cartão de eleitor apenas cumpre o que está na lei.
Se as pessoas que nasceram numa freguesia querem continuar a ter ligações com ela, não me parece que seja através do acto eleitoral.
Gostaria muito que esses responsáveis explicassem a injustiça do assunto e que nos demonstrassem de que forma, e segundo a lei, não por causa do cartão de eleitor, tal é ou tem sido possível.
Nota: também aqui.
Deitada no sofá, obedecendo ao seu pedido, sinto as mãozinhas pequenas em festas, nos meus pés. - Estou a pôr creme à vovó (carinha so...