Comecei este blogue a 5 de Novembro de 2005, um dia depois da apresentação da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, que apoiei entusiasticamente.
Senti que havia um espaço de intervenção cívica que eu poderia usar. Nunca me filiei em qualquer partido político por opção mas, sempre que posso e julgo útil, tento participar em tudo o que diz respeito à nossa vida comunitária. Porquê? Não sei bem, talvez porque goste de debater e expor as minhas opiniões e também porque acho que é um dever de todos os que acreditamos na democracia.
Fui aprendendo a olhar para a blogosfera como uma forma de me informar e de, naquilo que posso, informar também, um espaço de debate público que se vai atrofiando noutras esferas, uma forma de divulgar música, poesia, de conhecer outras opiniões, outras poesias, outras músicas, outros olhares.
Apercebi-me também da enorme agressividade e voracidade de pessoas que, não assumindo a sua identidade, pululam pelas caixas de comentários destilando ressentimentos, frustrações, má educação e má formação. Mas em tal quantidade que chega a assustar. Não percebo se são casos psiquiátricos ou se são uma forma estudada e combinada de pressionar para que deixe de se dizer aquilo que se diz.
Quando leio e ouço figuras com responsabilidade falarem da falta de liberdade de expressão e do medo que se sente em Portugal, fico espantada. Talvez olhando para o que se passa no Irão se perceba o que é, de facto, uma ditadura. O que falta em Portugal é o hábito de debater assuntos e opiniões, ideias e pensamentos, sem se denegrir e atacar quem os emite quando faltam os argumentos.
Pois eu continuarei a expor aquilo em que acredito. Não me deixo atemorizar por gente sem escrúpulos, com fraco entendimento do que é pensar e debater ideias e cuja percepção da democracia é insultar tudo e todos, a coberto do anonimato. A isso chamo falta de carácter e cobardia.
Adenda: pelo facto de haver uma pessoa que pretende usar o blogue para uma espécie de perseguição pessoal, o assunto deixou de ser apenas sobre a loucura e passou a ser policial. Quando recebo mensagens destinadas a endereços que não são públicos, passamos a estar perante aquilo que em inglês se designa por "stalker". Assim apaguei todos os comentários desse "comentador". Peço desculpa aos colateralmente afectados.