Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
30 maio 2009
Ouvir para crer
Pensei que tinha ouvido mal, mas não, não foram os vapores do sono nem o amolecimento cerebral matinal. Foi mesmo verdade.
Ilda Figueiredo afirma que eles querem comercializar a saúde e destruir o SNS a propósito de uma proposta sobre cuidados continuados transfronteiriços, e que eles colocaram Correia de Campos em 5º lugar nas listas para o parlamento europeu precisamente para cumprir esse objectivo.
Extraordinário!
Vale a pena ouvir!
Jornalismo? (3)
Depois do Freeport vem o BPN.
Sempre defendi que o caso Freeport deve ser tratado na justiça e, caso haja culpados de crimes, no tribunal. Do caso BPN penso o mesmo, seja quem for que esteja envolvido.
É absolutamente lamentável a notícia que sai na primeira página do Expresso. Cavaco Silva comprou e vendeu acções da SLN, assim como a filha, tendo ambos ganho dinheiro com isso.
Qual a relevância desta informação? É proibido comprar e vender acções, ganhando dinheiro com elas? Houve algum ilícito nessas transacções?
Não votei em Cavaco Silva, não apoio nem me revejo nas suas opções, atitudes, etc. Mas o que se está a passar nesta campanha, e se calhar em outras de que, felizmente, já me esqueci, é o aviltamento de uma actividade nobre.
Tudo serve de arma de arremesso e de achincalhamento. A abstenção eleitoral, nestas e noutras eleições, é cada vez maior. Naturalmente. As pessoas que ainda se dão ao trabalho de votar sentem-se cada vez mais distanciadas deste tipo de troca de acusações.
Este é dos piores serviços que se pode prestar à democracia.
29 maio 2009
Indignidades
Dignidade - (...) Procedimento que atrai o respeito dos outros (dicionário priberam).
Que respeito pode atrair alguém que está à frente de um organismo público, cuja responsabilidade é escrutinar, regular e evitar que haja negócios pouco transparentes, fuga de capitais, buracos financeiros, brincadeira com o dinheiro dos contribuintes, e que se mantém nesse cargo mesmo depois de se mostrar à exaustão que nada disto foi conseguido? Que respeito se pode ter pelo organismo público, pelo cargo, pela própria pessoa?
Que respeito pode atrair alguém que está à frente de um organismo que tem por missão promover a cooperação entre estados para o combate ao crime se essa pessoa é suspeita de pressionar colegas num caso que poderá envolver directamente as suas funções? Que respeito se pode ter pelo organismo público, pelo cargo, pela própria pessoa?
Que respeito pode atrair um candidato a deputado europeu que escolhe vergonhosamente a calúnia aos militantes do PSD, figuras gradas, apelidando-os de ladrões enquanto decorre um inquérito político e um investigação judicial, em que se pede seriedade e decoro? Que respeito se pode ter pelo candidato ou pelo próprio partido que o representa?
Que respeito podem atrair as declarações de um representante do mesmo partido ao defender tamanha alarvidade, destratando alguém que tenta repor algum civismo? Que respeito se pode ter por esta pessoa?
Que respeito pode atrair um conjunto de deputados eleitos para legislarem e fiscalizarem o governo, se não são capazes de eleger como Provedor de Justiça, um indivíduo com a estatura de Jorge Miranda, apenas porque o PSD recusou que tivesse sido o PS a indicar o seu nome? Que respeito se pode ter pelo organismo público, pela função, pelos próprios deputados?
27 maio 2009
Da dignidade
Impossível não nomear o assunto do dia, que já o deveria ter sido há bastante mais dias: a demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado.
Nã está em causa a culpabilidade ou a inocência de Dias Loureiro, na embrulhada do BPN, nem está em causa o facto de um país inteiro ter estado a ouvir o manancial de acusações a várias pessoas que Oliveira e Costa fez, nem a credibilidade do próprio Oliveira e Costa.
É uma questão de dignidade individual e de dignidade da função exercida, tal como acontece com Vítor Constâncio, tal como acontece com Lopes da Mota.
Honra seja feita a esta comissão de inquérito parlamentar, que está a fazer o trabalho da justiça. Alguém que o faça.
25 maio 2009
Primeiro round
A campanha para as eleições europeias começou, ou seja continuou, sob o signo das legislativas.
Nada que tenha a ver com a Europa, política europeia, tratado de Lisboa, Parlamento Europeu, federação de Estados, Turquia, etc., tem sido totalmente eclipsado pelo ataque à política do governo PS, a crise, cartazes horrorosos, demagogia e populismo quanto baste.
Se quisesse votar de acordo com as minhas opções em relação à Europa, nunca poderia votar no PS e no PSD, pois ambos defendem as mesmas coisas (pelo que adivinhamos e vemos na prática).
Mas ninguém está minimamente interessado nas eleições europeias. O resultado das eleições de Junho será interpretado como o primeiro round e uma sondagem à boca das urnas para as legislativas.
Sendo assim, um mau resultado para o PS (que o merecia em matérias europeias) será um péssimo começo para as legislativas, dando uma oportunidade ao PSD de criar uma onda de vitória que lhe escapa. Portanto, só me resta desinteressar-me das europeias e responder à sondagem de Junho.
Procedimentos
Sempre me habituei a ler as crónicas de António Barreto com muito interesse e respeito, por longos anos de opiniões descomprometidas e, quanto a mim, certeiras e honestas, como setas em alvos, e muitas vezes incómodas.
De há algum tempo para cá tem assumido um estilo semelhante a Medina Carreira, ou seja está tudo mal, tudo horrível, nada tem conserto.
Particularmente a última crónica que publicou no Público deixou-me tão desconfortável, tão espantada pelo arrazoado de opiniões desconexas, desfasadas e ultrapassadas, numa tal cegueira e em contradição com o que já defendera, que nem sei o que pensar.
Os manuais de procedimentos têm vantagens e desvantagens, que podem ser transformadas em ridículo sempre que se queira. Mas são feitos para que haja uniformidade nos procedimentos, para que as normas sejam idênticas e cumpridas da mesma forma por toda a gente. É um dos objectivos de quem está perante uma prova, ter as informações o mais detalhadas possível, todos perante as mesmas circunstâncias. Em qualquer laboratório são essas normas e esses manuais que garantem que todos procedam seguindo os mesmos rigorosos critérios, permitindo resultados fiáveis e reprodutíveis.
Quanto à forma como António Barreto se refere aos professores e à sua cruz diária, à dificuldade do ano e ao autoritarismo da Ministra, foi a melhor maneira de deitar para o lixo qualquer hipótese de reforma que contrarie o poder instalado na escola pública, fantástica que estava e tem estado nestes últimos 30 anos, em rigor, exigência, disciplina, etc.
A crónica de António Barreto demonstra, mais uma vez, que alguém que se queira importar e lutar para mudar qualquer coisa., tem a total incompreensão de todos, mesmo de quem sempre defendeu precisamente o caminho de maior exigência e melhor trabalho nas escolas.
Foram feitos erros, sem dúvida, mas assistimos, nesta legislatura, a uma honesta tentativa de exigir mais e melhor da escola, talvez a única desde o 25 de Abril.
A mudez perante o indizível
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