21 abril 2009

Camadas

 



(pintura de Yves Klein: Untitled Fire Painting)


 


Retiro camadas às letras que escrevo.

 


Descarnadas línguas de fogo e neve

desaparecem marcadas

como as memórias que queremos apagar.


 

Quase não respira

 



Poema de José Agostinho Baptista


Foto de Jack Robinson:


Two Nuns Walking on Canal Street



 


Quase não respira,


entre os lençóis azuis, imóveis,


que as irmãs da bondade estendem, sem


remorso nem fadiga,


para o seu corpo deitado.


 


Alguém fechou as cortinas.


A penumbra oculta as formas imprecisas dos


ombros nus.


O peito levanta-se e cai como se os


inesperados ventos da ira percorressem os


quatro cantos da casa.


 


Ouve-se, ao longe, um sino,


e os cães ladram.


Ninguém sabe que está aqui, que mal respira,


entre os lençóis azuis,


imóveis,


que as irmãs estenderam,


ao verem os clarões no deserto,


o regresso dos exércitos vencidos.


 


Talvez pense nos atalhos da montanha que


pela noite descia, até ao vale do assombro,


rodeado de lanternas que dançavam.


Via essas mulheres de longas vestes,


em círculo,


nomeando o inominável,


e não tinha medo.


 


Quando chove,


ele fecha os olhos que perderam a cor da sua


infância de melros e roseiras bravas.


Agora,


tudo é cego,


tudo é silêncio.


 

Casta Diva

 


 



 


Maria Callas - Casta Diva


Norma - Vicenzo Bellini


 

Prémios

 


Tenho estado muito desatenta a certos gestos de apreço que algumas pessoas me têm mostrado, o que é imperdoável. Não tenho qualquer desculpa.


 


Mas mesmo atrasados, e com o pedido de compreensão pelos citados bloguers, vou fazer seguir as correntes:


 


O primeiro para uma primeiríssima preferência minha, pela pessoa que vamos tendo o privilégio de ler.


 



 


O segundo pela gentileza de me ter dado este presente, a quem passei a visitar com frequência.


 



 


Sendo assim, vou já reencaminhar estes prémios a quem de direito, publicando desde já as regras para continuar a cadeia:



  • Reencaminhar este prémio a 10 blogs

  • Exibir a imagem do prémio

  • Postar o link do blog que o premiou

  • Indicar 10 blogs para fazerem parte do "este blog é tão bom que até arrepia"

  • Avisar os indicados

  • Publicar as regras

     


E o nomeados são:



  1. Anacruzes

  2. bonstempos hein?!

  3. Café del Artista

  4. Contra Capa

  5. DER TERRORIST

  6. Garfadas on line

  7. Grama a Grama

  8. Herdeiro de Aécio

  9. Ponto de Cruz

  10. MÁTRIA MINHA


Não há pragas para quem não seguir a corrente!


 

Europeias (1)

 



 


Ontem, quebrando uma promessa feita a mim própria, fiquei a ver o programa Prós & Contras.



A única coisa que consegui, aliás como das outras vezes, foi ficar com uma enervação, uma desilusão e uma revolta enormes, para além da insónia.



É verdade, estou uma exagerada. Mas este tipo de espectáculos deploráveis que os nossos candidatos nos oferecem é mais um motivo para a descredibilização da política, para o afastamento entre os políticos e os cidadãos, para a descrença no sistema democrático.




Ninguém falou da Europa nem das políticas europeias. A reboque da crise e da luta política para as legislativas, foi o vale tudo. O programa, pessimamente conduzido por uma Fátima Campos Ferreira que parecia comprazer-se com aquela algazarra, permitindo que o programa se transformasse numa espécie de governo contra oposição de baixo nível, chegando a rir-se das figuras que se faziam (na verdade davam mais vontade de chorar), foi um mostruário de demagogia, golpes baixos e incapacidade de debate de ideias, que seguramente estão ausentes de todas aquelas cabeças.



Vital Moreira foi de uma desonestidade intelectual a toda a prova, com uma pose de superioridade moral totalmente fora de contexto, conseguindo fazer corar de vergonha qualquer pessoa quando, a propósito não sei de quê, resolveu dizer a Paulo Rangel que não tinha sido nomeado para resolver um problema interno do partido. Extraordinariamente também não conseguia avaliar a actuação de Durão Barroso porque ele ainda não tinha acabado de cumprir o mandato.



Paulo Rangel, com a sua forma gongórica e redonda foi atrás de todos e a propósito do que iam dizendo lá se indignava com o depauperamento moral do seu adversário Vital Moreira, não se excluindo da desvergonha ao lembrar o passado político de Vital Moreira e a sua desvinculação do PCP.



Ilda Figueiredo disse o costume, com a entoação do costume, contra aquilo que é costume, com um tom exactamente igual ao de Mário Nogueira. Não se distinguem os dois discursos. Mas, pelo menos, não foi abjecta.



Miguel Portas foi o que mais tentou discutir matérias europeias. Mas a demagogia pura, o encostar-se a torto e a direito a Manuel Alegre totalmente a despropósito e o tom de educador da classe operária, estragaram tudo.



Nuno Melo teve muita convicção sobre nada e coisa nenhuma, atirando números sobre QREN e outras siglas sem que ninguém tivesse percebido se era ou não verdade o que dizia.



Das bancadas ouviam-se gritos e dichotes de Ana Gomes, de Edite Estrela e de outras figuras que não consegui identificar.



Este foi apenas o primeiro debate. Nem quero imaginar como serão os últimos.


 

18 abril 2009

Viva La vida

 



(Coldplay)


 


I used to rule the world

Seas would rise when I gave the word

Now in the morning I sweep alone

Sweep the streets I used to own


 


I used to roll the dice

Feel the fear in my enemy's eyes

Listen as the crowd would sing:

"Now the old king is dead! Long live the king!"


 


One minute I held the key

Next the walls were closed on me

And I discovered that my castles stand

Upon pillars of salt and pillars of sand


 


I hear Jerusalem bells a ringing

Roman Cavalry choirs are singing

Be my mirror my sword and shield

My missionaries in a foreign field

For some reason I can't explain

Once you go there was never, never an honest word

That was when I ruled the world

(Ohhh)


 


It was the wicked and wild wind

Blew down the doors to let me in

Shattered windows and the sound of drums

People couldn't believe what I'd become


 


Revolutionaries wait

For my head on a silver plate

Just a puppet on a lonely string

Oh who would ever want to be king?


 


I hear Jerusalem bells a ringing

Roman Cavalry choirs are singing

Be my mirror my sword and shield

My missionaries in a foreign field

For some reason I can't explain

I know Saint Peter will call my name

Never an honest word

But that was when I ruled the world

(Ohhhhh Ohhh Ohhh)


 


I hear Jerusalem bells a ringing

Roman Cavalry choirs are singing

Be my mirror my sword and shield

My missionaries in a foreign field

For some reason I can't explain

I know Saint Peter will call my name

Never an honest word

But that was when I ruled the world

Oooooh Oooooh Oooooh

 

O vídeo Freeport da TVI

Estive a ver o famoso vídeo sobre o Freeport e há várias coisas que não percebo (e quem fazia as perguntas também não…).



  1. Qual o exacto montante de dinheiro que foi usado para o suborno? Fala-se em 500.000, não se sabe se euros, libras ou contos, e posteriormente em 2 ou 3 milhões de euros.

  2. A quem foi pago o dinheiro? Segundo Charles Smith foi pago em dinheiro vivo a um homem de Sócrates que, mais tarde, é identificado como o primo, mas também se fala no Secretário de Estado do Ambiente.

  3. Como foi pago o dinheiro? Segundo Charles Smith foi pago durante 2 anos, entre 2002 e 2003 após a aprovação do projecto, altura em que o PS não estava no governo. A ser verdade e dividindo 500.000 por 24 meses, Sócrates, o primo ou o Secretário de Estado do Ambiente recebeu 20.833,33 euros, libras ou contos por mês.

  4. Qual o objectivo de pagar um suborno para aprovar um projecto se o projecto já tinha sido aprovado, estando ainda por cima o PS na oposição, não se fazendo ideia quando poderia voltar ao poder?

  5.  


Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...