(pintura de Yves Klein: Untitled Fire Painting)
Retiro camadas às letras que escrevo.
Descarnadas línguas de fogo e neve
desaparecem marcadas
como as memórias que queremos apagar.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
(pintura de Yves Klein: Untitled Fire Painting)
Retiro camadas às letras que escrevo.
Descarnadas línguas de fogo e neve
desaparecem marcadas
como as memórias que queremos apagar.
Poema de José Agostinho Baptista
Foto de Jack Robinson:
Two Nuns Walking on Canal Street
Quase não respira,
entre os lençóis azuis, imóveis,
que as irmãs da bondade estendem, sem
remorso nem fadiga,
para o seu corpo deitado.
Alguém fechou as cortinas.
A penumbra oculta as formas imprecisas dos
ombros nus.
O peito levanta-se e cai como se os
inesperados ventos da ira percorressem os
quatro cantos da casa.
Ouve-se, ao longe, um sino,
e os cães ladram.
Ninguém sabe que está aqui, que mal respira,
entre os lençóis azuis,
imóveis,
que as irmãs estenderam,
ao verem os clarões no deserto,
o regresso dos exércitos vencidos.
Talvez pense nos atalhos da montanha que
pela noite descia, até ao vale do assombro,
rodeado de lanternas que dançavam.
Via essas mulheres de longas vestes,
em círculo,
nomeando o inominável,
e não tinha medo.
Quando chove,
ele fecha os olhos que perderam a cor da sua
infância de melros e roseiras bravas.
Agora,
tudo é cego,
tudo é silêncio.
Tenho estado muito desatenta a certos gestos de apreço que algumas pessoas me têm mostrado, o que é imperdoável. Não tenho qualquer desculpa.
Mas mesmo atrasados, e com o pedido de compreensão pelos citados bloguers, vou fazer seguir as correntes:
O primeiro para uma primeiríssima preferência minha, pela pessoa que vamos tendo o privilégio de ler.
O segundo pela gentileza de me ter dado este presente, a quem passei a visitar com frequência.
Sendo assim, vou já reencaminhar estes prémios a quem de direito, publicando desde já as regras para continuar a cadeia:
E o nomeados são:
Não há pragas para quem não seguir a corrente!
Ontem, quebrando uma promessa feita a mim própria, fiquei a ver o programa Prós & Contras.
A única coisa que consegui, aliás como das outras vezes, foi ficar com uma enervação, uma desilusão e uma revolta enormes, para além da insónia.
É verdade, estou uma exagerada. Mas este tipo de espectáculos deploráveis que os nossos candidatos nos oferecem é mais um motivo para a descredibilização da política, para o afastamento entre os políticos e os cidadãos, para a descrença no sistema democrático.
Ninguém falou da Europa nem das políticas europeias. A reboque da crise e da luta política para as legislativas, foi o vale tudo. O programa, pessimamente conduzido por uma Fátima Campos Ferreira que parecia comprazer-se com aquela algazarra, permitindo que o programa se transformasse numa espécie de governo contra oposição de baixo nível, chegando a rir-se das figuras que se faziam (na verdade davam mais vontade de chorar), foi um mostruário de demagogia, golpes baixos e incapacidade de debate de ideias, que seguramente estão ausentes de todas aquelas cabeças.
Vital Moreira foi de uma desonestidade intelectual a toda a prova, com uma pose de superioridade moral totalmente fora de contexto, conseguindo fazer corar de vergonha qualquer pessoa quando, a propósito não sei de quê, resolveu dizer a Paulo Rangel que não tinha sido nomeado para resolver um problema interno do partido. Extraordinariamente também não conseguia avaliar a actuação de Durão Barroso porque ele ainda não tinha acabado de cumprir o mandato.
Paulo Rangel, com a sua forma gongórica e redonda foi atrás de todos e a propósito do que iam dizendo lá se indignava com o depauperamento moral do seu adversário Vital Moreira, não se excluindo da desvergonha ao lembrar o passado político de Vital Moreira e a sua desvinculação do PCP.
Ilda Figueiredo disse o costume, com a entoação do costume, contra aquilo que é costume, com um tom exactamente igual ao de Mário Nogueira. Não se distinguem os dois discursos. Mas, pelo menos, não foi abjecta.
Miguel Portas foi o que mais tentou discutir matérias europeias. Mas a demagogia pura, o encostar-se a torto e a direito a Manuel Alegre totalmente a despropósito e o tom de educador da classe operária, estragaram tudo.
Nuno Melo teve muita convicção sobre nada e coisa nenhuma, atirando números sobre QREN e outras siglas sem que ninguém tivesse percebido se era ou não verdade o que dizia.
Das bancadas ouviam-se gritos e dichotes de Ana Gomes, de Edite Estrela e de outras figuras que não consegui identificar.
Este foi apenas o primeiro debate. Nem quero imaginar como serão os últimos.
(Coldplay)
I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning I sweep alone
Sweep the streets I used to own
I used to roll the dice
Feel the fear in my enemy's eyes
Listen as the crowd would sing:
"Now the old king is dead! Long live the king!"
One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt and pillars of sand
I hear Jerusalem bells a ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
Once you go there was never, never an honest word
That was when I ruled the world
(Ohhh)
It was the wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in
Shattered windows and the sound of drums
People couldn't believe what I'd become
Revolutionaries wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?
I hear Jerusalem bells a ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know Saint Peter will call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world
(Ohhhhh Ohhh Ohhh)
I hear Jerusalem bells a ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know Saint Peter will call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world
Oooooh Oooooh Oooooh
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