21 abril 2009

Europeias (1)

 



 


Ontem, quebrando uma promessa feita a mim própria, fiquei a ver o programa Prós & Contras.



A única coisa que consegui, aliás como das outras vezes, foi ficar com uma enervação, uma desilusão e uma revolta enormes, para além da insónia.



É verdade, estou uma exagerada. Mas este tipo de espectáculos deploráveis que os nossos candidatos nos oferecem é mais um motivo para a descredibilização da política, para o afastamento entre os políticos e os cidadãos, para a descrença no sistema democrático.




Ninguém falou da Europa nem das políticas europeias. A reboque da crise e da luta política para as legislativas, foi o vale tudo. O programa, pessimamente conduzido por uma Fátima Campos Ferreira que parecia comprazer-se com aquela algazarra, permitindo que o programa se transformasse numa espécie de governo contra oposição de baixo nível, chegando a rir-se das figuras que se faziam (na verdade davam mais vontade de chorar), foi um mostruário de demagogia, golpes baixos e incapacidade de debate de ideias, que seguramente estão ausentes de todas aquelas cabeças.



Vital Moreira foi de uma desonestidade intelectual a toda a prova, com uma pose de superioridade moral totalmente fora de contexto, conseguindo fazer corar de vergonha qualquer pessoa quando, a propósito não sei de quê, resolveu dizer a Paulo Rangel que não tinha sido nomeado para resolver um problema interno do partido. Extraordinariamente também não conseguia avaliar a actuação de Durão Barroso porque ele ainda não tinha acabado de cumprir o mandato.



Paulo Rangel, com a sua forma gongórica e redonda foi atrás de todos e a propósito do que iam dizendo lá se indignava com o depauperamento moral do seu adversário Vital Moreira, não se excluindo da desvergonha ao lembrar o passado político de Vital Moreira e a sua desvinculação do PCP.



Ilda Figueiredo disse o costume, com a entoação do costume, contra aquilo que é costume, com um tom exactamente igual ao de Mário Nogueira. Não se distinguem os dois discursos. Mas, pelo menos, não foi abjecta.



Miguel Portas foi o que mais tentou discutir matérias europeias. Mas a demagogia pura, o encostar-se a torto e a direito a Manuel Alegre totalmente a despropósito e o tom de educador da classe operária, estragaram tudo.



Nuno Melo teve muita convicção sobre nada e coisa nenhuma, atirando números sobre QREN e outras siglas sem que ninguém tivesse percebido se era ou não verdade o que dizia.



Das bancadas ouviam-se gritos e dichotes de Ana Gomes, de Edite Estrela e de outras figuras que não consegui identificar.



Este foi apenas o primeiro debate. Nem quero imaginar como serão os últimos.


 

3 comentários:

  1. artesaoocioso22:13

    São as elites políticas que temos.
    Provavelmente temos o que merecemos.
    Cumprimentos

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  2. Não serei tão redutor, mas se é isto que vamos enviar para a Europa, a mesma é bem capaz exibir o letreiro "Reservado o direito de admissão".

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  3. Não vi. Dá-me ideia que não perdi muito. Dá-me ideia que não se perde muito, hoje em dia, em não ver televisão. Foi por isso que também não vi a entrevista a Sócrates. Dava-me ideia que já conhecia as perguntas e as respostas. Estive a ler sobre o assunto. Dá-me ideia que a minha ideia estava certa.

    P. S. Dá-se completa liberdade para formulação de piada ligeiramente insultuosa utilizando o termo "idiota".)

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