Ia escrever um post sobre o preconceito e a emoção. Mas a Cristina já o escreveu. Faço minhas as suas palavras.
E, já agora, assistam.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Ia escrever um post sobre o preconceito e a emoção. Mas a Cristina já o escreveu. Faço minhas as suas palavras.
E, já agora, assistam.
O total disparate que se tem feito à volta de uma canção dos Xutos e Pontapés, pelo facto de ser uma crítica ao Primeiro-ministro, é completamente ridícula.
E qual é o problema? Porquê tamanha publicidade que deu para notícia de telejornal? Os Xutos e Pontapés não podem criticar Sócrates? Isso não é normal em democracia? Porque é que os media tratam este assunto como anormal? É porque o querem transformar num facto político? Até foram entrevistar deputados pedindo-lhes uma interpretação (difícil!) para a letra da canção. E lá estavam todos, inclusivamente Manuel Alegre.
Mas não há mais nada para noticiar?
Entretanto o Sol faz-nos o obséquio de interpretar as palavras de Cavaco Silva que, obviamente, são uma duríssima crítica ao governo.
Haja paciência.
Mas a que propósito é que os médicos vão dispensar medicamentos, genéricos ou outros, directamente aos doentes? Então os médicos não aceitam, e muito bem, que lhes troquem o receituário sem a sua autorização explícita e vão passar a entregar medicamentos aos doentes?
Os médicos devem prescrever por DCI, independentemente das marcas de medicamentos, genéricos ou outros, sempre que possam confiar na garantia de qualidade dos mesmos. Isso é que é importante. Se há um Instituto Público que garante essa qualidade, não me parece que haja razões para duvidar dele.
Se há médicos que utilizem a indústria farmacêutica para seu próprio proveito, que sejam investigados e, se for caso disso, que se proceda disciplinarmente contra eles.
Mas misturarem-se concursos de medicamentos genéricos, atribuições de médicos e de farmacêuticos dá a sensação de que o que se discute não é a saúde dos doentes nem o seu direito a serem bem tratados pelo mais baixo preço possível, mas as agendas e os negócios de várias entidades e instituições.
A nomeação de Paulo Rangel está ligeiramente fora de prazo. Dei conta de que o cabeça de lista do PSD para as eleições europeias tem uma voz e uma dicção muito parecidas com a voz e com a dicção de Natália Correia (atentem bem na mordaça).
O estilo está um pouco datado e a Natália Correia era bastante mais dramática.
(pintura de Chidi Okoye: blue dance)
Tinha planeado escrever um post sobre os candidatos a múltiplos lugares eleitorais, como Ana Gomes e Elisa Ferreira, que já são perdedoras pelo simples facto de apostarem em duas eleições, desvalorizando obviamente as autárquicas.
Pensei que ainda não me tinha publicamente incomodado com o apoio de Sócrates à recandidatura de Durão Barroso à presidência da Comissão Europeia, lugar que não prestigiou, que não tornou importante, que não autonomizou, num mundo que mudou radicalmente nos últimos tempos, que tem como líder de um império que era do mal um homem que está a tentar provar que vem por bem, ainda não tinha mostrado a minha desilusão pela tal Europa velha e mumificada, que aprova tratados de Lisboa às escondidas dos cidadãos para fingir que olha em frente.
Mas antes de preparar os dedos para escrever, dei uma voltinha pelos blogues que estão do meu lado esquerdo, uma a um como sempre e corei. Primeiro de incredulidade, depois de atrapalhação.
Sempre defendi a teoria de que uma das formas de envelhecer era perder a capacidade de conhecer pessoas, de fazer amigos. Continuo a defendê-la. Hoje em dia tornamo-nos quase íntimos de nomes reais ou inventados, a quem vestimos, emprestamos uma imagem construída a partir das palavras, das músicas, da comoção e do humor de quem lemos.
Muitas vezes por acaso, nem sabemos bem explicar o porquê de voltarmos a procurar um pequeno texto, uma imagem, um poema. Neste caso foram poemas. E uma forma circular e discreta de realçar assuntos e pensamentos.
Mas sim, a desordem é um alfabeto, um alinhamento de respiração e dever, um hábito de construção e de dor. E a verdade é aquilo que vemos nos outros, no espelho que são da nossa alma.
Corei pois, levemente envaidecida e tocada por alguém que decifra e ordena esse alfabeto.
Já há algum tempo que tenho um blogue, e ainda há mais tempo que leio blogues.
São uma fonte inesgotável de informação, divertimento e irritação. Há blogues para todos os gostos, temáticos, políticos, artísticos, poéticos, fotográficos, colectivos e solitários.
Os blogues têm as qualidades e os defeitos de quem os escreve. Há alguns que a única coisa que fazem é expor a maledicência, o azedume, a petulância e a arrogância de quem se pensa maior que o mundo e deve ser muito infeliz.
Por isso fiz uma limpezazita à minha lista de links. Precisava urgentemente de arejamento.
No Teatro Nacional D. Maria II, há Teatro com Cruzamentos (Projecto Teia).
Personalidades conceituadas de várias áreas profissionais são convidadas a darem uma “aula aberta”, criando uma relação entre o seu campo específico de estudo ou actividade e o teatro, na pluralidade de disciplinas que o TEATRO encerra. Profissionais de áreas tão diversas como a Estratégia Militar, a Medicina, o Direito, a Biologia ou a Política, mostram qual a importância que pode ter para o teatro a vitalidade dos discursos das Ciências e da Filosofia.
No Salão Nobre, às 18:30h: convidado - Prof. Dr. Alexandre Quintanilha - já no dia 21 deste mês.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...