17 abril 2009

Papéis trocados

 


Um referendo à classe médica no caso do Governo aceitar a ideia do doutor João Cordeiro de comprar, através de um concurso público, para determinadas moléculas um medicamento genérico de qualidade, se concordam em disponibilizá-lo directamente e se aceitam que nos centros de saúde e hospitais sejam entregues directamente aos doentes, de maneira que possam ficar gratuitos para todos os pensionistas???


 


Mas a que propósito é que os médicos vão dispensar medicamentos, genéricos ou outros, directamente aos doentes? Então os médicos não aceitam, e muito bem, que lhes troquem o receituário sem a sua autorização explícita e vão passar a entregar medicamentos aos doentes?


 


Os médicos devem prescrever por DCI, independentemente das marcas de medicamentos, genéricos ou outros, sempre que possam confiar na garantia de qualidade dos mesmos. Isso é que é importante. Se há um Instituto Público que garante essa qualidade, não me parece que haja razões para duvidar dele.


 


Se há médicos que utilizem a indústria farmacêutica para seu próprio proveito, que sejam investigados e, se for caso disso, que se proceda disciplinarmente contra eles.


 


Mas misturarem-se concursos de medicamentos genéricos, atribuições de médicos e de farmacêuticos dá a sensação de que o que se discute não é a saúde dos doentes nem o seu direito a serem bem tratados pelo mais baixo preço possível, mas as agendas e os negócios de várias entidades e instituições.


 

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