26 janeiro 2009

Más gestões

Francisco Louçã tem razão. Um governo de gestão nunca deveria aprovar projectos e empreendimentos do tipo de Freeport. Não sei se as leis devem ou não ser alteradas, mas são questões de ética e de senso político que os governos e os primeiros-ministros tendem a desconhecer.


 


Francisco Louçã também tem razão no que diz respeito aos paraísos fiscais, que facilitam lavagem de dinheiro e fuga aos impostos.


 


Pedro Silva Pereira fez uma triste figura ao responder a Mário Crespo que a pergunta que dele era insultusa. Sendo assim, nunca deveria ter aceite ser entrevistado. O problema não são as perguntas e as investigações jornalísticas. É o que se lhes segue, ou mais precisamente, o que se lhes não segue.


 

25 janeiro 2009

Manuel d'Oliveira

Um amigo desconhecido mas atento, a quem muito agradeço, informou-me que Manuel d'Oliveira estará na Fábrica do Braço de Prata a 13 de Fevereiro.


 


Não percam. Eu certamente não o farei.


 


 



 (Nicolinas)


 

A nódoa da suspeita

Mais uma vez se prova o que de mais terrível e banal existe na nossa democracia: a ineficácia da justiça, o sentimento de impunidade de todos, o arrastar de lama para cima de quem fica dado como suspeito pela opinião pública, nunca se provando se de facto é culpado ou inocente.


 


Para mim a justiça não tem uma agenda política. Pura e simplesmente não tem agenda. Arrasta-se penosamente, de vez em quando mostrando fôlego de montanha que inexoravelmente acaba com sopro de rato.


 


Mas eu não acredito nas coincidências das agendas jornalísticas, das fugas de informação e das manchetes mediáticas que têm óbvios objectivos políticos.


 


Se há corrupção no caso Freeport, como nos outros casos todos do futebol, das facturas falsas, do bancos, das empresas camarárias, das imobiliárias, tenham eles responsabilidades políticas, empresariais ou não, devem ser acusados, julgados e condenados. Mas que o façam, de uma vez por todas, que nos seja devolvida alguma confiança neste sistema ineficaz e irreformável.


 


Se não todos nós estamos sujeitos a ser acusados na praça pública, com nobres ou reles intenções e nunca mais, por muito que tentemos, seremos capazes de lavar a nódoa da suspeita.


 

24 janeiro 2009

Até acabar

 



(Goya: o sono da razão)


 


Canso o corpo nos dedos

alugo almas medos

sorvo ar

até acabar.


 


Repito o abrir

e o fechar

sem portas

por onde entrar.


 


Canso o medo neste corpo

dedos e alma alugados

até acabar.


 

Longas sombras

Comecei este blogue no dia 5 de Novembro de 2005. Respondendo ao meu próprio desafio fui ver que notícias agitavam o país nesse dia, independentemente da que me incitou a iniciar o blogue – o anúncio da candidatura presidencial de Manuel Alegre.


 


Ao consultar o DN online desse dia cheguei à conclusão que se debatiam quase os mesmos assuntos que hoje se debatem.


 


Destaco algumas:




(…) Os bancos portugueses têm a percepção de que existe maior risco na concessão de crédito, mas mantêm os critérios na análise e atribuição dos empréstimos devido a "um aumento da pressão concorrencial". Esta é a principal conclusão do inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito, em Outubro de 2005, realizado pelo Banco de Portugal. (…)


 


Já nesta altura se falava de facilitação de crédito, do aumento do crédito ao consumo, enfim, daquilo que agora afoga as famílias e o país. Durante estes 3 anos só piorámos e a tal bolha do crédito imobiliário não parou de subir.


 


(…) A Ford vai avançar com a supressão de 1000 postos de trabalho na Alemanha até ao final do ano, no âmbito do seu processo de reestruturação. (…)


 


A panaceia para a redução dos lucros de uma empresa dizimava mais 1000 postos de trabalho. Mas ninguém se espantava, todos achavam que o Mercado é que sabia.


 


(…) José Sócrates anunciou ontem que Portugal "permanece muito empenhado" no projecto de ligação à rede de Alta Velocidade ferroviária europeia, mas que as datas apontadas pelo Governo anterior serão revistas por apresentarem "um grande irrealismo". "Mantemos a intenção de fazer todas as [quatro] ligações com que nos comprometemos, mas vamos rever as datas" afirmou José Sócrates. (…)


 


Em Novembro de 2005 era José Sócrates a conter o ímpeto do investimento público em obras megalómanas do governo anterior, que queria que a primeira ligação feita por TGV estivesse pronta em 2009.


 


(..) Um dos objectivos do Governo francês e do seu ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, era erradicar essas economias paralelas. Mas uma política repressiva e as declarações polémicas de Sarkozy - que afirmou querer "limpar" os subúrbios da "escumalha" que os habita - apenas "picaram os líderes locais que incentivaram os jovens que aí habitam [a protestar nas ruas]", declara Paulo Marques, vereador na câmara de Aulnay-sous-Bois, uma das localidades afectadas pelos confrontos. (…)


 


Os confrontos nos bairros periféricos de Paris, autêntica guerra urbana, foram justificados pelas palavras incendiárias do então Ministro do Interior, hoje Presidente da República Francesa, na altura violentamente atacado politicamente. Já se seguiram os confrontos urbanos na Grécia e provavelmente seguir-se-ão confrontos noutras cidades, em que tentaremos encontrar justificações e culpados.


 


Será que passaram mesmo 3 anos e que estamos numa crise sem precedentes? É que parece que a crise, para nós, é ininterrupta.


 



 

Europa Galante

 



 


Antonio Vivaldi - As Quatro Estações - Inverno - "Allegro"

Europa Galante - Maestro Fabio Biondi


 

Confessionário

Fui desafiada por duas pessoas, que muito prezo e de quem muito gosto, para continuar uma cadeia blogosférica, sob o signo do número 6.


 


O mais complicado nesta corrente é escolher as 6 coisas aleatórias que deverei contar sobre mim, porque indicar mais seis blogues para continuarem o desafio com o respectivo link, explicando as suas regras, e informá-las nas respectivas caixas de comentários que tinham sido nomeadas, isso já é muito mais fácil.


 


Mas então, pensemos:



  1. Tenho momentos de grande excitação e contentamento a que se seguem, muitas vezes, momentos de grande depressão e desalento - tendências maníaco-depressivas?

  2. Tenho a mania de falar depressa de mais, não ouvindo tudo o que os outros dizem, o que enviesa muitas vezes o meu raciocínio.

  3. Choro demais, em todos os filmes, causa de grandes gozos e embaraços nas salas de cinema (os óculos escuros dificilmente passam desapercebidos no escuro).

  4. Não consigo fixar os nomes de algumas pessoas, o que me leva a chamar-lhes nomes absurdos. Esses nunca esqueço.

  5. O meu sentido de orientação é inexistente, o que já me causou deambulações por Lisboa, em zonas totalmente desconhecidas como Benfica, Chiado, Praça de Espanha, Cidade Universitária, etc.

  6. Sou demasiado crédula.


Próximas confissões blogosféricas:



  1. Amigos de Peniche

  2. ANACRUZES

  3. bonstempos, hein?!

  4. branco no branco

  5. cocó na fralda

  6. Cuaoleu


Segue a dança.


 



 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...