24 janeiro 2009

Longas sombras

Comecei este blogue no dia 5 de Novembro de 2005. Respondendo ao meu próprio desafio fui ver que notícias agitavam o país nesse dia, independentemente da que me incitou a iniciar o blogue – o anúncio da candidatura presidencial de Manuel Alegre.


 


Ao consultar o DN online desse dia cheguei à conclusão que se debatiam quase os mesmos assuntos que hoje se debatem.


 


Destaco algumas:




(…) Os bancos portugueses têm a percepção de que existe maior risco na concessão de crédito, mas mantêm os critérios na análise e atribuição dos empréstimos devido a "um aumento da pressão concorrencial". Esta é a principal conclusão do inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito, em Outubro de 2005, realizado pelo Banco de Portugal. (…)


 


Já nesta altura se falava de facilitação de crédito, do aumento do crédito ao consumo, enfim, daquilo que agora afoga as famílias e o país. Durante estes 3 anos só piorámos e a tal bolha do crédito imobiliário não parou de subir.


 


(…) A Ford vai avançar com a supressão de 1000 postos de trabalho na Alemanha até ao final do ano, no âmbito do seu processo de reestruturação. (…)


 


A panaceia para a redução dos lucros de uma empresa dizimava mais 1000 postos de trabalho. Mas ninguém se espantava, todos achavam que o Mercado é que sabia.


 


(…) José Sócrates anunciou ontem que Portugal "permanece muito empenhado" no projecto de ligação à rede de Alta Velocidade ferroviária europeia, mas que as datas apontadas pelo Governo anterior serão revistas por apresentarem "um grande irrealismo". "Mantemos a intenção de fazer todas as [quatro] ligações com que nos comprometemos, mas vamos rever as datas" afirmou José Sócrates. (…)


 


Em Novembro de 2005 era José Sócrates a conter o ímpeto do investimento público em obras megalómanas do governo anterior, que queria que a primeira ligação feita por TGV estivesse pronta em 2009.


 


(..) Um dos objectivos do Governo francês e do seu ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, era erradicar essas economias paralelas. Mas uma política repressiva e as declarações polémicas de Sarkozy - que afirmou querer "limpar" os subúrbios da "escumalha" que os habita - apenas "picaram os líderes locais que incentivaram os jovens que aí habitam [a protestar nas ruas]", declara Paulo Marques, vereador na câmara de Aulnay-sous-Bois, uma das localidades afectadas pelos confrontos. (…)


 


Os confrontos nos bairros periféricos de Paris, autêntica guerra urbana, foram justificados pelas palavras incendiárias do então Ministro do Interior, hoje Presidente da República Francesa, na altura violentamente atacado politicamente. Já se seguiram os confrontos urbanos na Grécia e provavelmente seguir-se-ão confrontos noutras cidades, em que tentaremos encontrar justificações e culpados.


 


Será que passaram mesmo 3 anos e que estamos numa crise sem precedentes? É que parece que a crise, para nós, é ininterrupta.


 



 

6 comentários:

  1. aires bustorff20:22

    impressionante a colectanea de noticias...
    Obrigado!
    abraço

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  2. Estas notícias são complementadas por comentários que, mesmo que não seja de propósito, podem ser lidos como se contivessem um ironia fina. Finíssima aliás, de filigrana...

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  3. Como é que tu encontras essas notícias. Estou careca de procurar para dar continuidade ao teu desafio e não encontro nada de jeito.

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    1. Procuro no google : dn online e a data que quero, Dona Gata. Bjs . e as melhoras.

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    2. Pois, já tentei lá ir mas não consegui. eu també não quero umas notícias quaisquer...

      Jokas

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    3. Claro que será para ler também

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