28 dezembro 2008

Passam


(pintura de Zoltan Szabo: wind dancers)


 


Passam vertiginosos rios espadas

arcos de vento

passam rasgando estradas desaparecidas

depressa

sem riscos nem vazios

passam vertiginosos rios de nada.


 

Indisciplina vs criminalidade

São graves a indisciplina e o sentimento de impunidade na Escola. Não se admite que alunos com 16 e 17 anos considerem uma brincadeira ameaçar a professora com uma pistola de plástico. Mais grave ainda é o sentimento de que, na realidade, foi um incidente apenas, desvalorizado por quem tem responsabilidades na Direcção Regional de Educação.


 


Mas a ideia de que todos estamos sob a ameaça da espionagem dos telemóveis, de que o que dizemos ou fazemos numa sala de aula, num consultório médico, numa conversa de amigos, num gabinete de advogados pode vir a ser transmitido no You Tube, que situações mais ou menos graves, cujas circunstâncias são desconhecidas pois só se discutem partes muito escolhidas de um todo, serão julgadas em praça pública, é assustadora e muito perigosa.


 


Não sei onde tudo isto poderá levar. Mas a mediatização de excertos de situações pode levar a histerias e distorções se calhar ainda mais graves do que os actos em si. É bom que não se confundam criminosos com jovens mal-educados e indisciplinados. É bom que as escolas não se transformem em prisões vigiadas nem as aulas em palcos de chantagens inqualificáveis.


 


A autonomia e a autoridade dos professores não se restabelecem transferindo essas competências para as polícias e para os tribunais.

Gripe

A afluência às urgências nesta altura do ano, por causa da gripe e de resfriados, causa o colapso da resposta hospitalar qualquer que seja o número de urgências e a quantidade de profissionais que as servem.


 


É uma questão de cidadania usar os serviços públicos com sensatez e sentido de oportunidade. Estas situações devem ser diagnosticadas e tratadas nos Centros de Saúde e em casa, deixando as urgências hospitalares desimpedidas para os casos de facto graves, como as complicações da gripe, traumatismos, enfartes, etc.


 


Vale a pena seguir as informações e orientações da Cristina, cujo blogue está a ser um verdadeiro serviço público.


 



 


 


 

27 dezembro 2008

Luz vaga

Não sei exactamente porquê, mas gosto imenso desta música.


 



 


Luz vaga, luz vesga, a tua cruz

Já não sai da cama, a minha luz

Da sala, do quarto


 


Pilha a palavra

Troca a quantidade, do assunto modal

A tensão está normal

O lábio fora da boca,

A boca fora do mal


 


Os teus olhos não são de gente

O teu ar foge para cima

Tens a perna no cimento,

Tens a mão no pensamento


 


Ciclope, cicloturismo

Na parte de fora, na nesga do abismo

Imaginário que remete, para onde ainda não fui


 


Convite ao Universo

Com a tua própria câmara

Fecho a luz num olho

Prego a tábua à sensação


 


Som da casa, quando não estás...


 


Dancei para te ver aqui,

eu sei que nada mais pode me ajudar

É do nono andar? Sim

Quis pedir ajuda, mas a língua estava morta

Sei lá! Parei de olhar,

tenho uma corda acesa, prestes a queimar

Não és capaz de me levar a sério.

Vou saltar em teu lugar.


 


Sei que nada mais pode me ajudar


 


Atrasa o passo

Leva o lenço à boca

Fica na mira do choque frontal

Não é doença, é um animal

Um ruído feito no acto de fingir

seres mau, mesmo a dormir


 


(Mesa - Rui Reininho)

Anos


 


Aos quarenta já soma sete. Quarenta e sete.




E que fez durante os dezassete mil cento e cinquenta e cinco dias da sua vida? Será que os aproveitou um a um? Ou que desperdiçou tempo e desejo, nervos e esperança?


 


Quarenta e sete. Nos próximos trezentos e sessenta e cinco dias estará atenta a que passem por si, cheios e satisfeitos, os trinta e um milhões, quinhentos e trinta e seis mil segundos a que tem direito.


 

26 dezembro 2008

Falta muito

Dei-me a mim própria um intervalo de cidadania para egoistamente me entregar aos rituais da época. Li apenas os títulos dos jornais online e os posts dos blogues habituais. Não me apetecia saber o que se passou no mundo e no país, porque o intervalo foi para mim, não para a vida de todos os dias.


 


Ainda bem que o fiz pois os atentados bombistas não respeitaram tréguas natalícias, a crise financeira global esqueceu-se do Menino Jesus e os nossos governantes, nomeadamente o Primeiro-Ministro, foi bem o exemplo do novo-riquismo consumista e exibicionista das nossas sociedades actuais.


 


Na sua mensagem de Natal congratulou-se com o que ele fez, com o que ele conseguiu, com o que ele projectou. Não houve palavras inspiradoras nem mobilizadoras, não houve reconhecimento de dificuldades, erros ou desvios. Apenas um discurso ritmado e publicitário, pré-eleitoral, sem a grandeza dos líderes que injectam esperança mesmo quando apenas se vêm muros, escolhos e armadilhas.


 


É em tempos difíceis que se deve olhar e ver acima das lutas partidárias, para além do deve e haver das partilhas dos lugares de deputados, das percentagens eleitorais, das maiorias com ou sem poder.


 


O poder serve para servir. Precisamos de governantes que nos inspirem confiança, que nos mostrem que somos capazes do melhor, mesmo nas piores circunstâncias, não de governantes que apenas se vejam a espelhos adulatórios.

Sem Palavras (5)

 


Mensagem de Natal do Primeiro-Ministro


 


 



 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...