São graves a indisciplina e o sentimento de impunidade na Escola. Não se admite que alunos com 16 e 17 anos considerem uma brincadeira ameaçar a professora com uma pistola de plástico. Mais grave ainda é o sentimento de que, na realidade, foi um incidente apenas, desvalorizado por quem tem responsabilidades na Direcção Regional de Educação.
Mas a ideia de que todos estamos sob a ameaça da espionagem dos telemóveis, de que o que dizemos ou fazemos numa sala de aula, num consultório médico, numa conversa de amigos, num gabinete de advogados pode vir a ser transmitido no You Tube, que situações mais ou menos graves, cujas circunstâncias são desconhecidas pois só se discutem partes muito escolhidas de um todo, serão julgadas em praça pública, é assustadora e muito perigosa.
Não sei onde tudo isto poderá levar. Mas a mediatização de excertos de situações pode levar a histerias e distorções se calhar ainda mais graves do que os actos em si. É bom que não se confundam criminosos com jovens mal-educados e indisciplinados. É bom que as escolas não se transformem em prisões vigiadas nem as aulas em palcos de chantagens inqualificáveis.
A autonomia e a autoridade dos professores não se restabelecem transferindo essas competências para as polícias e para os tribunais.
Quanto às mudanças que as tecnologias implicam, o que me arrepia mais é a ideia que alguns têm de que o pior é a 'coisa' aparecer escarrapachada num vídeo 'perto de si'...
ResponderEliminarQuando temos legislação em que um tabefe ou uma nalgada bem dados são considerados crimes públicos e sujeitam os pais a prisão e a correr os riscos de verem os filhos "institucionazados" para sofrerem sabe-se lá o quê, de que estamos à espera? Se a Esmeralda tivesse sido entregue à Pesrana quando era bébé estaria melhor? Pelo menos é o que pensa a justiça.
ResponderEliminarEscrevinhadora, não é das novas tecnologias que tenho receio, mas da forma como elas são aplicadas e da ausência de condenação pública pelo facto de serem mal aplicadas. Atenção que não estou a desculpabilizar atitudes totalmente condenáveis.
ResponderEliminarLino, pois o problema de fundo é esse mesmo: a sensação de total impunidade que cresce com os cidadãos. O que só leva à revolta e à tentação de considerar tudo um incidente ou tudo um crime.
Eu adoptei uma solução, os alunos entram na sala de aula colocam o telemóvel numa caixa e no final da aula levam o telemóvel. Assim não existem brincadeiras com os ditos objectos
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