31 agosto 2008

Torre do silêncio


(gravura de Cornelius Brown, 1886: Tower of Silence)


 




Olho a torre do silêncio


e é como se já lá estivesse

oferecendo o corpo aos festins do céu

aos alimentos dos pássaros às carícias do vento.


 


Lentamente no círculo que me é destinado

perceber já sem consciência


do que somos feitos

e para que tanto queremos viver

se só no silêncio da torre servimos a vida.

30 agosto 2008

A mudança


 


Se BaraK Obama vencer as eleições americanas, não são só os EU que ganharão novo fôlego, mas a Europa respirará alguma esperança e optimismo.


 


A mudança. Sim, eles podem e nós queremos.

Mi niña Lola


 


(Buika: Mi niña Lola)


 


Dime porque tienes carita de pena

Que tiene mi niña siendo santa y buena

Cuéntale a tu padre lo que a ti te pasa

Dime lo que tienes reina de mi casa


 


Tu madre la pobre no se donde esta

Dime lo que tienes, dime lo que tienes

Dime lo que tienes, dime la verdad


 


Mi niña lola, mi niña lola

Ya no tiene la carita del color de la amapola

Mi niña lola, mi niña lola

Ya no tiene la carita del color de la amapola


 


Tu no me ocultes tu pena

Pena de tu corazón

Cuéntame tu amargura

Pa consolártela yo


 


Mi niña lola, mi niña lola

Se le ha puesto la carita del color de la amapola

Mi niña lola, mi niña lola

Se le ha puesto la carita del color de la amapola


 


Siempre que te miro mi niña bonita

Le rezo a la virgen que esta en la ermita

Cuéntale a tu padre lo que te ha pasao

Dime si algún hombre a ti te ha engañao




Niña de mi alma no me llores mas

Dime lo que tienes, dime lo que tienes

Dime lo que tienes, dime la verdad


 


Mi niña lola, mi niña lola

Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola

Mi niña lola, mi niña lola

Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola

Mi niña lola, mi niña lola

Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola

Mi niña lola, mi niña lola

Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola

28 agosto 2008

Agenda comunicacional

A criminalidade violenta, ou seja, a visibilidade da criminalidade violenta, é cíclica e sazonal, costuma acontecer nas férias de verão, e alterna com a intensidade dos incêndios e da área ardida.


 


Com falta de notícias sumarentas, sem bombeiros para falarem da inépcia dos governantes, nada melhor do que massacrar os cidadãos com os assaltos à mão armada, a ineficácia das polícias, a violência dos criminosos.


 


Claro que o PSD, também à falta de melhor ideias, pede logo a demissão do MAI. Sim, isto não se admite, se o ministro fosse Aguiar Branco, os ladrões e os assassinos já teriam mudado de país, ou ter-se-iam convertido à prática da caridade.


 


Melhor ainda esteve Cavaco Silva, que em vez de sossegar as pessoas que estão com a sensação de que serão mortas mal se acerquem de uma caixa multibanco ou encham o carro de gasolina, resolveu dizer que a onda de assaltos era uma coisa muito séria. O que não disse e devia dizer era que as medidas tomadas eram adequadas, que o aumento da criminalidade é sempre preocupante mas não é nada de espantoso, observando-se o que se passa no resto da Europa, e que os cidadãos podem confiar nas suas forças de segurança.


 


Claro que o responsável do Gabinete de Segurança, Leonel de Carvalho, apesar de afirmar que o crime aumentou cerca de 10%, nada catastrófico nem razão para tamanho alarido, sente que não tenho a categoria para que possa ser posto em causa por palavras do senhor presidente da República. Valha-nos Santo Ambrósio!


 


Mas a cereja em cima do bolo é José Magalhães mostrar disponibilidade para alterar o código do processo penal que, se não estou em erro, foi revisto em 2007!


 


E quem é que manobra a agenda política? É que parece que somos todos manobrados pela comunicação social.


 


 


Adenda:


 


(...) Em comunicado após a reunião, o Gabinete, que na quinta-feira tinha referido à agência Lusa que a criminalidade violenta tinha registado um aumento «ligeiramente acima dos 10%», refere ter analisado a evolução deste fenómeno, concluindo que registou um aumento de 15%.



De acordo com aquele organismo, apesar deste aumento, os números são inferiores a 2004 e 2006.



Por outro lado, a criminalidade participada cresceu 7% em relação a 2007, sendo o número global de crimes participados essencialmente idêntico ao dos anos de 2003 e 2004. (...)"


 


(bold e sublinhados meus)

24 agosto 2008

(Des)emprego

Até acredito que haja muita desinformação à volta do número de postos de trabalho criados nesta legislatura.


 


Mas o que dizer da ridícula apresentação dos empregos criados pelo Call Center, tão especializados que até se pede o 12º ano, e dos números subtraídos  às estatísticas do desemprego por estarem em programas de formação?


 


A propaganda governamental está a precisar de se reciclar e de ser despedida por inadaptação ao trabalho.

Olimpíadas à portuguesa

Depois da histeria dos comentadores que arrasaram os nossos atletas olímpicos, nomeadamente Marco Fortes, Vanessa Fernandes e Nelson Évora elevaram aos píncaros o orgulho nacional.


 


De perdedores e esbanjadores dos dinheiros públicos, passámos à melhor prestação olímpica de sempre.


 


Os atletas que nos perdoem. E parabéns atrasados a Nelson Évora.


 


A ciência escondida que salva vidas

Declaração de interesses: sou médica especialista em Anatomia Patológica.


 


O DN de hoje trás uma reportagem sobre a falta de médicos, nomeadamente de Obstetras  e Anestesistas, referindo ainda as especialidades de Medicina Geral e Familiar e Medicina Interna.


 


É verdade que estas são algumas das especialidades mais carenciadas e cuja falta se repercute de imediato na comunicação social, pela necessidade de fechar maternidades e blocos operatórios, pelo caos das urgências hospitalares, sorvedouros de horas de trabalho inglório e pela ausência de Médicos de Família.


 


Mas do que não se fala é da extrema carência de profissionais de algumas especialidades, mais longe dos holofotes mediáticos, mas cuja falta poderá perigar todo o trabalho de diagnóstico e de terapêutica que, hoje em dia, é cada vez mais sofisticado.


 


Estou a falar da especialidade de Anatomia Patológica. A enorme maioria das pessoas não sabe o que isso é e, mesmo que já tenha ouvido falar, só se lembra de autópsias e de exames de Papanicolaou. Estes especialistas são aqueles que observam os tumores que se extraem das pessoas e que dizem se é benigno ou maligno, se é uma infecção ou uma inflamação; se um fígado tem cirrose, infecção por vírus, inflamação por álcool ou tumor; se a descamação de pele é uma psoríase ou um linfoma. São aqueles que diferenciam os tumores malignos que se podem comportar melhor dos que se podem comportar pior, que respondem a um determinado tipo de medicamentos ou não, que determinam a extensão do tumor e se, na operação, este foi totalmente extirpado ou não.


 


Deste pequeno número de especialistas dependem todos os outros médicos para o diagnóstico, para a terapêutica e para o prognóstico (ou seja a possibilidade de se prever uma cura ou um recrudescimento da doença). É claro que nenhum destes especialistas trabalha sozinho. Hoje em dia e felizmente, os médicos trabalham cada vez mais em equipa, mas os seus conhecimentos altamente especializados são indispensáveis, assumindo uma enorme responsabilidade em todo o pocesso qu se inicia no diagnóstico.


 


Neste ano de 2008 acabaram a especialidade de Anatomia Patológica (que dura 5 anos) apenas 4 médicos em todo o país. É urgente que o poder político estude medidas, talvez de discriminação positiva, para atrair mais jovens médicos para esta especialidade, cada vez mais importante no contexto da medicina moderna, até pelo estudo e investigação de novas técnicas diagnósticas e terapêuticas resultantes dos conhecimentos de biologia molecular.


 


Como diz o Presidente do The Royal College of Pathologists (UK), Professor Adrian Newland: Pathology is the Hidden Science that Saves Lives.


 



(linfoma de Hodgkin)


 


Adenda: vale a pena ler o artigo de opinião do Prof. Manuel Antunes, o qual subscrevo na totalidade.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...