20 abril 2008

Corações (coeurs)


 


Neva sempre, nos ombros, nos casacos, nos gorros, nos olhos, nas almas, nos corações cobertos de branco.


 


Alguns cenários com poucos adereços, em tons de cinzento, branco e azul, com excepção do bar, que tem tons vibrantes, feéricos, tão tristes como a imobiliária, a casa de Lionel , e as casas que Dan e Nicole visitam, a pedido dela, para viverem uma vida a dois que sabem que nunca acontecerá.


As vidas de algumas pessoas, solitárias e carentes, de Thierry , esperançosamente espantado com a luxúria da sua colega de trabalho, de Gaëlle , que todas as noites se transforma numa secreta heroína de flor na lapela, ao encontro do amor que tarda, de Charlotte , que se purifica com a Bíblia, todos com alguns apontamentos de loucura mansa, quase burlesca, de desejos reprimidos e penitências repetidas.


 


É um filme docemente triste, com o realismo das relações trocadas, dos desencontros que parecem planeados, do abandono, da solidão. É um filme sobre nós, o mais íntimo e absoluto de nós, o que somos e o que desejaríamos ser.


 


De Alain Resnais , claro, numa adaptação da peça de Alan Ayckbourn : Private Fears in Public Places .

19 abril 2008

Ponto de Mira

Ponto de Mira (Vantage Point) é um filme frustrante, que defrauda as  expectativas de quem se envolve totalmente nos primeiros 2/3 do filme. Magistralmente filmado, mostrando uma cena observada por várias personagens, cada uma juntando um pouco mais de mistério, mas também descobrindo um pouco mais o mistério. Uma ideia brilhante com excelentes actores, uma Plaza Mayor de Salamanca credível, turistas, profissionais de segurança e dos média, terroristas e um Presidente bem americano.


 


Depois estraga-se tudo. Perseguições disparatadíssimas, por estradas tão depressa urbanas, com viadutos e trânsito, como marroquinas, pela confusão, pelos mercados e pelos mercadores. Chega-se ao fim e não se percebe o enredo, não se entende quais as motivações dos terroristas, porque é que há polícias na tramóia, que entretanto são aldrabados, outros que são mortos mas estão por dentro, enfim, acabou aquilo que era uma promessa de uma excelente história, a correr e à pressa. Como disse o meu companheiro de filme, parece ter havido dois argumentistas : o da primeira parte do filme, muito bom; o da segunda parte do filme, muito mau. Mas no guião vem apenas o nome de Barry Levy.


 


Que pena.


 


Ciclo


(árvore da vida céltica)


 


Se morrer antes de me entregar
total e absolutamente
a tudo a todos
se morrer antes de me desintegrar
cíclica e metodicamente
por tudo por todos
se morrer antes de me inventar
de novo e repetidamente
em tudo em todos

soprarei os despojos pelo ar
antes de me acabar.

Prémio


 


Pois é, gostaria de saber que raio acertou na cabeça do JF para se lembrar de me distinguir com este prémio. Para nossa tranquilidade e saúde, continuo a corrente com todo o gosto, agradecendo-lhe a leitura deste blogue.

E lá vão alguns dos blogues que, para além do que raio de saúde a nossa, saboreio diariamente:



Covém lembrar as regras:




  1. Este prémio deve ser atribuído aos blogs que gostamos e visitamos regularmente postando comentários



  2. Ao receber o selo é um blog bom sim senhora!! devemos escrever um post incluindo: o nome de quem nos deu o prémio com o respectivo link de acesso, a tag do prémio, a indicação de outros 7 blogs



  3. A tag do prémio deve ser exibida no blog



E pronto, segue mais esta dança. Obrigada a todos os que me visitam.

Voltar atrás

De novo o país entretém-se a apostar nas várias figuras emblemáticas do PSD, os D. Sebastião do costume, para as novas eleições no maior partido da oposição, que tinha encontrado o seu líder, de novo, há cerca de 7 meses.

Independentemente do valor que essas gratas figuras terão, intrínseco e simbólico, o PSD continua a viver das glórias do passado, mais precisamente do período áureo do cavaquismo.

O PSD deveria ser essencial ao debate político e ao país, pois as maiorias absolutas sem oposição ou alternativa credíveis empobrecem e descredibilizam a própria essência da vivência democrática.

Mas o recurso cíclico a figuras do passado é uma falsa fuga em frente. Não se volta atrás no tempo, nunca. A situação do país é diferente, as circunstâncias internacionais são diferentes, os protagonistas têm que ser diferentes. Parece a repetição de um erro clamoroso de José Sócrates ao lançar a candidatura de Mário Soares à Presidência da República.

Por outro lado, se é necessário que o PSD enfrente os seus mitos e os seus fantasmas, talvez seja indispensável que todas essas figuras finalmente se arrisquem a perder. Talvez assim surja algo de novo, refrescante e acutilante.


 


É urgente que algo aconteça.

17 abril 2008

O tempo dos abutres


 


Sete meses, foram só sete meses. O desmoronamento é total.


 


Alinham-se os eternos candidatos de bicos longos e curvos: António Borges, Mota Amaral, Santana Lopes, Passos Coelho, Aguiar Branco, Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, Ângelo Correia.


 


A direita alimenta-se de si própria . E de vez em quando dá um ar a sua graça, ouvindo-se Paulo Portas com um ar sério e distinto, a dizer que o CDS quer tirar a maioria ao PS.


 


É risível e tristíssimo, o nosso quadro político , à direita e à esquerda.


 


Sócrates está para lavar e durar.


 


Luís Delgado, na SIC notícias, tenta transformar Luís Filipe Menezes num Cristo crucificado. Continua, de há 3 anos para cá, a dizer que quando a classe media estiver de rastos, quando perceber a horrível crise que aí vem, visto que está muito fragilizado, e todos perceberem quão mal está a situação económica, então aí sim, Sócrates começará a cair.

16 abril 2008

Algumas notas

Algumas notas sobre a face
pequeno rascunho entre dentes
gramática esquecida pelas rugas
rimas por dentro do olhar.


 



(pintura de Vincent Romaniello : untitle 714)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...