17 junho 2006

Troncos


Como troncos que se isolam,
delicados madeiros transviados,
braços com nós e veias
barcos náufragos no tempo,
assim seremos nesse momento
de terra árida e mar sem fundo,
no fim do mundo.



(exposição de fotografias, até 8 de Julho, na Sala da Nora, em Castelo Branco - Barragem de Santa Águeda / Marateca - um olhar diferente)

Já está!


Desta vez foi a valer! Muito sofrimento e nervosismo mas foi um jogo bem jogado da parte da nossa selecção.

É preciso afinar os pontapés e as fintas para a próxima fase. Segundo percebi, enfrentaremos a Argentina ou a Holanda. Não sei o que será pior!

Venha quem vier, o mundial faz-se jogo a jogo. Se este correu bem, porque não há-de correr o próximo?

Espectáculo a sério é ver o show das claques. A imaginação e paciência dos torcedores, as vestimentas, os chapéus e as pinturas, dão um colorido maravilhoso às bancadas!

Portugal vs Irão



É hoje que vamos fazer um grande jogo. É hoje que vamos impedir que o presidente iraniano se desloque à Alemanha, para apoiar o Irão.

Para o melhor e para o pior, o futebol pode fazer a diferença.

16 junho 2006

Pois



Abri o descanso com uma chave ferrugenta. Tenho os ossos irritantemente pontiagudos a despontar da pele, que pede cama. Não sei se lhes faça a vontade.

Teimosamente limpo os vidros mas o nevoeiro mantém-nos baços. Notam-se bem as pontas dos dedos no bafo quente que lhes deito.

É melhor riscar do tempo estas nuvens.

Vou lambuzar-me com um livro que saiba a chocolate e reescrever o espectáculo da chuva. São gotas a menos e pedras a mais.



(Festival do chocolate, Óbidos, 2005)

"Homens no fio"


Ontem, depois de mais uma ida pouco satisfatória à FNAC do Colombo, consegui encontrar um exemplar (de dois) do livro “Homens no fio”, bem encafuado numa das prateleiras do fundo das enormes estantes da literatura portuguesa. Como é habitual, nenhuma outra obra do mesmo autor existia.


Peguei no livro e não parei de o ler até ao fim. De uma forma elegante e cheia de ternura, Luís Naves descreve uma (quase) tragédia de dois pescadores no mar dos Açores, ao largo de S. Miguel.

Com uma sobriedade e simplicidade exemplares, sofremos com os dois homens, um quase pai e outro quase filho, numa experiência limite de desespero, de fé e de destino. Dois homens vulgares, como vulgar e fruto do acaso são as armadilhas que se colocam entre nós e o infinito.

Com eles procuramos a luz, equilibramos o “Totobola”, bebemos água da chuva misturada com água do mar, tiritamos de frio e imaginamos na meia sonolência da fome, da sede e do medo, tubarões, barcos e amores.

É, ao mesmo tempo, um hino à vida. Gostei imenso. Parabéns ao autor.

15 junho 2006

Manipulação

Não percebo a vantagem desta manobra. O primeiro-ministro é tão rápido a propagandear as hipóteses de vitória, que deveria ser igualmente rápido a admitir a certeza da derrota.

O governo está à espera de um milagre? Faz fé na vitória de Portugal no mundial, para que se esqueça o desemprego crescente? Ou pensa que vai tudo de férias?

A descarada manipulação da informação é uma bofetada nos que ainda tentam acreditar na boa fé dos governantes.

Sem remorsos


Assaltei o João Gonçalves e, sem remorsos, roubei o Jorge Luis Borges…


He cometido el peor de los pecados
que un hombre puede cometer. No he sido
feliz. Que los glaciares del olvido
me arrastren y me pierdan, despiadados.

Mis padres me engendraron para el juego
arriesgado y hermoso de la vida,
para la tierra, el agua, el aire, el fuego.
Los defraudé. No fui feliz. Cumplida

no fue su joven voluntad. Mi mente
se aplicó a las simétricas porfias
del arte, que entreteje naderías.

Me legaron valor. No fui valiente.
No me abandona. Siempre está a mi lado
La sombra de haber sido un desdichado.


(pintura de Fernando Ureña Rib)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...