16 junho 2006

"Homens no fio"


Ontem, depois de mais uma ida pouco satisfatória à FNAC do Colombo, consegui encontrar um exemplar (de dois) do livro “Homens no fio”, bem encafuado numa das prateleiras do fundo das enormes estantes da literatura portuguesa. Como é habitual, nenhuma outra obra do mesmo autor existia.


Peguei no livro e não parei de o ler até ao fim. De uma forma elegante e cheia de ternura, Luís Naves descreve uma (quase) tragédia de dois pescadores no mar dos Açores, ao largo de S. Miguel.

Com uma sobriedade e simplicidade exemplares, sofremos com os dois homens, um quase pai e outro quase filho, numa experiência limite de desespero, de fé e de destino. Dois homens vulgares, como vulgar e fruto do acaso são as armadilhas que se colocam entre nós e o infinito.

Com eles procuramos a luz, equilibramos o “Totobola”, bebemos água da chuva misturada com água do mar, tiritamos de frio e imaginamos na meia sonolência da fome, da sede e do medo, tubarões, barcos e amores.

É, ao mesmo tempo, um hino à vida. Gostei imenso. Parabéns ao autor.

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