
Abri o descanso com uma chave ferrugenta. Tenho os ossos irritantemente pontiagudos a despontar da pele, que pede cama. Não sei se lhes faça a vontade.
Teimosamente limpo os vidros mas o nevoeiro mantém-nos baços. Notam-se bem as pontas dos dedos no bafo quente que lhes deito.
É melhor riscar do tempo estas nuvens.
Vou lambuzar-me com um livro que saiba a chocolate e reescrever o espectáculo da chuva. São gotas a menos e pedras a mais.
(Festival do chocolate, Óbidos, 2005)
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