Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
22 março 2006
Irritação bloguística
Não sei o que se passa mas não consigo fazer "upload" das imagens nos "posts". Alguém sabe o que se passa? Sou só eu?
"Consolidar agora para um futuro melhor"
O nosso primeiro descobriu um método excelente de propagandear a sua política – pôr os funcionários das finanças a fazer a mini-maratona com camisolas oferecidas com o lema: “consolidar agora para um futuro melhor”. Esperemos que os funcionários públicos colaborem, a bem da nação! Mas afinal acabou por desistir.
Não sei porquê. A ideia até se podia estender a outros ministérios. Ele era professores, médicos, enfermeiros, técnicos administrativos, eu sei lá, todos esses milhares de funcionários a mostrarem entusiasmo e alegria por irem parar ao quadro de excedentes. Até vão ter mais tempo para praticar desporto!
Hilariante.
Não sei porquê. A ideia até se podia estender a outros ministérios. Ele era professores, médicos, enfermeiros, técnicos administrativos, eu sei lá, todos esses milhares de funcionários a mostrarem entusiasmo e alegria por irem parar ao quadro de excedentes. Até vão ter mais tempo para praticar desporto!
Hilariante.
Notícias
Cada vez mais desconfio das grandes frases noticiosas gritadas pela TSF, logo de manhã.
Hoje a notícia era dada pelo DN, segundo o qual António Carrapatoso se tinha livrado de pagar ao fisco setecentos e tal mil euros porque as finanças tinham deixado caducar o prazo de exigência do pagamento.
Li cautelosamente as duas notícias, a primeira em que se conta que houve uma auditoria à declaração do IRS de 2000 apresentada por António Carrapatoso, que concluiu, QUATRO ANOS depois, que este devia um monte de dinheiro ao fisco. Entretanto, embora constasse informaticamente que a notificação para a liquidação da dívida tinha seguido em 30 DE DEZEMBRO (a um dia do final do prazo), a verdade é que só foi enviada APÓS o fim do prazo, ou seja, caducou a pretensão do estado.
A segunda notícia é a justificação de António Carrapatoso, por interposta pessoa, de que não devia nada ao fisco, dando a entender que a sua declaração estava correcta e que a interpretação das finanças estava errada.
Várias observações se me deparam:
1. Porque é que só agora sai esta notícia no jornal, quando as informações, processos, etc, datam do fim de 2004 e do meio de 2005?
2. Como é possível tanta negligência da parte das repartições de finanças? Parece que se instauraram processos que, provavelmente, não chegarão a lado nenhum.
3. Independentemente de António Carrapatoso ter agido dentro da lei, fica a desconfortável sensação de que foram usados truques para não pagar impostos, o que fica muito mal a quem defende acaloradamente a reforma da administração e a redução das regalias dos funcionários públicos, pois o estado não pode gastar tanto. Pois é, mas se talvez recebesse o que devia de quem devia…
Hoje a notícia era dada pelo DN, segundo o qual António Carrapatoso se tinha livrado de pagar ao fisco setecentos e tal mil euros porque as finanças tinham deixado caducar o prazo de exigência do pagamento.
Li cautelosamente as duas notícias, a primeira em que se conta que houve uma auditoria à declaração do IRS de 2000 apresentada por António Carrapatoso, que concluiu, QUATRO ANOS depois, que este devia um monte de dinheiro ao fisco. Entretanto, embora constasse informaticamente que a notificação para a liquidação da dívida tinha seguido em 30 DE DEZEMBRO (a um dia do final do prazo), a verdade é que só foi enviada APÓS o fim do prazo, ou seja, caducou a pretensão do estado.
A segunda notícia é a justificação de António Carrapatoso, por interposta pessoa, de que não devia nada ao fisco, dando a entender que a sua declaração estava correcta e que a interpretação das finanças estava errada.
Várias observações se me deparam:
1. Porque é que só agora sai esta notícia no jornal, quando as informações, processos, etc, datam do fim de 2004 e do meio de 2005?
2. Como é possível tanta negligência da parte das repartições de finanças? Parece que se instauraram processos que, provavelmente, não chegarão a lado nenhum.
3. Independentemente de António Carrapatoso ter agido dentro da lei, fica a desconfortável sensação de que foram usados truques para não pagar impostos, o que fica muito mal a quem defende acaloradamente a reforma da administração e a redução das regalias dos funcionários públicos, pois o estado não pode gastar tanto. Pois é, mas se talvez recebesse o que devia de quem devia…
21 março 2006
Todo o tempo é de poesia

Todo o tempo é de poesia
Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.
Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia
Todo o tempo é de poesia
Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas qu'a amar se consagram.
Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.
Todo o tempo é de poesia.
Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.
(poema de António Gedeão; pintura de Lees: coffeemaker)
20 março 2006
Partículas
Apaguei véus e suspiros,
gotas e pedras. Só a raiz permanece,
essencial, mínima, germinal.
Da sombra a asa oblíqua,
o reflexo da luz invertida,
cósmica, fugidia.
Do joelho do tempo
o arco amanheceu.
gotas e pedras. Só a raiz permanece,
essencial, mínima, germinal.
Da sombra a asa oblíqua,
o reflexo da luz invertida,
cósmica, fugidia.
Do joelho do tempo
o arco amanheceu.
Pequenas infâmias
Ao fim de 3 anos, Durão Barroso reconheceu o que já todos tinham reconhecido, que o pretexto da invasão do Iraque foi apenas um estratagema mentiroso. Durão Barroso, o anfitrião da cimeira dos Açores. Durão Barroso, que prometeu salvar o país da crise, mas que desistiu a meio. Enfim.
Fátima Felgueiras continua a gozar com a justiça, e a justiça deixa-se gozar. Enfim.
Fátima Felgueiras continua a gozar com a justiça, e a justiça deixa-se gozar. Enfim.
19 março 2006
Oração (2)
Primeira carta do poeta aos seus leitores:
Em verdade vos digo: mais simples é beber a vida por um verso, que sonhar a água pelo vento. A felicidade está nas pétalas, e não nos dedos que as acariciam.
Assim seja.
Em verdade vos digo: mais simples é beber a vida por um verso, que sonhar a água pelo vento. A felicidade está nas pétalas, e não nos dedos que as acariciam.
Assim seja.
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