18 março 2006

Fragmentos de Liberdade


Hugo Madeira, Pedro Santos, André Catalão (Fórum Romeu Correia, Almada)

Três jovens, tão jovens. Preto e branco predominantes. A cor na fragmentação do corpo.

Vale a pena vê(ouvi)-los.

17 março 2006

Presidente executivo

Não sei se vai haver ou não cooperação estratégica, estabilidade dinâmica ou lealdade institucional entre o Presidente e o Primeiro-Ministro.

A verdade é que as agendas do executivo e da presidência são muito semelhantes (o que faz pensar que não há diferenças nas funções e nos poderes atribuídos a ambas), que os assessores do presidente pertencem a uma área política mais conservadora que o próprio presidente, e que os conselheiros de estado reduzem (como já li algures na blogosfera e nos jornais) em vez de dilatarem a base eleitoral de Cavaco Silva.

Significativo é todos os analistas e comentadores serem unânimes em considerar que vai haver uma fiscalização apertada da acção governativa. Dá a sensação que o governo está obrigado a cumprir a agenda do Presidente, o que parece indicar a existência de dois governos com duas maiorias políticas de sinal contrário.

Ou seja, a colisão de vontades será inevitável e acabará com a estabilidade política que Cavaco Silva jura querer manter!

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Guardo silêncios
como quem colecciona gestos habituais
em horas desabitadas.
Corro as cortinas da memória
e sinto vertigens de descobertas
em ciclos perfeitos.

(pintura de: Michael Berry)

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Seguro os dedos sobre a areia,
desenho a voz, solto as palavras.

O abraço é possível,
nos ombros a paz
do olhar indiscreto,
o saber de quem procura.

Fragmentos dispersos
de todos nós.

(fotografia: Hugo Madeira)

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O poema é como um filho
que me cresce nas entranhas,
que me suga e destrói,
que me mata e ressuscita
nesta gestação maldita,
secreta e omnipresente,
espontânea e recorrente,
que renega e acredita
no abismo da alma que sente.

(pintura de Joyce Baron: creation III)

16 março 2006

Outra vez o MIT

Li no Abrupto de ontem uma mensagem de um leitor (João AP Coutinho), que questiona a seriedade e profissionalismo dos media, a propósito do famoso MIT.

Primeiro em 22 de Janeiro e, posteriormente, a 13 de Fevereiro, abordei este assunto, pela estranheza que me causou a grave denúncia pública de boicote de “um ministro” ao maravilhoso acordo com o MIT, feita por José Tavares e afrontando o primeiro-ministro.

Entretanto, entre esclarecimentos irritados e pouco esclarecedores, da parte de José Sócrates e Mariano Gago, e declarações múltiplas dos defensores da coragem de José Tavares, chegou-se a uma apregoada cerimónia no CCB, em que se celebrou o tão falado acordo entre o MIT e o governo português.

Mas, em que consistiu esse acordo? Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, "o governo vai iniciar uma fase de colaboração com o MIT, para identificar e seleccionar programas e instituições portugueses que poderão potenciar as relações bilaterais pretendidas (quase sic.)".

Então e aquele acordo com uma determinada universidade, que estava guardado na gaveta e que sofria o impedimento ministerial, que tão corajosamente José Tavares quis salvar?

Afinal parece que quem tinha razão era Mariano Gago, quando disse que havia contactos preliminares para uma colaboração entre o MIT e o governo, sem contornos ainda definidos, e que poderiam resultar em projectos específicos. Razão parece ter tido o ministro da Ciência por ter mantido negociações com outros institutos de outros países para outros projectos.

Parece que, afinal, outras razões moviam José Tavares, que não a salvação da pátria!

Monopólio

Li com toda a atenção o artigo de opinião de Sérgio Figueiredo, no Jornal de Negócios online, e fiquei a saber o motivo (pelo menos segundo este articulista) pelo qual o BCP lançou uma OPA ao BPI.

Pelo que percebi o BCP quer tornar-se tão grande que não haja ninguém que o possa comprar!

Isto parece um jogo de monopólio puro. A diferença é que naquelas avenidas, casas e hotéis vivem pessoas de carne e osso que, para além de perderem papel (literalmente) perdem o emprego e, no limite, a dignidade.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...