15 março 2006

Constituição europeia

A pouco e pouco, depois das eleições presidenciais, em que o tema podia ter levantado questões incómodas aos candidatos e respectivos partidos apoiantes, volta-se a falar da constituição europeia.

Não tenho dúvidas de que será necessário unificar vários tratados anteriores, desenvolver políticas comuns à UE, não só económicas, mas de defesa, sociais, de imigração, culturais, científicas e portanto, políticas.

Isso não significa que alguns países da UE se sintam mandatados para escrever um tratado de regras comuns, uma Constituição, sem que, para isso, os cidadãos europeus o tenham determinado, em eleições livres e democráticas.

Quero com isto dizer que uma constituição europeia, tal como a entendo, deve ser feita por uma assembleia constituinte europeia, eleita com esses poderes.

Compreendo que setecentas e tal pessoas a discutirem e redigirem um documento pequeno, legível, claro e transparente, para todos os cidadãos entenderem, deve ser muito difícil. Mas poderia, com certeza, formar-se um grupo de representantes emanados da assembleia que, posteriormente, submeteria o documento à apreciação e votação dos demais deputados.

Só assim seria possível um debate mais alargado da necessidade e da validade desse documento, em vez de o ser a posteriori, como o foi.

O facto de ter havido uma concertação entre partidos políticos, em Portugal, para mudar a nossa própria constituição, de forma a aceitar este (e provavelmente outros) artigo da Constituição Europeia, não me parece ter sido um bom começo:

TRATADO QUE ESTABELECE UMA CONSTITUIÇÃO PARA A EUROPA
(Jornal Oficial da União Europeia, 16/12/2004)
(...)
Parte I – Título I
(...)
Artigo I-6.º
A Constituição e o direito adoptado pelas instituições da União, no exercício das competências que lhe são atribuídas, primam sobre o direito dos Estados-Membros. (...)

14 março 2006

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Não escrevo,
sobrevoo as teclas arrítmicas,
tento escutar a alma
que se esconde
no espaço branco do papel.

(pintura de Lee Tracy)

OPA (Operação Poder Absoluto)

Não percebo nada, mas mesmo nada, de economia. Sou das pessoas que se precipitariam para a falência, se posta a gerir uma empresa.

Talvez por isso não perceba nada destas OPAs. Daqui a pouco, só há 2 bancos: o BCP e a CGD.

E depois, quem sabe, o BCP engole a CGD. E depois, quem sabe o que engolirá mais o BCP. Então, que é feito da concorrência (uma deusa ligeiramente inferior ao deus mercado)?

E se o BCP quiser adquirir o BPI mas o BPI não quiser ser adquirido? Isso é que é uma OPA hostil?

E será que o BCP de tanto engolir não explode?

Não percebo mesmo nada!

A pequenez

Não há nada como ler outras letras, outras cores, outros sentidos, para que me inunde o espanto e a humildade...

13 março 2006

Educação artística

Entre 6 e 9 de Março realizou-se em Lisboa a 1.ª Conferência Mundial sobre Educação Artística, organizada pela UNESCO.

Mesmo não sendo especialista na matéria, é de puro bom senso reconhecer que a educação para as artes, a partir da mais tenra idade, é essencial para o desenvolvimento harmonioso de qualquer pessoa, nas suas vertentes cognitiva e emocional.

A introdução nos curricula de todo o ensino obrigatório, desde a pré primária ao 9º ano de escolaridade, de música, pintura, expressão dramática, escultura, dança, e outras valências, que se poderiam estruturar de acordo com as ofertas de cada comunidade educativa, deveria ser um dos objectivos prioritários da política educativa.

Considero estas disciplinas tão importantes como a matemática, o português e as outras disciplinas científicas. Espero que este governo socialista, que tem prestado atenção ao drama do nosso sistema educativo, não se esqueça da educação artística como área fundamental e complementar na formação de todos os indivíduos.

Perguntas ao ministro

Já aqui tenho dito que, por várias razões, a actuação do ministro da Saúde me parece correcta, nomeadamente no que diz respeito ao fecho de unidades hospitalares velhas e anquilosadas, em Lisboa, para construir novos edifícios mais adequados às funções, rentabilizando os terrenos para construção.

No entanto, o artigo de Manuela Arcanjo, no DN de hoje, faz pensar e põe algumas dúvidas que importa esclarecer.

Por outro lado, em relação com a transformação dos hospitais em empresas, primeiro SA e agora em EPE, este artigo do JN de ontem também deixa perguntas no ar que, mais uma vez, seria necessário esclarecer.

Não basta reconhecer ao ministro competência e voluntarismo para acreditar que o que faz está certo. É preciso que o demonstre e que o explique, porque a governação de um país não é uma questão de fé.

(Finalmente aprendi a “linkar”!)

12 março 2006

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O espírito

Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;

E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.

Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:

Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.

(Natália Correia)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...