
O medo está na origem da maioria das nossas acções. A dor e o medo. Porque nos defendem de ameaças à nossa integridade física e psíquica.
A reacção de contracção muscular e afastamento de um membro após uma picada de uma agulha, por exemplo, serve para impedir que essa mesma picada lesione seriamente a área afectada. A dor funciona como um aviso de perigo.
O medo actua após um primeiro ataque. Pressupõe aprendizagem e tenta evitar a lesão. Faz nascer a prudência. É preventivo.
Por isso a sociedade, como um corpo único, é também accionada pela dor e pelo medo.
Hoje em dia a maior preocupação da sociedade ocidental é a segurança. Quer evitar a doença, a fealdade, a velhice, o terrorismo. É de tal forma obsessiva esta cruzada em prol da segurança total, da eliminação do risco, que nos arriscamos a não ter capacidade de aprendizagem, porque deixamos de ter estímulos, deixamos de saber interagir com o meio envolvente que é, muitas vezes, hostil.
E assim perigamos a existência do indivíduo como tal, para construirmos Guantanamo, proibirmos o tabaco, produzirmos estudos em que se padronizam comportamentos de crianças de 3 anos, rotulando-as de comportamentos de risco para a sociedade idealizada (“A Origem das Espécies” – 5/3/2006 – Laranja mecânica).
E então, mesmo que houvesse um determinismo biológico ou social, que faríamos – prendê-las, para que ficassem impossibilitadas de fazer o “mal”; ou dar-lhes medicamentos que regulariam esses impulsos associais; ou mesmo recorrer à exterminação?
A diversidade biológica e comportamental enriquece a sociedade. Um corpo é feito de muitas células que, a todo o momento, sofrem mutações que são benéficas, outras que são letais, adaptam-se às mudanças e fortalecem-se, ou não o fazem e morrem. O corpo social é muito semelhante. Cada indivíduo comporta-se de forma diferente e é livre de escolher o seu comportamento.
Cabe à sociedade proporcionar-lhe o melhor ambiente possível, dar-lhe todas as oportunidades para que possa, de facto, escolher, e encontrar métodos que o afastem do seu meio se, e só se, o seu comportamento comprovadamente perigar o tecido social.
Uma coisa é estar infectada por um vírus, outra é desenvolver uma doença, outra ainda é transmiti-la a outros. Todos temos potencialidades de destruir mas, a maioria de nós, dedica-se a construir.
(Aguarela de Jennifer Thomson: Fear)
A reacção de contracção muscular e afastamento de um membro após uma picada de uma agulha, por exemplo, serve para impedir que essa mesma picada lesione seriamente a área afectada. A dor funciona como um aviso de perigo.
O medo actua após um primeiro ataque. Pressupõe aprendizagem e tenta evitar a lesão. Faz nascer a prudência. É preventivo.
Por isso a sociedade, como um corpo único, é também accionada pela dor e pelo medo.
Hoje em dia a maior preocupação da sociedade ocidental é a segurança. Quer evitar a doença, a fealdade, a velhice, o terrorismo. É de tal forma obsessiva esta cruzada em prol da segurança total, da eliminação do risco, que nos arriscamos a não ter capacidade de aprendizagem, porque deixamos de ter estímulos, deixamos de saber interagir com o meio envolvente que é, muitas vezes, hostil.
E assim perigamos a existência do indivíduo como tal, para construirmos Guantanamo, proibirmos o tabaco, produzirmos estudos em que se padronizam comportamentos de crianças de 3 anos, rotulando-as de comportamentos de risco para a sociedade idealizada (“A Origem das Espécies” – 5/3/2006 – Laranja mecânica).
E então, mesmo que houvesse um determinismo biológico ou social, que faríamos – prendê-las, para que ficassem impossibilitadas de fazer o “mal”; ou dar-lhes medicamentos que regulariam esses impulsos associais; ou mesmo recorrer à exterminação?
A diversidade biológica e comportamental enriquece a sociedade. Um corpo é feito de muitas células que, a todo o momento, sofrem mutações que são benéficas, outras que são letais, adaptam-se às mudanças e fortalecem-se, ou não o fazem e morrem. O corpo social é muito semelhante. Cada indivíduo comporta-se de forma diferente e é livre de escolher o seu comportamento.
Cabe à sociedade proporcionar-lhe o melhor ambiente possível, dar-lhe todas as oportunidades para que possa, de facto, escolher, e encontrar métodos que o afastem do seu meio se, e só se, o seu comportamento comprovadamente perigar o tecido social.
Uma coisa é estar infectada por um vírus, outra é desenvolver uma doença, outra ainda é transmiti-la a outros. Todos temos potencialidades de destruir mas, a maioria de nós, dedica-se a construir.
(Aguarela de Jennifer Thomson: Fear)




