09 maio 2017

Dos preparativos

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Harry Rabinger


 


 


A idade traz destas coisas: não só ficamos mais vagarosos, a mexer-nos, a pensar, a decidir como, e talvez por isso, mais cautelosos, mais pensativos, mais prudentes. Planear uma viagem de 10 dias com alguns jovens adultos por perto, habituados a ver num avião um sucedâneo de um autocarro ou de um comboio, com inúmeras vantagens, é um exercício de divertimento dos mesmos perante a abordagem de expedição ao fim do mundo a que assistem.


 


Para mim o planeamento e a antecipação de uma tão desejada viagem são elementos indispensáveis para a felicidade, que começa precisamente pela degustação do prazer que se vai ter. Além disso, como somos nós próprios a fazer tudo, desde a criteriosa escolha dos locais a visitar, necessariamente muito poucos em comparação com o desejado, usando todas as ferramentas antigas e modernas, até às marcações das viagens, reserva de hotéis, carros de aluguer, museus, monumentos históricos, etc., a viagem não se reduz a ela própria mas expande-se a toda a uma constelação de cumplicidades e gozo da antevisão do paraíso.


 


Sob o olhar de condescendência ternurenta dos profissionais, imprimimos os cartões de embarque, os comprovativos do aluguer da viatura, os comprovativos dos hotéis, carregamos e actualizamos o GPS, confirmamos as previsões meteorológicas (que muitas vezes não acertam), avaliamos as possíveis dimensões e pesos das malas, ponderamos a necessidade de agasalhos, listamos os medicamentos (sim, também já temos essa parte), pedimos o táxi para o aeroporto, fazemos as contas aos horários para não nos atrasarmos, etc.


 


Se pensar bem, a primeira vez que me lembro de ter viajado de avião para um país estrangeiro - para França (não contando com Angola e Cabo Verde que, quando lá vivi, não eram estrangeiros) - já era (jovem) mãe de 2 filhos. Por muito que as viagens pela Europa se tenham banalizado, se calhar nunca conseguirei encará-las com a naturalidade de quem já nasceu numa Europa sem fronteiras e sem passaportes, que é o caso do pessoal mais novo. A liberdade de circulação de pessoas e bens é uma grande conquista do espaço europeu e uma grande vantagem destas gerações em relação à minha. A casa deles é mesmo o mundo.


 


Pois bem, estou de partida para uns dias de recreio e evasão.

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