Soubemos agora que o Ministério Público (MP) decidiu, ao fim de 8 anos, arquivar o inquérito que tinha levantado a Dias Loureiro e Oliveira e Costa, por suspeita de burla ao BPN.
Tenho lido algumas declarações a lamentar este arquivamento, pelo facto de considerarem impensável que não se tenham produzido provas nem acusações contra estes dois arguidos, que julgam culpados. Quem assim pensa também se indigna com a injustiça de manter José Sócrates sem acusação formada desde 2014, proclamando a sua evidente inocência e a necessidade de arquivamento do processo.
Por mim considero absolutamente intolerável o que se passa com Sócrates e o que se passou com Dias Loureiro e Oliveira e Costa. Não se pode aceitar alguém, independentemente das nossas simpatias pessoais, ideologias políticas ou crenças individuais, esteja em suspenso durante 9 anos, arrastado pela lama e condenado pela opinião pública. Tal como com Sócrates e como tantas vezes ouvimos dizer, as pessoas são inocentes até que se prove o contrário.
Ao fim de todo este tempo nunca mais é possível limpar o nome de ninguém. Acusados ou inocentes, Dias Loureiro, Oliveira e Costa e José Sócrates, só para citar estes últimos casos mais mediáticos, arrastar-se-ão pela vida toda com o fantasma da condenação pública. Isso afectou e afectará a sua vida pessoal e profissional, tal como a das pessoas que lhes são próximas.
Somos todos de carne e osso. Pensar que podemos depender de uma justiça que funciona desta forma é assustador, pois os inocentes nunca serão inocentados e os culpados nunca serão condenados e punidos.
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