21 julho 2016

Oceanário

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Quantas vezes nos acontece ficar desiludidos após a visita a um museu ou a uma exposição, depois de ver um filme ou ler um livro, talvez porque esperámos demais ou alimentámos fantasias perante histórias e imagens para além da realidade.


 


Pois com a minha visita ao Oceanário de Lisboa aconteceu precisamente o contrário.


 


Um aquário gigantesco, muito bem orientado, com bastante informação, observando-se um enorme cuidado com os espaços, as luzes, a forma como se fornecem pequenos conteúdos educacionais e ainda os pequenos fragmentos de poemas da Sophia de Mello Breyner, para que se possam ler em pequenos cantos de admiração e descanso.


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Falo da exposição permanente, pois foi a que visitei. Os vários tipos de ecossistemas marinhos, com a fauna e a flora típicas, e aquela enorme montra em que podemos observar inúmeros tipos de peixe, majestosamente nadando de um lado para o outro, num filtro de luz azulado e crua, mas que emite uma paz e uma serenidade que casam bem com a poesia.


 


Muitos miúdos, como era de esperar, e muito bem dispostos!


 


Gostei imenso e aconselho vivamente a quem ainda não conhece que não perca.


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Iremos juntos sozinhos pela areia


Embalados no dia


Colhendo as algas roxas e os corais


Que na praia deixou a maré cheia.


 


As palavras que disseres e que eu disser


Serão somente as palavras que há nas coisas


Virás comigo desumanamente


Como vêm as ondas com o vento.


 


O belo dia liso como um linho


Interminável será sem um defeito


Cheio de imagens e conhecimento.


 


Sophia de Mello Breyner Andresen (1954)

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