A honestidade intelectual obriga-me a reconhecer como verdadeiros alguns dos reparos que me fizeram: o não me ter manifestado aquando de outros processos em que os arguidos, tal como aconteceu com Sócrates, foram exibidos e julgados na praça pública.
É verdade que, mesmo que o tenha pensado, não o disse com a veemência que mereceriam ou, pior, não o terei mesmo equacionado. E isto diz-me muito sobre a minha própria forma de encarar e de abraçar as causas que considero nobres - tenho pouco distanciamento e muitas vezes actuo orientada por preconceitos.
Seria bom que, numa próxima vez em que me colocasse à prova, pudesse ser mais justa e mais imparcial. Mas a liberdade total em que o comprometimento com os outros não existe é, para mim, impossível. Em muitas circunstâncias, os afectos guiam a minha razão.
Somos todos feitos do mesmo pano. Por muito que nos custe, não somos só razão. Os afectos também contam. E muito.
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