A internet e as redes sociais dão-nos a ilusão de sermos todos uma grande família, numa relação de proximidade com quem nem sequer conhecemos. Por isso nos expomos ao mundo, publicando pensamentos, disparates, pretensões, ignorâncias, futilidades e fotografias, nossas e de outros a quem não pedimos autorização, numa demissão total da reserva e privacidade das nossas vidas e da nossa intimidade e também daqueles que fazem verdadeiramente parte do nosso grupo familiar e de amizade.
Por outro lado assistimos ao alardear dos lados mais negros, falsos, cínicos e violentos do ser humano. A coberto do anonimato e da facilidade de comunicação, lemos trivialidades, insultos e mentiras. Tal como os adolescentes dão a toda a escola o código de entrada da porta do prédio onde moram, sem se aperceberem de que é o mesmo que distribuírem pelos pátios a chave de entrada da sua casa, a sensação de devassa a que estamos sujeitos é assustadora.
A propósito do último post que publiquei sobre Maria de Lurdes Rodrigues, reparei que estava a ser muito visitada por pessoas direccionadas de um blogue que se distingue pelo grupo de energúmenos que a si mesmo se chama classe docente, conspurcando todos os que são verdadeiros professores. E então dei com um comentário a um post sobre a condenação de Maria de Lurdes Rodrigues, que linkava para o meu:
Não estranhei o teor nem a elegância do comentário. Apenas fiquei espantadíssima com o excerto de uma dúvida que, em 2008 (!!!), enviei ao site Ciberdúvidas a propósito de uma expressão que vi e ouvi diversas vezes e que pensava estar errada: "envergar por uma carreira". Como não tenho a pretensão de saber tudo e, bem pelo contrário, tenho alguma tendência a dar erros de ortografia, umas vezes por dislexia outras por ignorância pura, resolvi esclarecer-me:
Confesso que fiquei perplexa. Percebi, mais uma vez, que tudo o que escrevemos, por muito normal e inocente que nos pareça, pode ser vasculhado, guardado e usado para insultar e descredibilizar, quando não com mais escuros e dúbios objectivos.
Numa sociedade que nos quer fazer acreditar que somos uma grande, unida e feliz família universal, percebemos que de universal há seguramente a intrínseca estupidez humana. Estamos a construir um Big Brother vingativo, cheios de flores e música celestial com que enganadoramente o enfeitamos.
Complemento com um link do post de Estrela Serrano:
ResponderEliminarhttp://vaievem.wordpress.com/2014/09/16/sentencas-baseadas-em-experiencias-de-vida-podem-dar-nisto/
Boa Tarde.
Bom Domingo.
Boa Semana.
ACÁCIO LIMA
Grande post. Muitos parabéns.
ResponderEliminarInfelizmente e a todos os títulos, a nossa sociedade planetária, é assim mesmo! Por isso às vezes me envergonho de pertencer a esta espécie animal.
Mas vamos fazendo o melhor, alguns de nós, pela melhoria destas condições, como o faz este seu post.
Obrigado!
MCTorres
Muito oportuno este post. E leva-nos a reflectir mesmo. Assusta-me bastante o facto de estarmos num imenso Big Brother o qual eu, mais ou menos conscientemente, ajudo a existir...
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