30 junho 2012

Estratos

 


 


Amy Casey: Cloud 


 


1.


Empilhei as gavetas da minha existência secreta e muda


laboriosamente resguardada das feridas que continuamente


reabro numa sondagem incessante de rectas perigosamente


curvadas entre as costas dobradas curiosamente revoltas


novelos de ideias obsessivamente inúteis.


 


 


2.


Estratos basais e banais


flores do acaso


sem mais.


 


 


3.


Nada como o intenso azul que mergulha entre as árvores


o imenso marulhar do silêncio entre as mãos


que descansam na tua pele.


 


 


4.


Ainda não aprendemos as palavras despidas


a aridez dos ossos que despontam nos areais das cidades


ainda não crescemos em distância


armados de braços desiguais


usando a cobardia do conforto


por entre a movediça capacidade de moldagem


e flacidez.



3 comentários:

  1. Anónimo11:49


    Há palavras que nos trespassam. Morremos nelas com prazer indisfarçável.

    Há momentos em que a alma se torna pequena demais,
    para tanto do que sentimos, tão profunda a condição.

    Fado de um fado que tamanha beleza em mim ressoa!

    Lindo poema! Lindo.

    Parabéns.



    Vasconcelos.

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  2. Ana Maria Afonso21:00

    leio-te embalada pela cobardia do conforto que já não me incomoda, deleito-me e felicito-te por este poema tão bonito

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