07 agosto 2011

Manhãs como noites

 



Edward Hopper: empty room


 


1.


Manhãs como noites em lugares de anseio.


Manhãs infinitas e presas no ardor do sol que não chega.


 


2.


Os vendavais do mundo repetem-se


em brisas que não levantam areias.


Dores de encarquilhamento


dores de peso e obscura certeza de contínuo tédio.


 


3.


Restamos por dentro de horas infinitas que desgastamos


fragmentos de matéria orgânica


que segue inexorável o seu caminho.


Temos a certeza da pele e dos ossos


que se afundam ou despontam conforme as épocas


de abundância ou penúria de humores.


 


4.


Quero estar apenas só


com aquela metade de mim mesma que não conheço


mas que tolero e ignoro.


Quero estar apenas só


perante o abismo de céu


em que afogo o uso e a sensação de perda.

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