Edward Hopper: empty room
1.
Manhãs como noites em lugares de anseio.
Manhãs infinitas e presas no ardor do sol que não chega.
2.
Os vendavais do mundo repetem-se
em brisas que não levantam areias.
Dores de encarquilhamento
dores de peso e obscura certeza de contínuo tédio.
3.
Restamos por dentro de horas infinitas que desgastamos
fragmentos de matéria orgânica
que segue inexorável o seu caminho.
Temos a certeza da pele e dos ossos
que se afundam ou despontam conforme as épocas
de abundância ou penúria de humores.
4.
Quero estar apenas só
com aquela metade de mim mesma que não conheço
mas que tolero e ignoro.
Quero estar apenas só
perante o abismo de céu
em que afogo o uso e a sensação de perda.
Sem comentários:
Enviar um comentário